2.2.04

Saí ontem do jornal às 23 e tanto. Por isso estou tão cansado. Segunda-feira depois de plantão é como a ressaca de uma bebida que você tomou porque não havia outra opção. O plantão só vale pelo ar-condicionado da redação...

Mal posso esperar pelo sábado que vem, o final dos 12 dias seguidos de labuta.

31.1.04

Também vi no DVD "Tiros em Columbine", que não consegui ver ano passado. Realmente, é bom demais. O extra é uma entrevista coletiva de Michael Moore praticamente sem cortes (43 minutos), feita com jornalistas britânicos. A lucidez do homem é um bálsamo nesta era em que tantos em alguma posição de poder mentem descaradamente. A gente fica com uma vontade danada de beber várias cervejas com o cara num boteco, de tão legal que ele é. Oxalá um dia eu possa entrevistá-lo.


Taí, se dependesse de mim, eu daria o Oscar a "Mestre dos mares". O filme é puro cinemão, uma delícia. Russel Crowe está perfeito como o capitão do HMS Surprise, Jack Aubrey, e comanda um épico naval de primeira linha. A crítica é apenas à visão mostrada de um pedaço da costa brasileira em 1805, com índios e uns poucos portugueses (e uma bela cabrocha, diga-se de passagem). Estava mais para século XVI, acho... Mas não compromete a diversão do início ao fim. Inclusive, vale ir a um cinema bem equipado para ver. Assisti no São Luiz, no Catete, e a artilharia das batalhas entre os navios parecia estar acontecendo bem no meio do cinema.
Também gostei do personagem do médico-naturalista, interpretado por Paul Bettany.

29.1.04



Was this His coming! I had hoped to see
A scene of wondrous glory, as was told
Of some great God who in a rain of gold
Broke open bars and fell on Danae:
Or a dread vision as when Semele
Sickening for love and unappeased desire
Prayed to see God's clear body, and the fire
Caught her brown limbs and slew her utterly:
With such glad dreams I sought this holy place,
And now with wondering eyes and heart I stand
Before this supreme mystery of Love:
Some kneeling girl with passionless pale face,
An angel with a lily in his hand,
And over both the white wings of a Dove.


("Ave Maria Gratia Plena", de Oscar Wilde)

27.1.04

Fui ver "A importância de ser fiel", no Villa-Lobos. A peça, a mais divertida de Oscar Wilde, tem uma das mais gostosas aberturas com os amigos Algernon e Jack conversando na casa do primeiro. É um verdadeiro festival de frases espirituosas que fazem logo o público entrar no clima wildeano, leve e gozador (se não tivesse sido irlandês, aliás, o escritor teria dado um ótimo carioca). Dalton Vigh é o Algernon perfeito, um dândi que confere o devido charme ao "ato" de não fazer nada. E, naturalmente, Natália Timberg é uma Lady Bracknell irretocável.
Não gostei de Brian Penido, do grupo Tapa, como Jack, achei que ficou artificial demais. Mas, no todo, a montagem é gostosa e conferiu uma boa "despressurizada" a uma sexta-feira pós-fechamento.

23.1.04

"Violação de conduta", com John Travolta e Samuel L. Jackson, um excelente filme. Eu e Wal ficamos debatendo teorias sobre o que aconteceria (ela é boa nisso) e não adivinhamos o fim do filme, exceto por uma suspeita ou outra.

19.1.04

O DVD de "Procurando Nemo" tem uns extras deliciosos. O melhor é um minidocumentário com Jean-Michel Costeau (o filho de Jacques) sobre corais e recifes. "Documentário" em termos, porque os peixinhos do desenho aparecem no meio da narrativa do pobre Jean-Michel e roubam a cena até o homem dar um ataque de pelanca. Eu e minhas filhas Jessica e Rebeca gargalhamos sem parar.

16.1.04

Soneto desmesurado da perda

Denunciou o descontrole na missiva
Tua letra apressada e tremida;
E com esferográfica borracha
Ali me apagaste de tua vida.

Foi tão absoluto meu espanto
que só sobraram palavras vazias;
com elas respondi como robô
ao disparate que dizias.

Depois chorei sozinho no escuro
e decidi nunca mais lhe falar
Só hoje amargo o gesto impuro

Pois que perdi a fé no amar
e já nenhum feitiço conjuro
Que fique Vênus no velho altar.

14.1.04

Meus "Minicontos do Desconforto" já começaram a ser publicados no site Paralelos! Eles estão aqui, e também há aqui uma introdução sobre as séries do site por mestre Augusto Sales.

Os contos estão saindo em séries de dez, que serão publicadas em seis semanas. Grande Augusto, quero agradecer a gentileza.
"O americano tranqüilo", baseado num livro de Graham Greene, é um excelente filme. Michael Caine está perfeito como um correspondente britânico em Saigon nos anos 50 que vive um triângulo amoroso-político com uma bela vietnamita e um americano interpretado por Brendan Fraser.

