28.12.06

26.12.06

Eu ainda não contei aqui, mas escrevi uma música para minhas amigas Bárbara, Fátima e Elis neste fim de ano. Há muito tempo não compunha, mas numa tarde de sábado peguei o violão e em menos de uma hora a música saiu. É um rock and roll direto e agitado, exatamente como as três são. Tenho um amigo baixista -- Carlos "Juninho" Castanheira -- dono de um estúdio de gravação perto de casa e, uma noite, marquei um horário para botar a música do jeito que eu queria. Toquei violão, fiz a guitarra-base e a guitarra-solo e meu amigo mixou tudo e pôs o baixo na trilha -- um baixão poderoso, mais roquenrou impossível. A bateria, programamos no computador, com as viradas e tudo o mais. Ficou porreta. No fim, gravei a voz, que saiu praticamente de primeira. A cantora Suelen Targine, que é noiva do Juninho, sugeriu que eu gravasse uns backing vocals e me passou o arranjo. Mas, como na voz dela essa parte estava muito mais legal, pedi que gravasse os vocais no refrão. O resultado ficou muito legal e, semana passada, fiz uma surpresa para minhas amigas na casa da Elis, mostrando a gravação. Foi um momento muito emocionante.

Agora estou com as mãos comichando para gravar mais coisas... Acho que vou pegar minhas velhas músicas e gravar um CD com a ajuda de Juninho e Suelen. Tinha me esquecido de como é bom criar música, e ficar arranjando. Ainda mais quando se pode dirigir todo o processo com a ajuda de um produtor com a sensibilidade do mencionado baixista, profissional descoladíssimo na área. Eu fiz as pazes com um pedaço de minha vida há muito abandonado.

21.12.06

Este Guardião deseja um feliz Natal a todos. Que lembremos o significado real desta celebração, que é o amor em todas as suas formas, e não o consumo em todas as suas formas...

20.12.06

A diarista lá de casa é meio maluquinha, mas tem um coração gigantesco. Ela tem um dom especial: o de tornar as plantas mais bonitas e felizes. É sério. Toda vez que eu volto para casa num dia de faxina, nossas plantinhas estão mais viçosas e parecem sorrir. Minha mulher um dia perguntou qual era o segredo.

-- Ah, dona Wal, é que eu converso com as plantas. Elas adoram conversar, sabia? Se você dá atenção, elas ficam mais bonitas. E, quando estou ocupada e não posso conversar, boto-as na frente da televisão. As plantas ficam com a impressão de que tem alguém falando com elas.

16.12.06

Do sempre pertinente Mário Quintana (1906-1994):

Canção do dia de sempre

Tão bom viver dia a dia…
A vida, assim, jamais cansa…
Viver tão só de momentos
Como estas nuvens no céu…

E só ganhar, toda a vida,
Inexperiência… esperança…
E a rosa louca dos ventos
Presa à copa do chapéu.

Nunca dês um nome a um rio:
Sempre é outro rio a passar.
Nada jamais continua,
Tudo vai recomeçar!

E sem nenhuma lembrança
Das outras vezes perdidas,
Atiro a rosa do sonho
Nas tuas mãos distraídas…
De plantão na redação neste sábado de sol.

Hora de dar uma blogada.

Vocês já viram aquele anúncio do Johnnie Walker em que uma árvore sai "andando"? Rebeca, minha caçula, outro dia me perguntou:

-- Pai, eu não entendo. Por que a árvore sai andando?

-- É um anúncio de uísque, minha filha. O roteirista estava bêbado e criou isso aí.

13.12.06

Li as duas graphic novels sobre a Morte que o Neil Gaiman (criador do inesquecível Sandman, o senhor dos sonhos) reuniu para uma edição especial. Para quem não conhece, os personagens dos quadrinhos de Gaiman são os Perpétuos, que mais ou menos governam os destinos dos homens -- Sonho, Morte, Destino, Desejo, Delírio, Desespero e Destruição. São todos irmãos e retratados como pessoas. A Morte lembra, na concepção de Gaiman, a cantora Siouxsie, da banda Siouxsie and the Banshees. E a personagem é tudo, menos sombria. A cada século ela precisa assumir a forma humana por um dia para saber como é ser mortal. Este é o tema da primeira história do volume. Na segunda, alguém precisa fazer um trato com nossa heroína.

O texto de Gaiman é emocionante e ele é um dos narradores mais originais da história das graphic novels.

8.12.06

Fui ontem ver o BB King no Vivo Rio. O homem, aos 81 anos, continua demais. O show foi uma delícia e algumas músicas (como "Since I met you baby") me emocionaram sobremaneira. É claro que algumas doses de uísque contribuíram também ;-)

Acompanhou-me no show minha querida amiga Andréa Petti, a quem não via há anos. Botamos os papos em dia e ficamos no bar da casa um bom tempo filosofando antes de irmos embora. Foi um grande privilégio reencontrá-la.

Fui dormir uns cinco quilos mais leve, carregado pelos blues.

5.12.06

Completei ontem 44 primaveras. Se tudo correr bem, é mais ou menos a metade do caminho ;-)

A comemoração foi simples, no centenário Café Lamas, com minhas adoradas Bárbara, Elis e Fátima, mais os fiéis Octavius Brito, Maloca Mendes, Feroli, Sergio Maggi e Simone Gondim.

A doce Andrea Agusto enviou-me um cartão virtual delicioso; eu tinha acordado meio triste (é o primeiro aniversário sem meu pai), mas ela começou a iluminar o dia. Depois, a farra que Elis, Bárbara e Fátima fizeram para mim em pleno restaurante do jornal me arrancou dos pensamentos cinzentos de uma vez por todas.

Quando cheguei em casa, de madrugada, me esperava um presente artesanal feito na escola por minha caçula Rebeca. Eu tinha dito em casa que elas não precisavam me dar nada de aniversário, mas ela nunca deixa de inventar alguma coisa. Foi emocionante.

27.11.06

Ontem eu acompanhei na guitarra meu velho partner Hélcio Luiz num show no clube que freqüento. Fiquei feliz ao perceber que ainda sabia tocar todas as músicas do nosso repertório e até fiz umas firulinhas no meio de algumas. Realmente, tocar um instrumento é como andar de bicicleta: impossível esquecer. Eu ia apenas dar uma canja, mas toquei durante quatro horas amarradão.

