31.7.05

Em breve sai do prelo mais um livro techie de minha lavra, junto com os parceiros Fernando de Oliveira e Aroaldo Veneu. Aguardem.
Fui visitar outro dia minha querida amiga Alessandra Archer, para finalmente conhecer seu filho Pedro. Foi muito bom revê-la, e botamos nosso papo em dia. Pedro é gente boa demais, muito simpático.

Nada como estar com os amigos: é o que tempera a vida.
Niver de Cora Rónai hoje. Um grande beijo deste Guardião, dear.
De volta de NY a trabalho, semana passada. A capital do planeta estava envolta num calor insuportável, mas seu charme é imune a qualquer clima. No meio de lançamentos de bits e bytes, uma parada no Blue Note para curtir um show do pianista de jazz Ahmad Jamal, inacreditável em termos de quantidade de convenções musicais numa mesma peça. O baterista Chris Mohammed fez um solo memorável, extremamente melódico, atento à afinação de cada tambor. Orgasmático.

Nos momentos de folga, me demorei no Central Park, livrarias, Trump Tower, Disney store, fui até Times Square (de novo -- em 2000 estive lá, vi "Chicago" na Broadway antes de o filme ser feito e subi o Empire State) e depois descansei num Starbucks.

O bar do hotel onde estava -- o W New York, na avenida Lexington com a rua 49 -- era excelente e ficava animado todas as noites. Projetava vídeos com efeitos relaxantes nas paredes, como o de uma cortina de água. Os jornalistas se reuniam ali no fim de noite para uns drinques antes de apagar de cansaço na cama. Meu eleito foi o mojito: bacardi limón, gelo, limão e menta.

18.7.05

Wal e eu tivemos um fim de semana de folga após as confusões da mudança (me mudei para mais perto da escola de minhas filhas, no fim de maio): Jessica passou uns dias em São Paulo, num mega-evento de animes, e Rebeca foi curtir as férias com as primas. Aproveitamos o tempo perfeito de sábado e domingo para passear sem destino por Icaraí e depois tomar um vinho. Lembrei-me dos tempos de namoro, em que, juntos, só curtíamos os prazeres, antes de partir para o desafio real da convivência, que é o casamento.

Namorar é uma delícia. Só o uso dessa palavra me faz um velho nesse mundo de multibeijos na boca na mesma noite e "ficantes". Bom, eu também já fiquei algumas vezes, e reconheço que é bom, mas namorar é muito melhor.

4.7.05

Gripadão, no sábado, aproveitei que tinha que ficar em casa mesmo para assistir aos shows do Live 8 transmitidos ao vivo pela MTV. Foi muito legal ver a formação original do Pink Floyd reunida, e a paixão do velho (e bote velho nisso) Roger Waters ao cantar as músicas mesmo fora do microfone. Outros shows muito bons foram os de Paul McCartney, Elton John, Annie Lennox, Green Day (em Berlim) e Madonna. Não vi o The Who, só um flashzinho, mas pareceu legal também.

26.6.05

Mas que boa notícia: Gustavo de Almeida de volta ao Blogus. É para celebrar, e muito!!!

Meu primeiro teste com o serviço de imagens do Blogger, aproveitando um ensaio de 1983 com milha velha banda, o Estrada Fróes, no Teatro do Instituto Gay-Lussac, em Niterói.

O ensaio foi em junho daquele ano e nos preparava para um show no teatro da UFF, que ocorreu no dia 7 de julho seguinte e foi um marco na história da banda. Esta durou mais ou menos até 1992, com várias formações.

Hoje mal tenho tempo de pegar meu violão e sinto muita falta de empunhar uma guitarra e mandar ver.

Para mim, não há nada como um bom show de rock, estando você no palco ou na platéia. Mas no palco a sensação é indescritível.

É como diz o The Who: long live rock, be it dead or alive ;-)

Oh yeah.

22.6.05

Quando a alma está inquieta
não há paisagem que a apazigue:
adeus, montanhas cobertas de verde
adeus, pinheirais de cheiro impoluto
vocês não podem curar
uma criatura torturada
pelas próprias sinapses.

Talvez o mar:
sim, pois o mar encerra em si a beleza e a morte
e é como o fantasma mutável
que vive no sótão de nossos órgãos.

14.6.05



Filosofando no chope, já com saudade da bela morena que acabara de sair da mesa... Só mesmo Nelson Vasconcelos para conseguir fazer a foto do meu real estado de espírito.

