29.12.04

Fiquem com Oscar em 2005 e sejam felizes. Ou vivam para o prazer, porque, como Wilde disse, nada envelhece tanto quanto a felicidade. ;-)

I believe that if one man were to live out his life fully and completely, were to give form to every feeling, expression to every thought, reality to every dream--I believe that the world would gain such a fresh impulse of joy that we would forget all the maladies of mediaevalism, and return to the Hellenic ideal-- to something finer, richer than the Hellenic ideal, it may be.

(Lord Henry Wotton, em "O retrato de Dorian Gray")

28.12.04

Tenho um coração-prisma
que dispara auras psicodélicas
por todos os postigos;
é-me impossível amar com fronteiras.

não dá para pôr frames
no sentir, no desejar;
não se pode encerrar
o que pulsa
num único quarto
se a gente quer
todos os cômodos
e dizer para aquelas
com as faces que tonteiam:
"um beijo, suplico."

Não à posse;
sim à liberdade sem fio
sim aos ímãs femininos
que me fazem chorar de tanta beleza.

27.12.04

Passei o Natal no sítio da família, um lugar repleto de sons da natureza -- de pássaros pela manhã a grilos e rãs noite adentro -- e, não fossem as comemorações natalinas dos humanos, um recanto de quietude interna também. Meu lugar favorito por lá é um velho escorrega de piscina trasladado para baixo de uma mangueira copada e de sombra convidativa. Aproveitei para ler até o fim um clássico: "Enterrem meu coração na curva do rio", de Dee Brown, que conta a história do Velho Oeste do ponto de vista dos índios e mostra como o homem branco mentiu até a medula para ir tomando aos poucos o território das tribos de nativos do continente. Não pude deixar de pensar que Bush e companhia usaram exatamente as mesmas táticas para fomentar a guerra no Iraque. Nada parece ter mudado.

Bom, mas até que a festa foi tranqüila e as crianças curtiram, felizes -- o mais importante. Espero que todos tenham tido um Natal sossegado. E para 2005 e além, vamos torcer para que apareça uma liderança neste país realmente determinada a torná-lo mais seguro, com instituições que possamos legar para as futuras gerações, de modo que elas voltem a compreender o sentido da palavra esperança.

17.12.04

Por falar em eventos na noite, foi legal o lançamento do livro "Paralelos", fruto do site que anda revelando novos talentos na web. Mestre Augusto Sales, meu guitarman preferido Gustones, com Marcele, minha partner em contos Crib Tanaka (belíssima, chegou arrasando) e outros estavam todos lá, autografando exemplares de montão. Também encontrei a querida Ronize Aline na área, sempre simpática e gente finíssima.




Mais fotos da mesma night -- na primeira, Cora e Carlos Alberto Teixeira saboreando deliciosos acepipes e, na segunda, Cora durante sua conferência. As fotos estão pequeninas porque foram feitas em baixa, com meu celular.


Cora Rónai e sua coleção de celulares em palestra ontem na night carioca. Foto by Carlos Alberto Teixeira.

15.12.04

Go baby driver
Been drivin' on down the road
Oh, what a rider
Carryin' such a heavy load
Don't ever need to know direction
Don't need no tow, food, gas, no more...

(Kiss, "Rock and roll over")

13.12.04

Soneto para uma mulher tinhosa


És arguta e generosa
Quando queres agradar
Mas deveras rancorosa
Se te contraria o ar

Eloqüente quando falas,
Tornas púlpito o altar;
Mas revoltas o silêncio
Sem saber quando parar

Pois a última palavra
Queres monopolizar
As idéias de tua lavra

Para ti são o que há
Pois, te digo, já se javra
O tonel a te encerrar.

10.12.04

As fotos do meu niver:


Elisinha e eu em clima de amasso total no Galeto...


Elis, Fátima e Bárbara: um trio mais divertido que este não existe!


O sortudo aniversariante cercado por suas amigas.


Eu, Renatinha Maneschy e o boa-praça Sérgio.


Da esquerda: Babi, eu, Renata, Sérgio, Luiza, Marcelo Balbio, Fátima e Nelson Vasconcelos.


Babs e eu no meio da bagunça geral e irrestrita.


Recebendo uma rosa com a gozação total da turma.



4.12.04

Chego hoje aos 42 anos.
Ontem houve um chope animadíssimo aqui na esquina do jornal, onde rimos tanto que estou com o maxilar doendo até agora. Brindamos tanto que brinquei que cada brinde me fazia ficar um ano mais jovem. Terminei a noite com 15 anos, com direito a valsa e tudo no meio do churrasco do Felipe na esquina de rua de Santana com Irineu Marinho.
Estiveram presentes a Elisinha, Babi Veloso, Fátima Iocken, Mr. Marcelo Balbio, Nelson Vasconcelos, Cristina Azevedo, Berenice Seara, Fábio Rossi, Renata Maneschy, Cida Calu, Luizinha e Sérgio, Mr. Feroli (que chegou no finzinho) e mais uma galera. Elis me presenteou com um DVD do "Senhor dos Anéis", que adorei.
Na volta para casa conheci a potência do Fatimóvel, o carro da Fátima. Ela dirige com uma desenvoltura invejável; fomos cantando músicas até o outro lado da baía, acompanhando um CD. Fui dormir com um sorriso na cara e não sonhei com nada -- o melhor sono possível.
Hoje vou sair com Wal e as meninas e flanar por Nikiti City (depois do plantão, pois tive que chegar cedo aqui no jornal. Mas tudo bem, não gosto de adiar plantões. Melhor fazer logo).

A vida começa aos 42. Ou melhor, aos 15 ;-)) Oh yeah.

A todos, obrigado por uma noite maravihosa.

29.11.04











As fotos da turma fantasiada no final do Editor's Day da HP, que aconteceu em Ilhabela semana passada. De cima para baixo: eu de frei Tuck fazendo um "vade retro" para o "vampiro" Ramalho; uma parte da galera pronta para o agito; eu recebendo o prêmio de melhor fantasia (acreditem, o público me elegeu...); com o prêmio; e outra parte da tchurma.

25.11.04

O melhor exercício para o coração
é amar.
A única dieta possível,
os suspiros.
Não preciso de aparelhos modernos
para acelerar o pulso:
apenas sentar aqui
e olhar você
por cima de uma beberagem gelada.



24.11.04

Em breve, publicação de fotos sensacionais neste blog.

16.11.04

Andei relendo estes dias uns trechos de "Pergunte ao pó", de John Fante, na belíssima tradução do Paulo Leminski. Tenho ainda a edição da Brasiliense, que comprei em 1984 e devorei. Arturo Bandini, o escritor que amava a Los Angeles marginal e a voluntariosa garçonete Camila Lopez, é um personagem inesquecível, que está em algum canto de todos nós.

Não gosto de chamar Fante de escritor "classe B" porque, como dizia seu fã, Charles Bukowski, ele não tinha medo das emoções e era um mestre em descrever as angústias de seu alter ego Bandini. Além do mais, se pensarmos bem, dificilmente nossa vida interior, se exposta, é classe A.

6.11.04

Hoje este blog completa exatos três anos de vida. É muito bom estar aqui na rede com vocês, e escrever o que vai pela alma.


Eu e minhas queridas amigas Fátima e Bárbara no aniversário da última: uma deliciosa bagunça regada a muita cerveja e conversas espirituosas.

28.10.04

Marat, onde está o "Amigo do Povo"?
Robespierre, escondeste a pena das sentenças?
Danton, esqueceste a audácia e adotaste a tibieza?

Ó revolucionários! deveis retornar para verdes
a igualdade dos miseráveis
a fraternidade dos corruptos
a liberdade dos poderosos.

Guilhotina, dizeis? Qual!
Aqui nos trópicos
ela é a lâmina tripla da gilete
que torneia pescoços bem-nascidos
e só.

se brancura é sem mácula
por que meus pêlos alvos se tornaram
durante o eclipse
e na mesma noite da tribulação vil-metálica?

ah, que o limbo seja multicolorido
qual doce em parque de diversão
e que apazigue os sem-esperança
esquartejados pelos fiéis do Mercado.




25.10.04

Semana passada fui ver minha filha Jessica se apresentar com o coral de sua escola. Foi no Teatro Municipal de Niterói. Fui esperando assistir a um show de colégio -- e fiquei boquiaberto ao ver o altíssimo nível do trabalho. O coral juvenil, onde ela canta, deu um show de afinação, ritmo e carisma, num clima de excelente astral. Corujices à parte, é o André músico que escreve estas linhas: foi emocionante ver as versões do coral para "Mercedes Benz" e "Conversa de botequim", entre peças do século XVI e outras canções. Uma coisa. O teatro aplaudiu longamente e eles deram um merecido bis.

Na saída, abracei Jessica emocionado e mostrei quão orgulhoso estava ao saber que a saga musical de nossa família continuava (meu avô materno tocava diversos instrumentos e foi no violão de minha mãe que exercitei os primeiros acordes, aos 11 anos, para logo em seguida ser fisgado pelo tal de roquenrou).

19.10.04

Chega!
vou dormir sob a amendoeira
que labutar é amargo;
quero que o mar leve meu corpo
e o faça uno com as ondas e plânctons
preocupados apenas
em passear entre dois azuis.