Depois que a Elis me disse que estou encaretando, só escrevendo e deixando a música de lado, estava mais que na hora de praticar um pouco.

21.11.06

É só ler de leve nas entrelinhas do noticiário político para perceber que nenhum de nossos supostos representantes parece interessado no bem-estar do país. Pensam com seus egos inflados, suas vaidades, jogam o jogo usual e dançam a mesma dança de sempre para ficar por cima da carne seca.

É o espectáculo do desapontamento.

14.11.06

Só restou o poema
e o meio-fio onde desabar;
melhor deitar sobre a relva
e contar estrelas-miragens.

É como canta o Jim Morrison:
o fim do riso
e das mentiras suaves.

Eu sou um cão vagabundo
encharcado de chuva
na sua varanda silenciosa
sentindo falta
de suas mãos doces.

13.11.06

Não gostar

Você brandiu a varinha
e tornou meu amor em velho pergaminho
levado inconsolável
aos solavancos
por uma tempestade de areia.

Cicuta perde
arsênico perde
letal é a rejeição
banal, a solidão
e eu odeio essa angústia clichê que estou sentindo.

são lúgubres
as cavernas da culpa cristã
cheias de morcegos
dentro dos ventrículos;
eu pranteio a morte dos velhos deuses
trocados pelo medo do prazer
trocados pelo horror à vida
e pela evisceração do desejo.

Para mim foi o bastante
perceber seu pavor;
será doravante meu lema
o não gostar.
Como meu amor-pergaminho amarelento
esquecido nas areias escorchantes
vou endurecer e quebrar
e aguardar a escuridão.

6.11.06

Hoje este blog faz cinco anos no ar.
A todos vocês que o acompanham, meus agradecimentos mais profundos.
Um beijo especial para Cora e Elis, que me incentivaram a criar este espaço.
Minha coluna mais recente no Info Etc:

16-10-2006

"ATENDIMENTO NOTA DEZ

André Machado

Toca o telefone na casa do dr. R. Sua mulher atende ao passar pela sala.
- Bom dia. Estou falando com a residência do dr. R.?
- Sim.
- A senhora é a esposa?
- Sim.
- Aqui é a administradora do cartão de crédito X, senhora. Está constando nos nossos computadores que o dr. R. tem uma dívida com o cartão no valor de R$***. Nós gostaríamos de estar lhe oferecendo um parcelamento que ele poderia estar pagando...
- O dr. R. não está interessado em parcelamentos de qualquer espécie.
- Como...?
- Ele não "vai estar quitando" esta dívida.
- Mas, senhora... a dívida a que estou me referindo é antiga... o nome dele já está constando no SPC e no Serasa...
- Ele não liga a mínima para Serasa ou SPC.
- Senhora, mas se ele não pagar a dívida não estará mais entrando em condições de estar fazendo compras a crédito.
- Ele não "vai estar pensando" tão cedo em "estar fazendo" compras a crédito, moça - responde a esposa, sibilando de raiva.
- Senhora... por gentileza... a senhora poderia estar passando o telefone para o dr. R.?
- Não poderia, não. Ele não está no momento.
- Então como eu poderia estar fazendo para estar contactando-o?
- Olha, minha filha, talvez você queira "estar procurando" um centro espírita. O dr. R. já "está se deitando" num túmulo há mais de dez anos.

&&&

Na loja da operadora de telefonia celular, a dra. S. entra explicando que precisa falar com uma atendente. Pacientemente, pega uma senha e espera na fila. Ao ser chamada - quase uma hora depois - para a mesa da atendente, vai direto ao assunto.
- Quero cancelar este telefone celular de meu pai - começa.
- Sinto muito, senhora, mas não vou poder estar procedendo ao cancelamento do celular - responde a atendente, muito solícita. - É preciso que o titular da compra esteja vindo aqui e providenciando o cancelamento ele mesmo.
- Mas, moça, neste caso isso será impossível. O titular não pode comparecer à loja. Você compreende, ele faleceu há dois dias.
- Senhora, me desculpe, mas não é possível estar cancelando... só mesmo com o titular.
- Você está vendo este papel aqui? - devolve a dra. S., tirando um documento da bolsa. - É o atestado de óbito original de meu pai. Ele está MORTO. Como pode comparecer a esta loja?
- Lamento, só estaremos podendo proceder ao cancelamento do celular com a presença do titular... A senhora não gostaria de estar passando o celular para o seu nome, ou outro membro da família?
- Ah, para isso podemos dispensar a presença do titular, né, minha filha? Muito bonito. Pra comprar, pode tudo, pra cancelar, só na filial do inferno.
- Mas minha senhora... certamente que alguém da família...
- Não quero um novo celular. Nem meu marido. E nossa filha só tem um ano de idade. E meu celular é de outra operadora, graças a Deus... Não, eu só quero cancelar o celular de uma pessoa que já morreu! Que parte de "já morreu" você não consegue entender?
- Lamento, mas...
A dra. S. não a deixa terminar. Pega o celular do pai, bota-o na mão da atendente e, levantando-se:
- Então, por favor, fique com o celular dele. Quem sabe um dia ele não te telefona e aí pede o cancelamento direto do além para você? Faço votos que ele te ligue, viu? Passar bem.

&&&

Os diálogos acima ganharam alguns retoques. Mas ambas as histórias são absolutamente verídicas.

&&&

Eu já tinha falado dele aqui, mas agora é oficial: foi lançado em português o Suse Linux Enterprise 10, cujo foco é voltado para as empresas. Uma das atrações da distribuição é a virtualização nativa no sistema, baseada na ferramenta de código aberto Xen 3.0."

1.11.06

Um dia de sol
na baía de Guanabara
basta

Flanar
com um livro no colo
sobre as águas milenares
basta

Olhar
para a fêmea de ombros
de alabastro
que olha para
a baía de Guanabara
basta

Receber
o afago do vento
e deixá-lo levar
os problemas em casa
basta

Ser um
com a paisagem
basta

para saber que existe um Coreógrafo cósmico.

25.10.06

De volta de minhas férias, em que me desconectei um pouco e botei as leituras em dia. Todos merecemos o "dolce far niente" de vez em quando...

1.10.06

Que tristeza este acidente do vôo 1907 da Gol. Muita gente diz que o avião é o meio mais seguro de transporte -- e eu gosto de acreditar nisso, porque vôo muito a trabalho --, mas na hora de algum problema, só nos resta entregar a alma a Deus.

Que todos os vitimados possam descansar em paz, é o que desejo.
O vídeo do Freire também está no YouTube, bem aqui.

Tem mais novas sobre o lançamento no Cadafalso II.

Eu e o Alexandre Freire autografando o "Como blindar seu PC" na Letras e Expressões do Leblon. A foto é do Kléber Galúcio, do curso de informática AIS.
O pessoal da AIS, aliás, fez um link especial sobre o lançamento do livro que ficou muito legal. Veja mais fotos aqui e um vídeo do Freire aqui falando da obra.
O lançamento do livro foi um agito só. Cora Rónai, Nelson Vasconcelos e Elis Monteiro estiveram lá, o que me deixou felicíssimo, além de muitas figuras ilustres do mercado de segurança da informação, e eu e o Freire quase não conseguimos levantar da mesa de autógrafos de tantas dedicatórias que fizemos. O livro já está em quinto lugar na lista de mais vendidos na Livraria da Cultura. Uhuu!

25.9.06

Correndo atrás da divulgação do livro nas últimas semanas. Hoje saiu reportagem no caderno Info etc, do Globo, e foi postada uma entrevista em vídeo na parte de Tecnologia do Globo Online.
Espero todos no lançamento, que será sexta-feira na Letras e Expressões do Leblon, a partir das 19h. O convite pode ser visto aqui.

6.9.06


Atenção, moçada!

Vem aí meu novo livro, escrito em parceria com o super-expert em segurança da informação Alexandre Freire. Olha a capa aí em cima. Está quase saindo do prelo. Mas já tem site, inclusive com links para compras antecipadas. Fica aqui, e e está quase pronto, faltando alguns detalhes. O Alexandre construiu todo o site, com muito capricho.

O lançamento será dia 29 de setembro, na Letras e Expressões do Leblon. Boto o convite aqui quando chegar mais perto.
Tem mais fotos de Berlim no Cadafalso II.




De volta de Berlim, Alemanha, onde fui cobrir um evento gigantesco de eletroeletrênicos, a IFA. Nas fotos, os poucos momentos de folga: primeiro, diante de um pedaço do Muro de Berlim; depois, no Memorial do Holocausto; e por fim em frente ao Portão de Brandenburgo.

A cidade é fantástica e respira História.

20.8.06

Sou prolixo
e a envolvo numa selva
de palavras --
elas se emaranham
como galhos
e escondem a luz
simples
do meu querer
meu querer é você
é o seu beijo adocicado
e lisérgico
é sua voz rouca
que embala
meus sentidos confusos
é seu olhar sereno
flechando a angústia do poeta.

19.8.06

Graças a Deus pela TV a cabo. Confesso que não estou com a menor paciência para lero-lero de políticos.
Esta semana foi o aniversário de minha querida Gloria Dettmar. A comemoração foi ontem na Casa da Mãe Joana, na Lapa (um lugar ótimo, que eu ainda não conhecia). Ao chegar lá, tive o grande prazer de rever Carmen Zamora, jornalista de mão cheia e uma das figuras mais legais que conheci na vida. Botamos os papos em dia e relembramos nossos tempos de Revisa Geográfica Universal, onde trabalhamos juntos. Bons tempos.

8.8.06

Há alguns dias tomei um chope delicioso com minhas três amigas Fátima, Babs e Elisinha. Fazia tempo que não conversávamos (a culpa é minha, ando de trabalho até a cabeça e, desde a morte de meu pai, tenho saído relativamente pouco). Começamos no "baixo Globo" e depois seguimos para a Lapa, onde ficamos até as duas e tanto da madruga.

3.8.06


Isto é que é um "amasso tecnológico". Maloca Mendes, figura lendária do jornalismo online carioca, recebe o abraço apertado da toda-toda Elis Monteiro (com todo o respeito), na noite boêmia do Odisséia, na Lapa, na última sexta-feira. Foi o niver da Simone Gondim, ao qual infelizmente não pude ir -- estava então começando a gripe que me abateu no último fim de semana, junto com a frente fria.

26.7.06

Da correspondência de Ruprecht von Wallenstein:

"Meu prezado,

Fazia muito tempo que eu não me apaixonava assim, meio que platonicamente. Não de todo; não posso mentir. Mas é aquela qualidade de sentimento que não se quer abrir na mesa; este amor é como um ser delicado, para quem a luz do sol pode significar o fim. É um sentimento quase contemplativo, em que se é capaz de olhar a sua eleita por horas a fio, como se ela fosse um quadro pintado por um grande mestre -- um quadro móvel. E suspirar por aquela juventude, aquele frescor, aquela vida espalhada em sua volta displicentemente, sem a consciência de que os anos espreitam e o viço não durará. E vem junto com tanta afeição um desespero silencioso, um pedido secreto ao Espírito para que ela não envelheça, que seja sempre essa perfeição, que não perca sua presença, nem sua doçura. Estar vivo é estar prestes a se machucar. E eu não quero ver um traço de dor em seus braços, em seus olhos, não quero sentir o travo amargo sob as tiradas aparentemente espirituosas que só vicejam após a mágoa... É. Eu acho que vou ter de pintá-la, mesmo. Só a arte vence o pulsar impiedoso do relógio e o sadismo dos calendários... "

21.7.06

De volta de Sampa, onde fui cobrir uma exposição de arte tecnológica. Extremamente interessante. Mais detalhes, no Info etc de segunda-feira.

Muito fraquinho este filme novo do Super-Homem. Até minha filha caçula achou que tinha drama demais e ação de menos. Deu sono. Os heróis da Marvel deram mais sorte que os da DC no cinema: a trilogia dos X-Men é soberba, e os filmes do Homem-Aranha me tornaram fã do herói, cujas histórias em quadrinhos nunca havia lido. Da DC, salvou-se o Batman do "Batman Begins", espetacular.

Quer se divertir mesmo no cinema? Vá ver "Os sem-floresta", desenho mais que animado. Eu ri sem parar.

12.7.06

Pus o ponto final, após um longo semestre, em meu próximo livro de tecnologia, que vai tratar de segurança da informação.

Acho que agora vou ter algum tempo para correr atrás da ficção.

6.7.06

Acabo de dar uma palestra sobre tecnologia e comportamento. Como eu sempre digo, em público prefiro tocar guitarra a falar, mas estou me acostumando a dar conferências, faz parte da profissão jornalística. Quando é alguma intervenção rápida, consigo falar de improviso com relativa tranqüilidade. Mas neste caso me pediram 45 minutos. Então preparei um texto, slides e ensaiei antes, para não falar correndo (falo sempre com muita velocidade no dia-a-dia). Deu tudo certo no fim. Ufa!

30.6.06

"Não devemos dizer que todo erro é algo tolo."

(Cícero)

28.6.06

É, vamos encarar a França sábado. Sei não... estava torcendo pela Espanha. Vamos ver como fica. Se por um lado é uma chance de vingar o vexame de 98, por outro dá medo.

* * *

Mudando de assunto: aquele comercial no canal Sony em que uma banda de rock é levada à força pra Alemanha, numa promoção pra lá de mala, é hilário. O slogan "Sony, o canal sem o Mundial", com uma bola redonda virando o símbolo quadrado da rede, é justamente o que a gente precisava para relaxar um pouco dessa overdose de bola.

E o pior é que depois virá a overdose de eleição.

24.6.06

Recebo a notícia de que um grande amigo meu separou-se de sua cara metade após uma longa relação e de grandes planos. Puxa vida, o que é certeza um dia vira nuvem no outro. Espero que ele se recupere bem, e que o tempo possa curar o efeito desse grande impacto.

23.6.06

De volta do iSummit, em Copa. É o evento maior dos Creative Commons. Estava todo mundo lá: Larry Lessig, Joi Ito, Ronaldo Lemos da FGV e até o John Perry Barlow, autor da Declaração dos Direitos do Ciberespaço. É um evento onde se debatem idéias, em vez de produtos. O tipo de evento de que gosto.

Na segunda, na minha coluna no Info Etc, conto mais.

20.6.06

Minha turma na Escola de Comunicação (Eco) da UFRJ era seis meses mais velha que a turma do Bussunda, onde também estudaram algumas figuras célebres do jornalismo carioca, como o Serginho França e o Arnaldo Bloch. Demos o trote na turma deles naquele agosto de 1981, e vivemos junto com eles alguns anos inesquecíveis. Naquela época o vestibular era unificado, uma massificação total, e entrar na faculdade era se libertar de um ensino sufocante, socado em nossas cabeças.

A Eco em 1981 foi o encontro de muitas cabeças ligadas não só em jornalismo como em literatura, música, teatro, cinema, filosofia... Foi uma das melhores épocas de minha vida. E o Bussunda já era aquele gozador que anos mais tarde veríamos na televisão, o jeitão tranqüilo, um resumo do carioca way of life.

Nos encontramos há poucos meses, num churrasco que reuniu três turmas da Eco na Barra. Ele não mudara uma vírgula.

Liguei a TV no domingo na hora em que davam a notícia de sua morte. Puxa vida. Fiquei paralisado.

Meu caro, aquele abraço. O Rio realmente não erá o mesmo sem você. Se existir reencarnação, que venha gerar mais risos aqui embaixo, por pelo menos uns cem anos.

15.6.06


Vegetação à beira-mar? Ilha perdida no oceano? Nada disso: um igapó (floresta amazônica inundada) em pleno Rio Negro. As margens distam mais de 12 quilômetros uma da outra. Cabe quase uma ponte Rio-Niterói ali. E é só o Rio Negro, um dos muitos afluentes do Amazonas. Em certos trechos do Amazonas, nem se vêem as margens... Foto de Henrique Martin.
Vamos combinar: esta Copa está conseguindo ser mais sonolenta que a de 2002. E olha que então os jogos eram de madrugada...

11.6.06

Estou lendo "Heart of darkness", de Joseph Conrad. O texto (no inglês original) flui como o rio em que o barco do narrador desliza, no meio da selva ameaçadora, rumo ao estranho personagem Kurtz (por enquanto é só uma imagem na mente do narrador, que está curiosíssimo para encontrá-lo). Kurtz, como se sabe, serviu de inspiração ao papel vivido por Marlon Brando em "Apocalypse now".

10.6.06

Olhaí, moçada, a nova cara do Cadafalso. Já estava na hora de renovar a paginação. Escolhi um layout mais organizado. Espero que vocês gostem.

7.6.06















O rio
(Ao ver o encontro das águas do Rio Negro e Solimões, na Amazônia)

E então imaginei Orellana
atônito
sob o vento desse mar doce
negro
há centenas e centenas de anos;
compreendi sua angústia
ao voltar à calmaria ibérica
sonhei seus sonhos de retorno
ao coração selvagem do novo mundo
e percebi meu reverso
submerso
nos igapós cheios de sussurros fantasmagóricos.

Quem ali navega uma vez
é presa do estranho desejo
de vida e morte luxuriante e febril
em comunhão com plantas e feras;
não mais sucumbir numa cama olorosa
não às enfermarias assépticas
sim à aventura, sim à exploração profunda
sim ao mundo pagão
onde se joga pelas regras.

A civilização é a verdadeira barbárie.

26.5.06

De volta de Sampa, onde fiquei mergulhado na LinuxWorld. É a área que mais gosto de cobrir, a do software open source. Conversei com alguns próceres do setor, e tive o prazer de reencontrar a Sulamita Garcia, das LinuxChix, uma mulher admirável. E modesta.

Na coluna de segunda no Info etc, estarão minhas impressões do evento.

Tinha quinhentas coisas techie acontecendo na cidade, mas só sendo o dr. Octopus para ir a tudo: é sempre melhor escolher um tema e se centrar nele.

17.5.06

De molho com uma virose daquelas. De cama desde sexta-feira, só consegui voltar ao trabalho hoje, e ainda não estou 100%.

E este frio não ajuda nada.