Uma história sobre desejos, traição, escolhas e os pecados que grudam em nossa alma, dos quais não podemos nos livrar.

13.1.04

Um pulinho rápido à terra da garoa hoje. Fui e voltei, em vôos sossegados e observando o tapete de nuvens sobre Rio e Sampa. Depois de uma conferência com altos bytes de complexidade, supercomputação e arquiteturas cabeludas, foi bom olhar o céu e simplesmente refletir.

Mas é igualmente interessante estar em aviões menores, que ficam em altitudes mais baixas e permitem ver a terra (ou o mar) lá embaixo. Nesse sentido, um dos vôos mais fantásticos em que estive foi num jatinho da Embraer usado pela United entre Los Angeles e San Diego, na Califórnia. Acabara de chover e o dia estava ficando ensolarado, com nuvens esparsas. Eram mais ou menos três horas da tarde e o avião passeava entre as nuvens, voando baixo sobre a costa do Oceano Pacífico. Era como se eu estivesse no meio de esculturas gigantes de algodão-doce sobre o mar, torneadas pelo vento. A impressão que se tinha era que esbarraríamos em alguma divindade greco-romana esquecida naquele labirinto de nuvens.

9.1.04

Tem dias que a gente fica tão irritado que precisa rememorar os versos imortais de Charles Chaplin:

Light up your face with gladness
Hide every trace of sadness
Although a tear may be
Ever so near

That's the time
You must keep on trying
Smile,
What's the use of crying
You'll find that life is still worth while
If you
Just smile

7.1.04

Ainda a festa elisiana (ver posts anteriores): eis um flagra deste Guardião bebendo a segunda caipirinha, junto com parte da galera: a aniversariante, Joana, Mari e Isabel.



6.1.04

A festa ontem foi muito engraçada. Miss Monteiro estava com a corda toda, e a animada mesa, num cantinho escondido da Princesinha do Mar, contou com coleguinhas de todos os cantos. Tia Cora foi e logo uma parte da trupe estava envolta num mar de gadgets. Enfim, fomos todos felizes, transformando a noite de segunda num verdadeiro pré-pré-pré-sábado.

5.1.04

Niver da Elis hoje. Vai ter agito no Leme. E este Guardião estará na área.

4.1.04

Um quark

Na madrugada aquosa
sonhou com uma pitada de aventura
e mais do que nunca a desejou a seu lado
rindo na escada
e sussurrando
para que tocasse também o outro seio
sob a blusa desabotoada.

Despertou
com o som das goteiras na alma
e suspirou para a escuridão:
ela estava lá e não mais estava;
podia ouvir sua respiração suave
mas ela, a verdadeira,
havia ficado numa esquina do tempo.

Ah! e o pior, o pior
era que ele também parara em algum ponto
-- e a ponderação levara adiante outro pedaço de si.

Ó ímpetos perdidos nas estrelas!
Tenham piedade de nossos eus desbotados
e lancem-nos um quark irresponsável de vez em quando;
pois no que a vida descobre o palor de suas faces
é penoso ter caprichos sem alguma cumplicidade.

26.12.03

Como trabalhei na semana do Natal, vou parar uns dias para curtir o resquício de ano. Deixo para vocês um poema novinho, saido quentinho da forja.
E desejo a todos um 2004 em que a gente não seja tão refém das expectativas e possa viver mais feliz, um dia por vez.
Uma coisa é certa: eu estarei aqui, como sempre.

Abraços e saúde!


Animalesque

Deitou entre seus seios de neve
e escutou a carne bombeando dentro;
aproximou mais a orelha em chamas.

E por um instante sentiu
a delícia de ser completamente animal
todo instinto
todo tato e cheiros
todo corpo e sangue da Natureza.

Ela disse depois
que em seu sono ele rira

e ele lembrou-se por quê
mas não respondeu.

Guardou para si
a imagem onírica
do sexo perfeito:
dois corpos famintos em transe
e duas almas diáfanas
atiradas sobre os criados-mudos
sabendo a conhecimento e mofo.

23.12.03

Moçada, um feliz Natal a todos, com um fraterno abraço deste Guardião.

Descoberta

E de repente enxergo através de ti
E te descubro a mais paradoxal das damas
Imaginava-a forte, devastadora, impiedosa
E no entanto és tão frágil quanto eu
Folha de outono, que pode cair e renascer
Carregar e recarregar o ciclo
Fiquemos assim, unidos silentes
O mundo gira, passa
E nos vira de cabeça para baixo
Mas estamos ali.

19.12.03

Como Bob Dylan, só posso cantar: "For the times, they are a-changin'..."