9.6.05

Boa notícia: ganhei, junto com Elis Monteiro, o prêmio interno do Globo de melhor matéria do mês nos suplementos do jornal com a reportagem "Muito mais que dez anos", publicada em maio, sobre os primórdios da internet brasileira.

Yesssss!

7.6.05

O beijo que não houve

Foram poucos minutos
mas nós jogamos o jogo
-- você não parou de sorrir;
eu olhava para baixo
e dizia qualquer coisa
E Eros brincava, invisível,
entre nós.

Teria sido perfeito
o beijo que, no fundo,
queríamos roubar ali mesmo
na calçada
no meio da tarde
num tesão súbito de outono.
Mas o Momento se impacientou
e apertou o passo.

Você foi para o litoral
e eu, para o deserto.
O beijo, no entanto,
permanece suspenso no ar
se queixando do desperdício.

29.5.05

Sou poeta
e onde tu vês chuva e vento
eu vejo a fúria das esferas e cristais derretidos
Torneio palavras
e onde tu lês o fato
eu percebo a conjuração de almas impenitentes
Escolho a pena
e onde tocas a textura da tinta
eu sinto o cheiro de sangue.

Eu não tenho profissão
Eu não tenho planos
Eu não tenho a porra da sinergia
com o universo mesquinho
dos escravos engravatados
da mais-valia globalizada.

Eu sou só poeta
e o poeta, se for um navio, será sempre o Titanic
se for uma ilha, será sempre Krakatoa ou Santorini
se for um dirigível, será sempre o Hindenburg
se for uma civilização será sempre inca, maia, asteca ou sioux.

Eu sou poeta
e morro um pouco a cada verso.
Mas é isso o que ilumina o instante.

18.5.05

Um de meus filmes favoritos é o musical "My fair lady", baseado em "Pigmalião", de Bernard Shaw. E o pai fanfarrão da personagem de Audrey Hepburn, Alfred Doolittle, canta algumas das mais divertidas músicas. Como "With a little bit of luck". Aqui, alguns trechos...

The Lord above gave man an arm of iron
So he could do his job and never shirk.
The Lord gave man an arm of iron, but
With a little bit o' luck,
With a little bit o' luck,
Someone else'll do the blinkin' work!

The Lord above made liquor for temptation,
To see if man could turn away from sin.
The Lord above made liquor for temptation, but
With a little bit o' luck,
With a little bit o' luck,
When temptation comes you'll give right in!

17.5.05



Elis Monteiro, eu e, no fundo, a doce Mariana Ceratti num recente evento de telecom. Dia de trabalho, mas também do prazer de reencontrar os coleguinhas.

24.4.05

Meus olhos são desconexos
e não servem à lente;
meu olhar é taciturno
e cheio de não-me-toques;
ele gosta de lembranças furta-cor
e não do instante eternizado
e objetivo.
é na palavra que me deleito
é com ela que me lambuzo
e invento
emaranhados quânticos
de significados.

19.4.05

Enfurnado hoje o dia inteiro num evento de telecom e olhando de olho comprido pra esse marzão de Copa sob o sol... ai ai. Mas pelo menos o evento foi legal e teve umas novidades interessantes (meu Deus, elas não param) para nossos companheiros celulares. É uma indústria sempre acelerada...

13.4.05



O tempo magnífico da baía de San Francisco (com um frio de 10 graus) durante o evento Color Sense, da Xerox. E uma turma de coleguinhas internacionais: Emil (Polônia), María (Argentina), eu e Dan (Romênia). Ao fundo, a outrora temível ilha-presídio de Alcatraz.



Parte da turma latino-americana no mesmo evento: María, eu, Carlos (Argentina) e Letizia (México). Tomamos um longo café no Starbucks e falamos sobre tudo: literatura, política, jornalismo e, é claro, tecnologia.



Outra viagem. Com coleguinhas muito legais: as duas Carolinas (Oliveira, do Jornal de Brasília, e Quintella, do JB Online) numa pausa num evento da EMC em Campos do Jordão.


A turma toda reunida para um "chops" no centro de Campos do Jordão. Esta turma foi uma das mais animadas com que já viajei.

5.4.05

De volta, pessoal, depois de uma semana no friozinho da costa oeste dos EUA, em San Francisco e Portland, a trabalho. Visitei um dos templos do saber techie, o Parc (Palo Alto Research Center), que muito contribuiu para nosso dia-a-dia de bits e bytes atual. Contarei tudo no Info Etc de segunda-feira. Aguardem.