5.5.06

Reproduzo aqui a minha coluna de estréia no Info Etc:

"Uma carta de intenções

Escrever matéria é fácil. Tem sempre assunto. Escrever coluna é diferente. Se bem que, na área de tecnologia da informação... informação é que não falta mesmo. Portanto, é com muita honra que estréio neste espaço mensal no novo Info Etc, pronto para fazer matérias de um jeito mais pessoal.
Para quem não me conhece, sou carioca, jornalista há 22 anos e uma verdadeira cria de redação. Já fiz de “um tudo” nessa trilha: repórter, redator, chefe de reportagem, chefe de redação, editor executivo. Mas, como disse uma vez o Márcio Moreira Alves, o que mais gosto de ser é repórter. Porque é o repórter que vive a História, ainda que sua visão seja necessariamente a de um momento e, portanto, fragmentária.
Cubro tecnologia desde 1997 e vi um bocado de bytes correndo embaixo da ponte — da bolha da internet ao advento do mundo sem fio, por exemplo. Milito aqui no caderninho desde dezembro de 1999 e já publiquei dois livros sobre TI: “Como fazer CDs de alta qualidade” e “Linux: comece aqui”, junto com mestres Aroaldo Veneu e Fernando de Oliveira, ambos editados pela Campus. Também tenho dois blogs, “Comentários e versos do cadafalso” e “Cadafalso II”, mas neles o leitor não encontrará coisas techie, apenas literárias.
Esta coluna pretende abordar vários assuntos, mas entre os seus destaques estarão o software livre e a cultura livre. Esses temas a um só tempo resgatam valores de uma era em que o software não tinha mais-valia, sendo compartilhado abertamente, e apontam para um futuro em que a relação dos produtores de conteúdo e seus consumidores seja mais maleável.
Acredito que esta era começou em 1983, quando Richard Stallman, programador americano do Massachusetts Institute of Technology (MIT), lançou as bases da plataforma GNU, um sistema que pretendia ser livre, aberto, compartilhável com todos. Embora fosse cria de escovadores de bits, o que chamava a atenção no GNU, tanto quanto o conceito tecnológico, era sua plataforma política.
A base desta é o chamado “copyleft” (que, grosso modo, poderia ser traduzido como “esquerdo autoral”). Mas o que é isto? O copyleft é a pedra fundamental da licença de uso de boa parte do software livre — existem outras, mas a mais conhecida é esta, chamada GPL (licença pública geral, em inglês) — e reza que qualquer pobre mortal pode baixar um programa, mexer nele, melhorá-lo até, se puder, e passá-lo adiante livre e gratuitamente sem que ninguém, mas ninguém mesmo, encha o seu saco com questões de direito autoral. E avisa: num programa com copyleft, o próximo usuário terá sempre as mesmas liberdades do anterior.
Servindo de base para a licença GPL, o copyleft foi o grande responsável pela disseminação do sistema GNU/Linux, ou simplesmente Linux. Linux não é uma empresa, é um sistema com o qual muitas empresas fazem seus produtos: podem ser várias versões do próprio sistema (existem muitas: Mandriva, Fedora, Suse, Debian, Slackware...), software embutido para PDAs, e assim por diante. Quem criou este sistema, baseado na plataforma GNU de Stallman, foi o então estudante de computação finlandês Linus Torvalds, em 1991. De quem o sistema herdou o nome.
O símbolo do Linux é um simpático pingüim batizado como Tux. O sistema, em suas muitas versões, é desenvolvido comunitariamente, por programadores dos quatro cantos do planeta, e a comunidade é justamente o que forma o coração do pingüim. O Linux já foi mais difícil de usar, mas hoje existem versões mais simplificadas como Knoppix, Kurumin e outras. Ao contrário de outros sistemas, ele pode ter mais de uma “cara”: sua área de trabalho e programas podem funcionar com diferentes ambientes gráficos. Os dois mais famosos são o KDE e o Gnome.
E há muitos programas livres e abertos que nada deixam a desejar em relação ao software proprietário (cuja licença de uso é paga). Nas próximas colunas falaremos deles.

* * *

Esta primeira coluna é dedicada in memoriam a meu pai, Amaury Machado. Ele, que foi minha referência de retidão e constância, passou desta para a melhor horas após me confiarem esta missão. Que descanse na mais absoluta paz."


Após a publicação, recebi várias mensagens e sugestões, muitas inclusive me consolando pelo passamento de meu pai. Muito obrigado a todos.

28.4.06

Moçada, vou estrear uma coluna no Info Etc da próxima segunda. Só queria
avisá-los, vai ser uma nova fase para mim. A coluna será mensal.

26.4.06

Ah, e obrigado a todos que deixaram comentários gentis mais embaixo. Vocês moram no meu coração.
A essa altura muita gente já sabe, porque a Cora, muito gentil, pôs uma nota lá no blog dela. Meu pai, Amaury Machado, faleceu no momento em que eu escrevia as últimas linhas da matéria de capa do novo "Info etc", que estreou segunda-feira.

Ele partiu em paz, nos braços de minha irmã (que é médica), em casa. Deu sorte: não precisou de hospital, e nisso houve justiça, já que como pneumologista ele passou a vida inteira em hospitais. Nós, que ficamos, temos que nos acostumar com a dor.

A vida inteira meu pai optou por tratar gente humilde. Embora tenha chegado a ser presidente da Associação Fluminense de Pneumologia, nunca quis abrir consultório e trabalhou a vida toda em hospitais públicos. Para mim e muitos de meus amigos de infância, era uma figura inesquecível, que nas festas contava histórias e, como o bom carioca de Jacarepaguá que era, se revelava um invencível gozador, apreciador de um bom chope gelado.

Devo a ele ter-me formado em jornalismo -- por pouco não larguei a faculdade para me dedicar à música, meu sonho rock and roll de meus vinte anos. Seus conselhos prudentes me levaram a concluir os estudos e abraçar a vida da redação.

De minha mais recente viagem ao exterior, trouxe-lhe um boné transado da próxima Copa do Mundo (ele era Fluminense doente e amava o futebol) mas com meus freqüentes compromissos o presente acabou ficando lá em casa, não consegui entregá-lo. Hoje olho para aquele boné azul e me dá a maior tristeza.

Ele e minha mãe viveram 48 anos juntos. Eram desses casais que faziam tudo juntos. Moravam há 34 anos no mesmo endereço, onde vivi dos 9 aos 24 anos. Os vizinhos estão desolados.

Em 1994 ele teve um sério derrame e todos ficamos esperando o pior. Mas se recuperou e viveu mais 12 anos. Já achávamos que seria capaz de superar tudo. Mas era apenas humano, demasiado humano. Como todos nós.

Pai, eu espero que vocë esteja no maior churrasco no céu, com muito chope e os craques históricos do Flu à sua volta, bem como os companheiros médicos que o antecederam na viagem. Fique na boa e aproveite. Eternamente, se der.