17.12.03

Chope, parte 2: ontem a boa mesa no Manuel e Joaquim da Lapa contou com minha querida Glorinha Dettmar, Ariadne, Mônica Arantes, Marcinha Miranda, Felipe Dias, Cristina Azevedo, o veterano Orlando Abrunhosa, Alexandre Mandarino e Leonardo Pimentel.

E hoje tem a festa do Info etc. Acho que vou ficar na água mineral ;-)

16.12.03

Aliás, foi ótimo rever o Gus depois da longa convalescença. Ele está com uma cara ótima e feliz de voltar ao JB. Dá-lhe, guitarman.
Chope animado ontem no Lamas com o Gustones, a Marcele, Maloca, Claudinha, Feroli, Júlio Preuss e Abel Alves. Hoje tem mais. Nada como rever a turma na volta ao trabalho.

15.12.03

Moçada, estou de volta. Descansei para valer, desta vez, e me desliguei do real (mesmo lendo os jornais diariamente). Estava com saudade daqui.

Logo haverá poemas novos na área. Enquanto isso, mais um da arca:

Reencontro

Vinte anos entre nós
E você ainda me faz estremecer
Minha aura, se é que ela existe,
torna-se palpável à minha volta
e acaricia seus cabelos, enternecida,
enquanto seus dedos perfeitos
emolduram, distraídos, a xícara.
Entre a fumaça preguiçosa do café
Seu sorriso de menina espreita
e eu tenho vontade de chorar
pelo nosso amor perdido
que jamais aconteceu.

Se o tempo nos pregou peças? Certamente,
Mas os cacos de sua vida
estão maravilhosamente alinhados e refeitos
Enquanto os meus espetam
como minha barba por fazer, minhas paixões por aparar
e minhas unhas (garras?) que corto antes
que as enterre nos próprios olhos, nas manhãs
em que a realidade teima por lançar
seus raios-tratores sobre meu catre.

Felizmente, você expulsa minha névoa mental
com seu riso inquebrantável
e, olhos para o céu, ergo minha xícara
e me pergunto,
intrigado e acompanhando sua alegria,
quando é que minha alma vai aprender
que não é pecado estar feliz.

Perdoe, assim, meu amor insistente:
ele não pode morrer
enquanto estiver a tomar café
com a Vida e o Sonho combinados
naquela manhã de retorno perene.

28.11.03

Férias!



Moçada, vou descansar um pouquinho da correria. Volto dia 15/12.

Fiquem bem.

(A foto é do Freefoto.com).

27.11.03

Este também é d'antanho, mas até que combina com os temporais dos últimos dias no Rio ;-)

A tempestade

As palavras e as poesias vêm e vão
Como teu olhar perdido em meio à turba selvagem
Eu as guardo e cuspo sem o saber
Nas cordas de minha guitarra ensangüentada.

Se desistires do vento,
Não me terás também -- eu sou a Tempestade
E meus cabelos engolem teu amor em vagas
Arrastando-te para a loucura
Em teias de lábios rubros,
Em febres de noites sem luz.

26.11.03

Algumas falas imperdíveis no filme "The Hours", de Virginia Woolf (Nicole Kidman).

If I were thinking clearly, Leonard, I would tell you that I wrestle alone in the dark, in the deep dark, and that only I can know. Only I can understand my condition. You live with the threat, you tell me you live with the threat of my extinction. Leonard, I live with it too.

This is my right; it is the right of every human being. I choose not the suffocating anesthetic of the suburbs, but the violent jolt of the Capital, that is my choice. The meanest patient, yes, even the very lowest is allowed some say in the matter of her own prescription. Thereby she defines her humanity. I wish, for your sake, Leonard, I could be happy in this quietness. But if it is a choice between Richmond and death, I choose death.

Leonard, you cannot find peace by avoiding life.

25.11.03

Este é bem das antigas, escrito no começo da década de 80 num dia cinza perto de Itaipu, num lugar acolhedor, mas onde faltava uma pessoa essencial.

Bordado

E tudo fica imperceptivelmente quieto
E eu fico só
Bordando uma poesia quieta.
Não percebo quando chegas
Mas sei que não pretendes falar-me
Bem sei que não pretendes falar-me
E assim prossigo no vaivém da agulha.
Então, quando a cera da última vela se derrete,
E, missão cumprida, faço que vou me levantar,
Deténs-me e beijas-me as pálpebras pesadas
E, antes que eu possa retribuir,
Voltas a ser apenas chuva.
O que me resta então
Senão voltar a bordar poesias?

21.11.03

Outra da arca:

Sóis derramados

Tu te enganaste.
O que derramo pelas faces enegrecidas
Não são lágrimas
Mas reflexos do sol nascente

Tu não o sabes
Mas a marca de um destes brilhantes
Faz rebentar a taquicardia da espera
Pelo abraço do todo

Derramas sóis também?
Então vem e abraça-me
Se o universo não nos envolve, taciturno,
Talvez possamos criar um outro
No contratempo das batidas em nossos peitos.

18.11.03

Um da arca, de que gosto:

Janeiro, 1

Dançar a noite inteira
E fazer amor com o dia amanhecendo, preguiçoso,
Empurrando sua milícia de nuvens douradas para o subúrbio...
Que melhor augúrio para a nova jornada
Do que teus beijos tépidos em minha boca e em meu peito
E tuas mãos explorando indóceis a selva de meus pêlos
enquanto o tecido branco desfalece por teus ombros abaixo,
gentilmente empurrado por meus dedos,
revelando uma alvorada desconhecida de Zaratustra
e muito mais bela do que a manhã
que nos deixam ver nossos postigos?

Teus olhos pequeninos e negros, tua face angulosa
Perdida em meio à eterna revolução de tuas melenas
Tudo em ti sorri enquanto o vagaroso expresso do prazer
Movimenta suas engrenagens, delicada e depois firmemente,
seguindo em direção às rubras pradarias do interior.
Quando, passado o momento supremo da Carne,
É alcançada a subestação do Espírito,
Derramas lágrimas de mel
e derretes por fim meu último gelo,
envolvendo-me em teus braços lisos e frementes.

Beijas-me então com o afinco que sempre te envolve após o amor
E bebes, vibrante, toda a minha alma
virando-a de uma vez só, como um uísque "cowboy".

Mais tarde, quando a observo dormitar
enquanto fumo um cigarro torto antes de me recolher,
Enterneço-me de repente e me pergunto
como pude, em outro tempo,
existir e caminhar sobre a terra sem ti.

13.11.03

Rebeca entrou na sala:
-- Mãe, cadê o DVD?
Jessica respondeu, já imaginando o que ela queria dizer:
-- Não é DVD que fala, menina, é controle remoto.
Rebeca continuou:
-- Não é isso. Cadê o DVD?
-- Menina, fica lá no quarto do seu pai, você não sabe?
-- Mas não está lá.
Jessica foi ao quarto e voltou.
-- Não está lá mesmo, mãe.
Wal foi verificar.
Tinham furtado o aparelho de DVD do meu quarto, que fica perto da janela (que dá para um corredor interno que leva a uma pequena vila). O aparelho estava lá uma hora antes.
Polvorosa.
Wal desceu até nossa vizinha, que mora atrás de nossa casa. Desconfiou do pessoal de uma obra que estava sendo feita ao lado. Logo viu uma escada no muro que dá para o pátio posterior de casa, para os aposentos de minha sogra. Comentou com a vizinha que ia chamar a polícia. Nossa vizinha, que não prima pela discrição, espalhou a notícia aos quatro ventos.
Pouco depois, Wal subiu ao pátio posterior e encontrou o aparelho de DVD dentro de uma bolsa molhada (estava chovendo) no quarto de minha sogra.
É ou não é um ladrão de cibergalinhas este mané?

10.11.03

Este Cadafalso fez dois anos de vida no último dia 6 de novembro. Não pude assinalar a passagem no dia em questão por estar mergulhado no trabalho no Paraná. Mas agora vamos nessa!!!!! Yesss!!!!



Ao longo deste mês festivo estarei postando alguns poemas que marcaram os 730 dias de posts.
E vamos começar com o "Poema do Cadafalso", que deu origem ao nome do blog:

Poema do cadafalso

O que restou da última gota de desespero
Secou.
Deveríamos talvez esperar as rosas
Mas por que não semeá-las no vento?
Encontro-me em seu vácuo
Ejaculo minha autopiedade
Choro, emudeço, porcelana derretendo...
Olhos-espadas singrando mares violentos
Ecoando amores sem resposta
Angústias da tempestade rósea do cadafalso.

Meus icebergs são feitos de algodão
Quem bate neles não se arrebenta, é tragado
E serve de ídolo aos pagãos de meu corpo em agonia...
Liberdade, liberdade
Nas garrafas de vinho desgraçadas da noite!
Vem, vício macilento, enterra-me o ser,
Mata esse ardor da pele viva,
Destrói tudo!

Quando passar a tormenta,
Vou me encarcerar uma vez mais
Até vislumbrar, na podridão das paredes úmidas,
Um novo devir
Chave dos sentidos em ebulição,
Beijo louco do desejo no desejo
Brilhante gota do primeiro desespero.

7.11.03

De volta de Curitiba, onde fui cobrir um evento de software livre. Volto com muitas histórias interessantes, que sairão em breve. À noite, após entrevistas e palestras o dia todo, retornei ao Bar do Alemão, deliciosa instituição boêmia fincada no histórico Largo da Ordem, onde saboreei um chope batizado de Schwarzwald, que vinha com uma canequinha de aguardente alemã mergulhada nele. Excelente para rebater o frio de nove graus que fazia na capital paranaense.
A canequinha ficava de brinde para o conviva depois que o chope terminava. É claro que cheguei em casa com várias delas, cada uma com uma bandeirinha representando uma cidade da Alemanha.
Por falar nisso, a volta pareceu o filme "No limite da realidade": aterrissamos no Santos Dumont com chuva, raios e relâmpagos, depois de um vôo bem sacudido por turbulências entre SP e Rio. Quando desci do avião, bem que precisava de mais um Schwarzwald...

3.11.03

Um chope. O sol. A brisa. E a gente dentro d'água, filosofando sobre tudo e nada. Assim foi meu sábado, na casa de uma prima. Um churrasquinho para rebater. E, de resto, ficar olhando o azul e perceber a luz se despedindo bem lentamente.
Pena que no fim do dia vieram raios, relâmpagos e trovões, anunciando a chuvarada que se estendeu até hoje. São Pedro tem um senso de humor esquisito mesmo.

30.10.03

O velho e bom Aristóteles:

"Espírito é insolência educada."

"Somos aquilo que fazemos repetidamente."

29.10.03

Perdoem o silêncio dos últimos dias. É que ando cheio de trabalho na redação e correndo atrás.

25.10.03

Visitas perfeitas
(um poema especialmente dedicado a Angel)

É nas histórias de suas páginas
que muita vez meu humor sai ao sol
e, curioso, abandona a bruma
que por vezes se entretece sobre as córneas
nas caminhadas solitárias na rede.

Ali, entre alfarrábios gozosos,
passo horas refletindo sobre vidas;
a vontade de poetar se encorpa
e meus lábios ciciam felizes.

Ó doce pintora de estados da mente:
como sabem a jardins suas letras elegantes!
Um brinde de absinto a elas
e uma vênia graciosa a sua lapidadora.

24.10.03

Peço licença para republicar um poema aqui. É sobre como a gente se sente ao perder um amigo, especialmente quando a culpa é nossa.

Perder amigos

Perder amigos
É como perder um documento de identidade
Do qual não existe segunda via;
É a nossa foto que está ali,
Sulcada com microinstantes de prazer e dor
-- E ninguém sabe onde está o negativo ou como revelá-lo.
Em nossa assinatura se escondem gotículas de sangue e paixão,
E na filiação está escrito Esperança e Lealdade em ouro
Ou talvez ouro de tolo.
Perder amigos é perder uma fatia de alma esburacada
Pelos dias que roem nossas convicções.
Dize-me quantos amigos perdeste
E eu te direi o quanto envelheceste.

21.10.03




É com muito orgulho que vou contar isto a vocês: este guardião do Cadafalso foi o segundo lugar no concurso de narrativas curtas Haroldo Maranhão, organizado pela Meg. E isto entre mais de 300 inscritos. Não podia desejar maior honra e estou muito feliz e agradecido. O texto agraciado foi o Miniconto do desconforto número 5, que rebatizei de "A decisão" para a competição. Eis o texto:


"A nevasca seguia virulenta lá fora; dentro, o troar dos aplausos era inesgotável, irreprimível. Chamado ao palco, os gritos de "O autor! O autor!" transformando-o num títere gigante, postou-se no proscênio, como fizera nos últimos anos, impecavelmente elegante na capa Inverness e tirando da cigarreira dourada um dos incontáveis cigarros que o acompanhavam após os jantares no Savoy.

Ao dar a primeira tragada, viu na quarta fileira a Desgraça aplaudindo de pé, num longo vestido negro adornado por um único rubi cor de sangue. Naquela noite, decidiu: deixaria a vida de dissipação e recolher-se-ia num mosteiro, onde escreveria suas melhores obras, frutos da reflexão de que tanto precisava.

Mas a manhã surgiu magnífica, sem uma nuvem no céu, e lhe trouxe agradável companhia. Sentia-se novo, e saiu para passear em seu cabriolé de plantão. Anos depois, na prisão, falido, recordaria: fora a Beleza que o lançara ao abismo."

17.10.03

Lembrete: amanhã no Armazém do Rio, no Cais do Porto, o lançamento do site/revista Paralelos, projeto nota mil do querido Augusto Sales. A partir das 17 horas. Todos lá!
A prece pagã de Robert Wilde

A vida é avara para um coração
de código-fonte aberto.
O fantasma de Scrooge
é o único que aparece
para os objetos da paixão desenfreada
e lhes dá conselhos vis
de separação
de cartas-punhais
de poupança resplendente
em vez de entrega.

Eis-me sozinho, ó Afrodite:
para que me seduzes das alturas
se no fim sou sempre cuspido
como um caroço amargo?


Estive neste pedacinho de éden, onde funciona um pólo de tecnologia no estado do Rio. Fica aqui.
Serviu para me fazer voltar a cantar, mentalmente: "a vida é bela/só nos resta viver".

14.10.03

Eleanor of Aquitaine: What would you have me do? Give out? Give up? Give in?
Henry II, King of England: Give me a little peace.
Eleanor of Aquitaine: A little? Why so modest? How about eternal peace? Now there's a thought.

(Katharine Hepburn e Peter O'Toole, como Eleonora de Aquitânia e seu marido Henrique II da Inglaterra, em "O leão no inverno")

Often, on returning home from one of those mysterious and prolonged absences that gave rise to such strange conjecture among those who were his friends, or thought that they were so, he himself would creep upstairs to the locked room, open the door with the key that never left him now, and stand, with a mirror, in front of the portrait that Basil Hallward had painted of him, looking now at the evil and aging face on the canvas, and now at the fair young face that laughed back at him from the polished glass.

Oscar Wilde, "The picture of Dorian Gray"

13.10.03

Èstou tão triste hoje que não consigo nem mesmo escrever um poema.

9.10.03

Às vezes uma viagem de trabalho pode ser um oportuno distanciamento dos problemas cotidianos. Em especial se você pode chegar na noite anterior à missão propriamente dita e descansar um pouco num hotel. A gente fica um pouco com a gente mesmo e experimenta a essência dos dois lados da solidão: aquele em que, digamos, se saboreia sozinho um jantar, parando para filosofar em silêncio entre uma garfada e outra, ou para explorar os arredores desconhecidos num passeio sem destino. E aquele em que sentamos na cama, controle remoto na mão, e nos damos conta de como, no fundo, os quartos de hotel são todos iguais; de como a televisão pode ser aquele abismo amorfo que nos olha de volta; de como fazem falta as trapalhadas de sua família na periferia daquele filme denso a que você quer assistir apenas para entrar em contato com suas emoções perdidas no tempo.
Então, liga-se para casa, meio que tentando esconder a própria aflição, e ouve-se do outro lado da linha a voz da filha entre risadas e traquinagens -- o som da despreocupação absoluta. E pronto, estamos salvos.

7.10.03

Dias 16, 17, 18 e 19 de outubro vai rolar no Armazém do Rio o evento "Primavera dos Livros", com palestras, rodas de leitura, shows e estandes de várias editores. Quem curte literatura deve ficar ligado. No dia 18, sábado, às 19h, pretendo dar um pulo até lá para prestigiar minhas queridas Alessandra Archer e Crib Tanaka, que estarão lendo alguns trechos de seus escritos. E de repente vou ler algumas coisas minhas também ;-). Mestre Augusto Sales, o homem do Falaê!, também estará no programa, falando sobre e-zines e blogs, no mesmo dia, às 17h30. Ele está montando a revista/site "Paralelos", que vai reunir alguns dos antigos colaboradores do Falaê!.

3.10.03



Eu com Tia Cora, que prestigiou os coleguinhas no Prêmio Imprensa Embratel. A festa foi muito divertida.

Foto by Nokia 7650 da Miss Monteiro.

2.10.03

Quero dançar com você a noite toda, de preferência com o Gustavo restabelecido e cuidando das carrapetas com aquele repertório de guitarras divinas; quero olhar nos seus olhos, pousar sua mão em meu peito e esquecer todas as obrigações, as rotinas estereotipadas e a vida à la Pasteur que nos foi dado viver. Não quero lhe dizer uma palavra além destas linhas, apenas beijar seu pescoço e seus ombros em transe e descansar em seu regaço no fim da longa noite de lua nova.
Reconheça, pelo menos esta noite, que nossas almas foram prometidas no Gênesis. E entregue-se ao júbilo.

30.9.03

Eras a imagem do abandono
no palco vazio de histerias.
Ali tua vida floresceu, ejaculou
-- e depois desmaterializou-se.
Mas tua casca não se libertou
das festas, das orgias
do vinho em chafarizes
rubros e dourados
e ela ficou ali, divagando,
até o rsvp para o outro lado.

29.9.03

No debate sobre o uso ou não do Exército para combater o crime nas ruas do Rio, os que são contra imaginam os militares como um "último recurso". Sinceramente, já passou da hora do último recurso. Além do mais, quando é que a gente vai reconhecer que está vivendo uma forma de guerra? Pois se a população anda amedrontada... Meus pais chegaram ao extremo de não sair mais à noite para nada. E olha que moram em Niterói, onde a violência ainda não atingiu o patamar do Rio.
É preciso dar uma resposta rápida à audácia do crime organizado. E acho que o Exército tem um papel aí, sim. Aliás, por falar nisso, acho um absurdo o sucateamento a que as Forças Armadas vêm sendo submetidas desde o governo anterior.
Ontem, depois do plantão, fiquei esperando um tempo a chuva passar no estacionamento do trabalho, olhando as casas, os prédios e o silêncio só cortado pela água impiedosa. A tristeza também foi me encharcando aos poucos.

Deu vontade de estar com uma guitarra na mão, para tocar um blues.

26.9.03

A palestra de ontem no Rio Design Barra correu bem. Fiz uma introdução ao tema do software livre, explicando seus conceitos e sua história, e em seguida Marcos Tadeu, ajudado pelo analista de sistemas Bruno Collovini, explorou a parte mais técnica do sistema GNU-Linux. A platéia respondeu, fazendo todo tipo de pergunta, algumas bastante específicas. O debate foi muito interessante, porque a velha questão Windows versus Linux foi abordada por espectadores usuários de um e de outro, que intercambiaram argumentos diversos para cada lado. Encerramos com um sorteio de broches do Tux, o pingüim-símbolo do Linux, e depois houve uma animada confraternização no Sushi Barra, restaurante japonês no shopping e centro comercial Downtown, que se estendeu até uma da madruga.

Na foto abaixo, tirada pelo Bruno, eu e Marcos nos extremos do palco e em primeiro plano a Elisinha, que gentilmente me ajudou a distribuir os números do sorteio.

25.9.03

Moçada, é hoje o papo sobre software livre e segurança que farei lá no Rio Design Barra (Av. das Américas, 7777, Barra) junto com o expert Marcos Tadeu von Lutzow Vidal.

Espero vocês lá, a partir das 20h!

23.9.03


(reprodução do site oficial do GNU/Linux)

Tá lá na Cora, então reproduzo aqui:

"Vida Digital

Essa semana, é a vez do André Machado: nosso intrépido repórter e o engenheiro Marcos Tadeu Vidal, professor de engenharia de telecomunicações e diretor da consultoria de segurança em TI V2R, vão falar sobre software livre e segurança no próximo encontro no Rio Design Barra. Quinta-feira, dia 25, às 20hs."

19.9.03

Renovando a campanha!

18.9.03

O presidente quer botar mais dinheiro em circulação no país diminuindo a conta-gotas os juros e autorizando empréstimos no contracheque.

Fala sério.

Qualquer empréstimo é por definição encalacrante. Acreditem, eu falo por experiência própria.

Por que o governo não demonstra que pensa um pouco nos trabalhadores e estuda para valer uma política salarial, ao invés de largar a gente na chamada "livre negociação"? (Livre só para os donos da $$$, é claro.) Com um salário decente, a gente volta a ser consumidor de verdade e não fica pondo a mesa de casa igualmente a conta-gotas, esticando o ordenado defasado há quinhentos anos.

Dá uma raiva danada ver que nada, absolutamente nada mudou este ano. Nem parece que vai mudar.

Quando foi a última vez que vocês gastaram um dinheirinho sossegados, sem pensar nas conseqüências? No meu caso, isso foi no governo Sarney.

Minha paciência está acabando.

17.9.03

De Arnaldo Jabor, ontem, sublime:

Isso: felicidade e medo, a sensação de tocar por instantes um mistério sempre movente, como um fotograma que pára por um instante e logo se move na continuação do filme. Sempre senti isso em cada visão de mulheres que amei: um rosto se erguendo da areia da praia, uma mulher fingindo não me ver, mas vendo-me de costas num escritório do Rio... São momentos em que a “máquina da vida” parece se explicar, como se fosse uma lembrança do futuro, como se eu me lembrasse ali do que iria viver.

Esses frêmitos de amor acontecem quando o “eu” cessa, por brevíssimos instantes, e deixamos o outro ser o que é em sua total solidão. Vemos um gesto frágil, um cabelo molhado, um rosto dormindo, e isso desperta em nós uma espécie de “compaixão” pelo nosso próprio desamparo, entrevisto no outro.


15.9.03

Just need some plain rock'n'roll today.

12.9.03

Niver de Mr. Balbio hoje. Vai ter festa. E o fim de semana vai começar... Só amanhã tem uns três agitos para ir. Isso é que é sábado ;-)
Dia de correria e fechamento hoje no caderninho. A correria foi maior do que a habitual porque Mr. Balbio, Elis e eu fomos fotografados e filmados para a final do V Prêmio de Imprensa Embratel, ao qual concorrermos com um especial sobre telefonia móvel que fizemos em 2002.
Elis e eu também cortamos um dobrado esta semana porque aproveitamos para nos atualizar e fizemos o curso de mestre Laércio Vasconcelos para montagem de micros de última geração. Elisinha e eu desmontamos e montamos do zero um micro que funcionou direitinho, na prova final. Já dá para ajeitar a placa de som de lá de casa ;-))
E é claro que saímos de lá com altas idéias para pautas... Imagine se dois curiosos como nós não iam pensar em mil textos possíveis.

