5.8.02

Desculpem o silêncio dos últimos dias. Quem Quem leu o caderninho de hoje sabe que eu estive bem ocupado ;-)) Mas esta semana vou blogar com mais calma, pois em princípio minha agenda está ordenada.
Então, para começarmos, aí vai um novo poema, saído agorinha mesmo do forno:

O bufão

Quando estás feliz me esqueces
e te aqueces com o sol generoso e sedutor;
quando estás amando, sou apenas aquele urso cheio de bolor
Que as meninas largam solitário na cabeceira ao sair correndo,
com as amigas,
em direção ao gramado recém-libertado da neve.

Eu sou teu homem das nuvens ameaçadoras
O pára-raios ao alcance do celular
os pneus antinevascas que calças nas rodas de teu pensamento
para frear as lágrimas traiçoeiras.

Nesses momentos me pergunto:
quando foi que minha paixão passou a ser apenas
a água tépida da banheira,
em que mergulhas mas sempre abandonas no fim?
Antes podia enxergar as labaredas que me consumiam
refletidas em tuas órbitas
antes podia cheirar a combinação de nossas essências
mesmo que nossos corpos jamais se tocassem.

Agora eis-me bibelô dos teus humores
com o qual brincas sem lançar um olhar.
Virei um bufão da espera; mas um bufão que ama, ainda assim
-- embora meu amor esteja, hoje, doente de ironia.

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