17.4.06

Eu e minhas filhas fizemos sessão dupla na sexta: vimos "A era do gelo 2" e "Selvagem". Este é um dos meus programas favoritos: ir ao cinema ver desenhos com elas. Rimos às pampas. "A era do gelo 2" é o melhor dos dois, sem sombra de dúvida. Aquele esquilo atrás da avelã é o melhor personagem de desenho animado criado nos últimos anos. É muito divertido. O final, então, é apoteótico. Imperdível.

"Selvagem" tem a seu favor o coala, os crocodilos do esgoto (hilários, pena que só aparecem numa cena) e os gnus fanatizados fazendo coreografias. O coala é uma figuraça, parece que está sempre de porre.

13.4.06

E quem diria, a macaca Chita sobreviveu a Tarzan e Jane e chegou as 74, ainda que diabética. E mais, precisava tomar umas cervejas e fumar uns cigarros para agüentar aquele berro mala do Johny Weissmüller.

Aposto que o Edgar Rice Burroughs não previa este enredo, hein? Krigh-ah-Bandolo.
Só hoje melhorei da virose que me abateu na terça-feira e me deixou tão indisposto que dormi o dia inteiro, sem forças para nada. A doença já foi maldosamente apelidada de "Jack Johnson", pois dá um sono danado ;-)

7.4.06

Oh! Eu quero viver, beber perfumes
Na flor silvestre, que embalsama os ares;
Ver minh'alma adejar pelo infinito,
Qual branca vela n'amplidão dos mares.
No seio da mulher há tanto aroma...
Nos seus beijos de fogo há tanta vida...
Árabe errante, vou dormir à tarde
À sombra fresca da palmeira erguida.


(Castro Alves, "Mocidade e morte")

6.4.06

Do Sindicato dos Jornalistas do Rio:

"Atenção jornalista do Rio de Janeiro! Se você acha que, pela seriedade do seu trabalho, merece um reajuste de 5,7% este ano (IPCA); pelo crescimento de 14% do faturamento com publicidade em 2005, você merece aumento real de 2%; pela importância da imprensa carioca, um piso inferior a R$ 1,5 mil é vergonhoso; os jornalistas precisam de reciclagem profissional; os jornalistas são expostos a um excessivo risco de vida na cobertura da guerra carioca; as empresas devem cumprir as leis e pagar impostos, como os trabalhadores; e o jornalismo se deteriora quando a imprensa desrespeita a ética e o profissionalismo, junte-se ao movimento em defesa do jornalismo de qualidade. Nesta sexta-feira, 7/4, Dia do Jornalista, use ROUPA BRANCA para dizer que o jornalismo do futuro pode ser melhor."

Eu usarei pelo menos uma camisa branca, mas acho que o reajuste tinha que ser de uns 10% para começar a ficar decente.

4.4.06

A coluna de Martha Medeiros no último domingo é um tiro certeiro. As vezes em que mais sofri em minha vida foi quando decidi abrir meus sentimentos, sem firulas, para quem eu gostava. E descobri, como ela bem aponta, que as pessoas não gostam de ouvir o que sentimos. Abrir o coração é considerado coisa de fracos. Muitas vezes fui gozado por amigos por causa disso; muitas vezes mulheres que amei me legaram seu silêncio (e não há nada mais terrível do que o silêncio da pessoa amada, especialmente quando ele é acompanhado de táticas para evitar você).

Há pessoas muito esclarecidas que dizem não gostar de "jogar" no amor, mas que diante de um sentimento aberto jogam como se nunca tivessem feito outra coisa na vida. Não há nada mais entristecedor.

O problema é que quando dizemos "eu te amo" queremos ser amados em resposta automaticamente, ficamos aflitos e perdemos o controle; é como se as palavaras fossem uma conjuração, um feitiço, uma fórmula mágica. É preciso ser capaz de amar sem cobrar, e deixar que o outro busque sua felicidade (ou seu prazer, diria Wilde) da melhor maneira. Quando você abre seu coração e não recebe resposta, se sente automaticamente desprezado -- mas também pode ser que o outro não tenha segurado a onda do sentimento e prefira, simplesmente, a fuga. Em todo caso, se dissemos tudo, é porque achávamos que a pessoa amada seguraria essa onda -- e corresponderia. Quando o retorno não vem, só resta agüentar a mais terrível sensação de solidão que há.

Apesar de todos os murros em ponta de faca, eu não me tornei um ser ressentido. Pelo menos acho que não. Não sei viver sem deixar minha alma se expressar livremente.

E sempre tenho a poesia, que é minha verdadeira amiga e amante. Ela não fica em silêncio, ela conversa comigo -- e é um bálsamo mesmo quando suas palavras se mostram cruéis.

29.3.06




Moçada:

Ganhei o prêmio SecMaster de Melhor Contribuição Jornalística na área de segurança da informação, na categoria Júri Popular. A premiação foi ontem à noite em São Paulo. É a primeira vez que o evento Security Week inclui a imprensa em sua premiação, e é claro que fiquei muito feliz de estar entre os vencedores.

A todos os que me deram a honra de seu voto, meu muito obrigado.

26.3.06

Eu ainda não tinha visto "Antes do pôr-do-sol", a continuação de "Antes do amanhecer", com Ethan Hawke e Julie Delpy. O primeiro filme foi muito legal, e para mim tinha o atrativo extra de se passar em Viena, cidade onde estive. Mas este segundo me falou mais à alma, pois os personagens não são mais exatamente jovens e seus questionamentos calaram fundo em mim. E Paris é sempre Paris, não poderia haver melhor cenário (na minha lista de coisas a fazer ainda está visitar Paris e Londres).

Os diálogos são maravilhosos. Mesmo quando eles estão falando de coisas mais impessoais. Por exemplo, é ótima a passagem em que a personagem de Delpy comenta que passou uns dias numa cidade da Europa oriental, sem televisão, sem os apelos consumistas massacrantes a que estamos acostumados todos os dias... Ela diz que, livre do canto de sereia capitalista, caminhou mais, refletiu mais, escreveu mais em seu diário. Admite que nos primeiros dias ficou entediada, mas depois seu cérebro relaxou e foi quase como uma droga poder respirar um ambiente mais natural, menos forçado.

Aconteceu isto comigo em Bruges, na Bélgica. No Velho Continente, é como se você sentisse a companhia refrescante de uma sabedoria milenar caminhando ao seu lado nas vielas silenciosas.