23.3.05

É isso aí, moçada.

"AUMENTO ZERO NÃO
Jornalistas lotam o Sindicato e decidem lutar contra tese xiita


Um evento como há muito não se via no Rio de Janeiro. Auditório lotado, os jornalistas profissionais deram um show de solidariedade e mobilização na assembléia da noite de ontem. Por praticamente unanimidade, foram rejeitadas as propostas patronais de rádio e TV e jornais e revistas de aumento real zero em 2005. A tentativa dos patrões de dividir os jornalistas, propondo abonos diferenciados, foi reprovada. A assembléia autorizou o Sindicato a fechar um acordo somente se os patrões deixarem o radicalismo de lado e entenderem que temos direito a aumento real para compensar um sacrifício que dura quatro anos, com reajustes inferiores à inflação.
A assembléia autorizou o Sindicato carioca a iniciar um movimento com o Sindicato de São Paulo para alertar a opinião pública a respeito do desinvestimento nas redações e na qualidade do jornalismo. Em São Paulo, os jornalistas de jornais e revistas conseguiram um aumento real além dos abonos, mas o acordo com rádio e TV não foi fechado, apesar de a data-base ser em dezembro, porque lá também eles insistem no mesmo radicalismo: zero de aumento real. No caso do Rio o radicalismo é ainda mais incompreensível porque os veículos tiveram um desempenho em 2004 superior à média nacional. Em um ano o aumento do faturamento bruto com publicidade foi de 33,15% nas TVs, 20,61% nos jornais e 37,91% nas rádios.
Os patrões insistem no princípio xiita do aumento zero em vez de se abrirem ao diálogo (como sempre fizemos) e aproveitarem o momento favorável da economia para começar a pagar sua dívida conosco. Por aceitarmos reajustes inferiores à inflação nós acumulamos, em quatro anos, perdas que somam 11,99% na mídia impressa e 14,5% nas emissoras. Sem contar a inflação de 5,8% do último ano. A assembléia considerou a proposta de aumento real zero um radicalismo sem sentido e rejeitou um acordo só com esmolas, ou melhor, abonos. Por mais interessante que pareça em um primeiro momento, todos sabemos que abono vira pó rapidamente. Precisamos começar a repor as perdas que aceitamos em nome de uma recessão que não existe mais.
O momento é de mobilização e o sucesso do nosso movimento depende de você. A assembléia de ontem mostrou que os jornalistas querem lutar por qualidade de vida. Se você acha que chegou a hora de parar de perder salário, aceite o desafio de convencer seu colega, seu chefe, seu editor e a direção de sua empresa de que nossa reivindicação é simplesmente justa. Os representantes patronais têm argumentado que o momento brasileiro é bom, o desempenho do setor foi sensacional, mas não podem dar aumento porque não sabem como será o futuro. Mas não é assim mesmo que as coisas funcionam? Por acaso só teremos direito a aumento quando eles tiverem uma lâmpada de Aladim ou uma bola de cristal para adivinhar um futuro eternamente grandioso?
É importante você saber que não estamos falando de futuro, mas de um ano de grande desempenho positivo das empresas, de fevereiro de 2004 a janeiro de 2005. E de quatro anos de perdas passadas. Quando aceitamos as perdas, não usamos o argumento ridículo de que o futuro seria melhor. Se a economia brasileira piorar no futuro, saberemos, como sempre, agir com flexibilidade e dividir o prejuízo. Mas agora temos direito à divisão de um bolo que cresceu muito. A maioria das categorias profissionais no Brasil tem conseguido aumentos reais em função disso. Não há motivo para discriminação contra os jornalistas. Não somos categoria de segunda.
Mobilize sua redação, chame o colega para a discussão, fortaleça sua categoria e prestigie seu sindicato. Faça reuniões, debata, pressione. Use os adesivos que vamos distribuir contra o radicalismo do aumento real zero. Prepare-se para a próxima assembléia, que vamos convocar provavelmente na próxima semana. Vamos dizer que os jornalistas do Rio decidiram não trocar seus direitos e sua dignidade por abonos passageiros. E que não concordamos com um radicalismo absurdo que prega o aumento zero em tempo de vacas magras ou gordas. Não ao aumento zero!


Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro"