28.12.06

Um feliz 2007 a todos!

26.12.06

Eu ainda não contei aqui, mas escrevi uma música para minhas amigas Bárbara, Fátima e Elis neste fim de ano. Há muito tempo não compunha, mas numa tarde de sábado peguei o violão e em menos de uma hora a música saiu. É um rock and roll direto e agitado, exatamente como as três são. Tenho um amigo baixista -- Carlos "Juninho" Castanheira -- dono de um estúdio de gravação perto de casa e, uma noite, marquei um horário para botar a música do jeito que eu queria. Toquei violão, fiz a guitarra-base e a guitarra-solo e meu amigo mixou tudo e pôs o baixo na trilha -- um baixão poderoso, mais roquenrou impossível. A bateria, programamos no computador, com as viradas e tudo o mais. Ficou porreta. No fim, gravei a voz, que saiu praticamente de primeira. A cantora Suelen Targine, que é noiva do Juninho, sugeriu que eu gravasse uns backing vocals e me passou o arranjo. Mas, como na voz dela essa parte estava muito mais legal, pedi que gravasse os vocais no refrão. O resultado ficou muito legal e, semana passada, fiz uma surpresa para minhas amigas na casa da Elis, mostrando a gravação. Foi um momento muito emocionante.

Agora estou com as mãos comichando para gravar mais coisas... Acho que vou pegar minhas velhas músicas e gravar um CD com a ajuda de Juninho e Suelen. Tinha me esquecido de como é bom criar música, e ficar arranjando. Ainda mais quando se pode dirigir todo o processo com a ajuda de um produtor com a sensibilidade do mencionado baixista, profissional descoladíssimo na área. Eu fiz as pazes com um pedaço de minha vida há muito abandonado.

21.12.06

Este Guardião deseja um feliz Natal a todos. Que lembremos o significado real desta celebração, que é o amor em todas as suas formas, e não o consumo em todas as suas formas...

20.12.06

A diarista lá de casa é meio maluquinha, mas tem um coração gigantesco. Ela tem um dom especial: o de tornar as plantas mais bonitas e felizes. É sério. Toda vez que eu volto para casa num dia de faxina, nossas plantinhas estão mais viçosas e parecem sorrir. Minha mulher um dia perguntou qual era o segredo.

-- Ah, dona Wal, é que eu converso com as plantas. Elas adoram conversar, sabia? Se você dá atenção, elas ficam mais bonitas. E, quando estou ocupada e não posso conversar, boto-as na frente da televisão. As plantas ficam com a impressão de que tem alguém falando com elas.

16.12.06

Do sempre pertinente Mário Quintana (1906-1994):

Canção do dia de sempre

Tão bom viver dia a dia…
A vida, assim, jamais cansa…
Viver tão só de momentos
Como estas nuvens no céu…

E só ganhar, toda a vida,
Inexperiência… esperança…
E a rosa louca dos ventos
Presa à copa do chapéu.

Nunca dês um nome a um rio:
Sempre é outro rio a passar.
Nada jamais continua,
Tudo vai recomeçar!

E sem nenhuma lembrança
Das outras vezes perdidas,
Atiro a rosa do sonho
Nas tuas mãos distraídas…
De plantão na redação neste sábado de sol.

Hora de dar uma blogada.

Vocês já viram aquele anúncio do Johnnie Walker em que uma árvore sai "andando"? Rebeca, minha caçula, outro dia me perguntou:

-- Pai, eu não entendo. Por que a árvore sai andando?

-- É um anúncio de uísque, minha filha. O roteirista estava bêbado e criou isso aí.

13.12.06

Li as duas graphic novels sobre a Morte que o Neil Gaiman (criador do inesquecível Sandman, o senhor dos sonhos) reuniu para uma edição especial. Para quem não conhece, os personagens dos quadrinhos de Gaiman são os Perpétuos, que mais ou menos governam os destinos dos homens -- Sonho, Morte, Destino, Desejo, Delírio, Desespero e Destruição. São todos irmãos e retratados como pessoas. A Morte lembra, na concepção de Gaiman, a cantora Siouxsie, da banda Siouxsie and the Banshees. E a personagem é tudo, menos sombria. A cada século ela precisa assumir a forma humana por um dia para saber como é ser mortal. Este é o tema da primeira história do volume. Na segunda, alguém precisa fazer um trato com nossa heroína.

O texto de Gaiman é emocionante e ele é um dos narradores mais originais da história das graphic novels.

8.12.06

Fui ontem ver o BB King no Vivo Rio. O homem, aos 81 anos, continua demais. O show foi uma delícia e algumas músicas (como "Since I met you baby") me emocionaram sobremaneira. É claro que algumas doses de uísque contribuíram também ;-)

Acompanhou-me no show minha querida amiga Andréa Petti, a quem não via há anos. Botamos os papos em dia e ficamos no bar da casa um bom tempo filosofando antes de irmos embora. Foi um grande privilégio reencontrá-la.

Fui dormir uns cinco quilos mais leve, carregado pelos blues.

5.12.06

Completei ontem 44 primaveras. Se tudo correr bem, é mais ou menos a metade do caminho ;-)

A comemoração foi simples, no centenário Café Lamas, com minhas adoradas Bárbara, Elis e Fátima, mais os fiéis Octavius Brito, Maloca Mendes, Feroli, Sergio Maggi e Simone Gondim.

A doce Andrea Agusto enviou-me um cartão virtual delicioso; eu tinha acordado meio triste (é o primeiro aniversário sem meu pai), mas ela começou a iluminar o dia. Depois, a farra que Elis, Bárbara e Fátima fizeram para mim em pleno restaurante do jornal me arrancou dos pensamentos cinzentos de uma vez por todas.

Quando cheguei em casa, de madrugada, me esperava um presente artesanal feito na escola por minha caçula Rebeca. Eu tinha dito em casa que elas não precisavam me dar nada de aniversário, mas ela nunca deixa de inventar alguma coisa. Foi emocionante.

27.11.06

Ontem eu acompanhei na guitarra meu velho partner Hélcio Luiz num show no clube que freqüento. Fiquei feliz ao perceber que ainda sabia tocar todas as músicas do nosso repertório e até fiz umas firulinhas no meio de algumas. Realmente, tocar um instrumento é como andar de bicicleta: impossível esquecer. Eu ia apenas dar uma canja, mas toquei durante quatro horas amarradão.

Depois que a Elis me disse que estou encaretando, só escrevendo e deixando a música de lado, estava mais que na hora de praticar um pouco.

21.11.06

É só ler de leve nas entrelinhas do noticiário político para perceber que nenhum de nossos supostos representantes parece interessado no bem-estar do país. Pensam com seus egos inflados, suas vaidades, jogam o jogo usual e dançam a mesma dança de sempre para ficar por cima da carne seca.

É o espectáculo do desapontamento.

14.11.06

Só restou o poema
e o meio-fio onde desabar;
melhor deitar sobre a relva
e contar estrelas-miragens.

É como canta o Jim Morrison:
o fim do riso
e das mentiras suaves.

Eu sou um cão vagabundo
encharcado de chuva
na sua varanda silenciosa
sentindo falta
de suas mãos doces.

13.11.06

Não gostar

Você brandiu a varinha
e tornou meu amor em velho pergaminho
levado inconsolável
aos solavancos
por uma tempestade de areia.

Cicuta perde
arsênico perde
letal é a rejeição
banal, a solidão
e eu odeio essa angústia clichê que estou sentindo.

são lúgubres
as cavernas da culpa cristã
cheias de morcegos
dentro dos ventrículos;
eu pranteio a morte dos velhos deuses
trocados pelo medo do prazer
trocados pelo horror à vida
e pela evisceração do desejo.

Para mim foi o bastante
perceber seu pavor;
será doravante meu lema
o não gostar.
Como meu amor-pergaminho amarelento
esquecido nas areias escorchantes
vou endurecer e quebrar
e aguardar a escuridão.

6.11.06

Hoje este blog faz cinco anos no ar.
A todos vocês que o acompanham, meus agradecimentos mais profundos.
Um beijo especial para Cora e Elis, que me incentivaram a criar este espaço.
Minha coluna mais recente no Info Etc:

16-10-2006

"ATENDIMENTO NOTA DEZ

André Machado

Toca o telefone na casa do dr. R. Sua mulher atende ao passar pela sala.
- Bom dia. Estou falando com a residência do dr. R.?
- Sim.
- A senhora é a esposa?
- Sim.
- Aqui é a administradora do cartão de crédito X, senhora. Está constando nos nossos computadores que o dr. R. tem uma dívida com o cartão no valor de R$***. Nós gostaríamos de estar lhe oferecendo um parcelamento que ele poderia estar pagando...
- O dr. R. não está interessado em parcelamentos de qualquer espécie.
- Como...?
- Ele não "vai estar quitando" esta dívida.
- Mas, senhora... a dívida a que estou me referindo é antiga... o nome dele já está constando no SPC e no Serasa...
- Ele não liga a mínima para Serasa ou SPC.
- Senhora, mas se ele não pagar a dívida não estará mais entrando em condições de estar fazendo compras a crédito.
- Ele não "vai estar pensando" tão cedo em "estar fazendo" compras a crédito, moça - responde a esposa, sibilando de raiva.
- Senhora... por gentileza... a senhora poderia estar passando o telefone para o dr. R.?
- Não poderia, não. Ele não está no momento.
- Então como eu poderia estar fazendo para estar contactando-o?
- Olha, minha filha, talvez você queira "estar procurando" um centro espírita. O dr. R. já "está se deitando" num túmulo há mais de dez anos.

&&&

Na loja da operadora de telefonia celular, a dra. S. entra explicando que precisa falar com uma atendente. Pacientemente, pega uma senha e espera na fila. Ao ser chamada - quase uma hora depois - para a mesa da atendente, vai direto ao assunto.
- Quero cancelar este telefone celular de meu pai - começa.
- Sinto muito, senhora, mas não vou poder estar procedendo ao cancelamento do celular - responde a atendente, muito solícita. - É preciso que o titular da compra esteja vindo aqui e providenciando o cancelamento ele mesmo.
- Mas, moça, neste caso isso será impossível. O titular não pode comparecer à loja. Você compreende, ele faleceu há dois dias.
- Senhora, me desculpe, mas não é possível estar cancelando... só mesmo com o titular.
- Você está vendo este papel aqui? - devolve a dra. S., tirando um documento da bolsa. - É o atestado de óbito original de meu pai. Ele está MORTO. Como pode comparecer a esta loja?
- Lamento, só estaremos podendo proceder ao cancelamento do celular com a presença do titular... A senhora não gostaria de estar passando o celular para o seu nome, ou outro membro da família?
- Ah, para isso podemos dispensar a presença do titular, né, minha filha? Muito bonito. Pra comprar, pode tudo, pra cancelar, só na filial do inferno.
- Mas minha senhora... certamente que alguém da família...
- Não quero um novo celular. Nem meu marido. E nossa filha só tem um ano de idade. E meu celular é de outra operadora, graças a Deus... Não, eu só quero cancelar o celular de uma pessoa que já morreu! Que parte de "já morreu" você não consegue entender?
- Lamento, mas...
A dra. S. não a deixa terminar. Pega o celular do pai, bota-o na mão da atendente e, levantando-se:
- Então, por favor, fique com o celular dele. Quem sabe um dia ele não te telefona e aí pede o cancelamento direto do além para você? Faço votos que ele te ligue, viu? Passar bem.

&&&

Os diálogos acima ganharam alguns retoques. Mas ambas as histórias são absolutamente verídicas.

&&&

Eu já tinha falado dele aqui, mas agora é oficial: foi lançado em português o Suse Linux Enterprise 10, cujo foco é voltado para as empresas. Uma das atrações da distribuição é a virtualização nativa no sistema, baseada na ferramenta de código aberto Xen 3.0."

1.11.06

Um dia de sol
na baía de Guanabara
basta

Flanar
com um livro no colo
sobre as águas milenares
basta

Olhar
para a fêmea de ombros
de alabastro
que olha para
a baía de Guanabara
basta

Receber
o afago do vento
e deixá-lo levar
os problemas em casa
basta

Ser um
com a paisagem
basta

para saber que existe um Coreógrafo cósmico.

25.10.06

De volta de minhas férias, em que me desconectei um pouco e botei as leituras em dia. Todos merecemos o "dolce far niente" de vez em quando...

1.10.06

Que tristeza este acidente do vôo 1907 da Gol. Muita gente diz que o avião é o meio mais seguro de transporte -- e eu gosto de acreditar nisso, porque vôo muito a trabalho --, mas na hora de algum problema, só nos resta entregar a alma a Deus.

Que todos os vitimados possam descansar em paz, é o que desejo.
O vídeo do Freire também está no YouTube, bem aqui.

Tem mais novas sobre o lançamento no Cadafalso II.

Eu e o Alexandre Freire autografando o "Como blindar seu PC" na Letras e Expressões do Leblon. A foto é do Kléber Galúcio, do curso de informática AIS.
O pessoal da AIS, aliás, fez um link especial sobre o lançamento do livro que ficou muito legal. Veja mais fotos aqui e um vídeo do Freire aqui falando da obra.