O filme tem cortes, mas parece não tê-los, tão fluida é a conversa. Julie Delpy ainda é linda, embora não tanto quanto na época em que fez a versão da Disney dos "Três Mosqueteiros". E como é bom ver personagens trocando idéias, ironizando mesmo as neuroses mais cabeludas, num roteiro em que não precisa "acontecer" nada -- é como se o diretor os flagrasse passeando e conversando, gostasse e decidisse acompanhá-los assim como quem não quer nada.

25.3.06















Nossa, essa foto tirada por Cora Rónai resumiu todo o meu fim de semana ;-)
Então, só para entrar no clima, vamos ao mantra do AC/DC:

And you ask me why I like to dance, one more dance
And you ask me why I like to sing
And you ask me why I like to play
Got to get my kicks some way
You wanna know me what I'm all about
Let me hear you shout high
I said high
High voltage rock 'n' roll
High voltage rock 'n' roll
High voltage, high voltage, yeah you
High voltage rock 'n' roll
De plantão na redação. Este fim de semana, ao contrário do anterior, só me reserva a contemplação. Seria ótimo se estivesse fazendo frio. Chega de calor, chega de verão.

* * *

Estou lendo (no original) "O Grande Gatsby", de F. Scott Fitzgerald. O narrador da história, Nick Carraway, é discreto, mas afiadíssimo na análise que faz de seus personagens. E por vezes deixa entrever uma profunda melancolia. Tudo a ver.

* * *

Que saudade de tocar um rock and roll para espantar o baixo astral. Com uma guitarra na mão e umas cervejas ou uísques nos intervalos, tudo fica cor de rosa e você acha que pode ser feliz. Não pode, mas acha. E 1, 2, 3, 4... yeah!
Afrodite, escutai

Ó deusa dos poetas, recebei-me.
Este pobre servo pecou novamente
por deixar florescer o coração.
Aquela que o encantou, vós sabeis,
fechou-se em copas
e eu já ouço o som da fenda na aurícula
-- a primeira fenda de muitas --
e já sinto o primeiro rio quente
descer por minha face desolada.

Logo meu peito será uma terra devastada
logo os cacos do órgão serão varridos pelo vento
e desta vez eu não quero mais juntá-los
desta vez eu vou morrer de tristeza
como morreram muitos reis de Escócia.

Ó deusa dos poetas, desta vez
eu entrevi mesmo a liberdade.
Escarneci do jogo habitual
e me prostrei reverente.
Eu disse tudo -- eu esvaziei a alma
e a ofereci numa miniatura do Taj Mahal.
Ora, mas eu sou apenas um homem
e não são os homens feitos para sofrer?
Vós deveis estar bebendo com Ares
e rindo de mim nos jardins suspensos do Olimpo.

Mas não tem importância;
logo meu peito será uma terra devastada
logo os cacos do órgão serão varridos pelo vento
e desta vez eu não quero mais juntá-los
desta vez eu vou morrer de tristeza
como morreram muitos reis de Escócia.

24.3.06















A beleza morena em pessoa, Fátima Iocken, na hora do seu parabéns na última sexta-feira, no Canto da Alice, que bombou com a animação dos convidados. Na foto, o dr. Sergio Maggi, o homem dos websites, e Elis Monteiro saúdam Fati.

Levando um papo com o Maggi, na mesma festa.
Eu gostaria de ser como certas pessoas em quem a alegria é inata; mas quem escreve versos já começa meio mal nesse terreno. Não que eu seja mal-humorado, embora tenha meus momentos... e que momentos. Mas acho que a extrema sensibilidade é a causa de minhas cismas. Ela turva nossa capacidade de se alienar, de pensar só no lado bom das coisas. Claro, nada mais insuportável que a eterna bonomia, o polianismo ad nauseam; mas conquistar a alegria de viver, a genuína disposição para o sol, é uma arte. E das mais delicadas.

23.3.06

É muita cara de pau! Mas muita mesmo!

Do Boletim do Sindicado dos Jornalistas do Rio:

"Patrões de jornais e revistas oferecem 4,5% de reajuste -- Acredite, jornalista. Eles oferecem um reajuste inferior à inflação do período. Isso em um ano em que o faturamento com publicidade cresceu mais de 14%, num desempenho surpreendente para a economia brasileira. Na última reunião de negociação, no nosso Sindicato, tivemos alguns avanços em poucas cláusulas sociais — como o aumento do auxílio funeral de R$ 500 para R$ 1 mil (comemore! nossa reivindicação era de R$ 2 mil) — e muitas propostas indecentes. Uma delas foi de criar, no segundo maior estado da Federação e um dos centros de mídia do país, ex-capital da República, um piso salarial de R$ 560 reais. Sim, é isso mesmo. Você não está com problemas de leitura. Problemas você vai ter se não se mobilizar e lutar pelo seu salário. Para saber do andamento das negociações e defender sua qualidade de vida, fique atento à convocação da próxima assembléia. Estamos aguardando uma nova proposta, menos indecente, dos patrões, para então marcar o encontro da categoria. Quem fica parado é poste!"

22.3.06

Do diário de Robert Wilde, II:

Como podia ele viver num esquema social que reprimia violentamente sua natureza apaixonada? Por que não podia querer se entregar ao sentir a doçura infinita da voz tímida e baixa de sua amiga ao lado, e querer se entregar de novo ao ouvir as inteligentes reflexões da fascinante mulher sentada a sua frente? Por que a paixão não podia flutuar como a seta de Eros, em todas as direções, ao sabor do vento e das forças místicas do acaso?

Em dias como aquele, sonhava não ter coração e resfriar sua natureza impetuosa em números e equações. Mas aquela mulher fascinante diante dele continuava a falar e, para ele, ela era o ser mais bonito em todo o planeta naqueles minutos. E sua inteligência desnudava em palavras bem ponderadas o que ia em seu ser atormentado. Enquanto isso, uma simples pergunta e o toque fugaz em seu antebraço faziam-no pender para a morena a seu lado -- e sua doçura, mais pressentida que provada, era ainda assim mais pungente que a calda escura e tépida na salva de prata próxima.

E havia ainda a escultura platinada à esquerda, que nada dizia mas era perfeita, carne esculpida por Fídias que faria Páris abandonar a escolha de Afrodite no concurso fatídico.

17.3.06

Do diário de Robert Wilde:

Não existe amor verdadeiro sem aflição. O amor é como uma convulsão, especialmente se não for expresso.

15.3.06

Eu e Elisinha fomos ontem ao lançamento do livro de Cora Rónai "Caiu na rede", sobre aqueles textos falsos atribuídos a escritores famosos que certamente você já recebeu em sua caixa postal. O lançamento foi no 00, na Gávea, e apesar do calor, foi leve e divertido.

Esta semana, aliás, tem muitas festas. Sexta, o niver da Fátima Iocken, e sábado, dois outros aniversários, um em Nikiti City, outro no Rio. É sempre assim, há uns fins de semana repletos de coisas, e você ainda quer fazer outras... E existem aqueles em que nada aparece. Nem na televisão.

Talvez as festas me animem um pouco esta semana. Ontem já ajudou um pouquinho. É que estou completamente inquieto e taciturno estes dias. É quando bate aquela solidão lá no fundo, a solidão que anuncia mudanças... Escrever poesia pode ser basicamente resumido a isto: a tentativa (em vão) de exorcizar essa solidão.

Passei o último sábado ouvindo Janis Joplin e The Doors, talvez porque sejam artistas que comuniquem bem o desespero desse tipo de solidão. Em Janis, "Ball and Chain" é a música número 1 em termos de arrebentar com a alma do ouvinte. Você escuta a voz de Janis e quer entrar no aparelho de som, ir lá pro show e pegar a cantora no colo, dizendo "babe, não fique assim".

Já Jim Morrison é o poeta que mostra a falta de sentido da vida quando canta "The End" e "Riders on the storm". E os teclados de Ray Manzarek nos carregam docemente para o limbo.

14.3.06

É preciso estar, sempre, bêbado. Tudo está lá, eis a única questão. Para não sentir o fardo do tempo que parte vossos ombros e verga-vos para a terra, é preciso embebedar-vos sem tréguas.

Mas de quê? De vinho, de poesia ou de virtude, a escolha é vossa. Mas embebedai-vos.

E, se às vezes, sobre os degraus de um palácio, sobre a grama verde de uma vala, na solidão morna de vosso quarto, vós acordardes, a embriaguez já diminuída ou desaparecida, perguntai ao vento, à onda, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo o que passa, a tudo o que geme, a tudo o que rola, a tudo o que canta, a tudo o que fala, perguntai que horas são; e o vento, a onda, a estrela, o pássaro, o relógio, vos responderão: "É hora de embebedar-vos! Para não serdes escravos martirizados do Tempo, embebedai-vos, embebedai-vos sem parar! De vinho, de poesia ou de virtude: a escolha é vossa."

Charles Baudelaire

13.3.06

Love's got a hold on me, baby,
Feels like a ball and chain.
Oh, love's holdin' on to me,
Feels to me, oh like a ball and a chain
Honey somethin' will grab around the knees,
Grab me in my heart,
Feels to me like a ball and a chain!

(Janis Joplin)

10.3.06

Moçada, sou finalista ao prêmio SecMaster de melhor contribuição jornalística na área de segurança da informação, que venho cobrindo há um bom tempo. Há uma comissão julgadora, mas também uma votação popular. Por isso, se quiserem me dar uma forcinha, o site para votação é

http://www.securityweek.com.br/secmaster/Quero_Votar.aspx

É preciso se cadastrar para votar. Uma vez cadastrado, deve-se entrar com login e senha e ir até a categoria Finalistas para Contribuição Jornalística. Eu estou lá esperando seu voto.
A quem puder dar uma força, agradeço.

(Obs: é preciso votar nas outras categorias também).

7.3.06




Nas duas fotos do alto, visões do campo após uma nevasca na estrada para Bruxelas. Na foto acima, a Basílica do Sangue Sagrado, em Bruges, para onde um cavaleiro cruzado, reza a tradição, levou no século XII uma relíquia com o sangue de Cristo. Ela é levada em procissão num relicário belíssimo, de ouro e pedras preciosas, concluído entre 1614 e 1617 por um artista local.


De volta de uma viagem a trabalho na Bélgica. O frio europeu estava intenso. Por volta do meio-dia, fazia entre 3 e 4 graus. À noite, eles caíam para 1, zero ou -1 grau. Brrr. Na primeira foto, estou no pátio interno do campanário de Bruges (que começou a ser construído na primeira metade do século XII). Na segunda foto, numa praça nevada perto de Leuven.

24.2.06


Recomendo "Match Point - Ponto final", do Woody Allen. O filme é soberbo. Até eu, que não ligo muito para óperas, curti a trilha cheia de árias que o diretor bolou.

E Scarlett Johansson... ah, Scarlett Johansson é o pecado original. E a gente só quer saber de mergulhar nele. Veja a foto.

Também vi "Orgulho e preconceito". Muito bom como um painel da sociedade britânica no século XIX. Achei a história parecida com a de "Razão e sensibilidade".
Fui ao show dos Rolling Stones e me acabei. Os velhinhos ainda dão conta do recado. It's only rock and roll, but we like it!

31.1.06

Those who dream by day are cognizant of many things which escape those who dream only by night.

Edgar Allan Poe

22.1.06

Beijo-xamã,
o teu -- opera maravilhas curativas
no fantasma ferido
que suspira sob minha carne.

Beijo-luneta
que conjura constelações
frementes
quando fecho minhas pálpebras
e me entrego.

Beijo-seqüestro
pois me arranca do velho eu
e desenha um novo cativeiro
suavemente.

Beijo-abandono
com saliva de adeus, bem sei;
pois tenho beijado
minhas próprias lágrimas
ao antever, homem infeliz que sou,
tua mão graciosa afagando
o bilhete do check-in.

Serás minha ao menos uma vez
antes de montar no pássaro de aço?
Ah, se os arcanjos queimam nas nuvens
por algo mais que devoção ao Uno
eles ouvirão minha prece sussurrada por ti
entre taças de absinto
às três da manhã.

19.1.06

De volta de uma merecida folga após trabalhar nos dois dias do réveillon. A folga caiu na semana em que o sol ficou e permitiu o trinômio praia + piscina + cerveja, na casa de um velho amigo em Itaipuaçu. Passei alguns dias aproveitando para jogar wargames e filosofar um pouco sobre tudo, de arte a política.

Bendito seja o ócio.