9.9.03

"The first and most important rule to observe...is to use our entire forces with the utmost energy. The second rule is to concentrate our power as much as possible against that section where the chief blows are to be delivered and to incur disadvantages elsewhere, so that our chances of success may increase at the decisive point. The third rule is never to waste time. Unless important advantages are to be gained from hesitation, it is necessary to set to work at once. By this speed a hundred enemy measures are nipped in the bud, and public opinion is won most rapidly. Finally, the fourth rule is to follow up our successes with the utmost energy. Only pursuit of the beaten enemy gives the fruits of victory."

(Von Clausewitz)
"Na guerra há apenas um momento favorável. A grande arte é agarrá-lo."

(Napoleão)

8.9.03



Como o diabo gosta, no aniversário da minha querida Ariadne (esq.), junto com a Glorinha, no agito do Casarão Hermès, na Glória. A semana passada foi realmente uma boêmia só. A foto é da doce Elis Monteiro.

5.9.03

A seta de Eros

Eu a observo
e reflito: como fazê-la entender
que sou eu quem procura?
que somos as peças que se encaixam
em nossas almas tateantes?

Relato maravilhas
para entreter sua noite sem fim.
Scheherazadicamente
forjo as tessituras das histórias
como quem maneja uma harpa de cristal quebradiço.

Mas os círculos negros de seus olhos me perturbam
e sobrevém o silêncio fatal
em que as idéias se afogam
e resta apenas a seta de Eros a fustigar os mamilos.

Ah, será uma longa jornada até o entendimento.
E provavelmente ele virá quando a primeira terra
cair sobre o esquife do poeta.

4.9.03

Encontro ontem, na Cobal do Humaitá, de veteranos da Escola de Comunicação da UFRJ, a saudosa ECO, que era um agito só no começo dos anos 80. Havia representantes das turmas de agosto/80 e março/81 (a minha), e o chope foi para lá de divertido. O mote foi a visita da querida amiga Denise Marcolino, hoje radicada em SP, a estas praias cariocas. Estavam lá José Figueiredo, o eterno Fig, Júlia, Carter Anderson, Angélica, Ricardo Cabral, Márcia Elena, Dudu Feijó, Augusto e outros convivas. Arnaldo Bloch deu também uma rápida passada na área. Planeja-se uma grande festa ecoína em novembro, me informa o Fig.
Quero agradecer de todo o coração aos amigos e amigas que estão dando uma força à campanha do Cadafalso para transformar os bits de poesia nas páginas de um livro. Com essas ajudas valorosas, a gente uma hora chega lá.

31.8.03

Vou botar o bloco na rua.
Quem se habilita?

30.8.03

Encontro e instante

(para alguém que é pura vida, em todos os sentidos)

Despertou devagar numa praia grega
a lembrança do vinho com mel ainda em seus olhos
a dor de abandonar o sonho
como afastamos o cobertor tépido ao laçar a vida
todos os dias
para que nos arraste.

olhou o oceano perfeito
e sentiu-se velho.
então, sem mais, ela saiu da água
e mirou-o com toda a sua juventude irrequieta.

Ela se aproximou e sorriu, curiosa.
Sua pele era límpida como o marfim de Calecute
e suas palavras, melífluas e ansiosas
como o canto de certos pássaros
que ainda não perceberam seu cativeiro.

Ele ouviu maravilhado suas perguntas
e pensou em responder por artifícios.
Mas qual.
Lembrou-se de sua própria juventude distante
E preferiu fazê-la rir.

Ali, na areia onde pisara Apolo,
sua vida mudou de tom por um instante.
E ela o presenteou
com o esquecimento.
Pronto, pus mais uma família de comentários aí embaixo. Quando o Yaccs voltar, haverá duas opções para os amigos deste blog. Não dava mais para ficar só com um tipo de sistema.
Blogs, Universos em Prosa, um livro digital copyleft

Blogs, Universos em Prosa, um livro digital copyleft

Uma idéia muito legal da Rossana, de que tive a honra de participar com uma pequena declaração.

29.8.03



Na redação, a gALLera do Infoetc em foto de 2001: Luizinha, Cora, eu, Elis e Mr. Balbio.
Existem amigos que nos comovem mesmo à distância. É o caso de Alessandra Archer, com quem me sinto absolutamente incapaz de ficar chateado, mesmo sem vê-la há quase três meses. É impossível não adorar alguém capaz de escrever algo assim:

"Ela precisava falar sobre isso. Queria dizer que os sons a olhavam cabisbaixos. Às vezes desconfiavam que ela os ouvia. Mas como, se é absolutamente surda? Com os olhos castanhos avermelhados de choro ela os olhava sem calor. Queria ouvi-los, sim. Esforçava-se para entendê-los. E tudo o que conseguia era imprimir papéis e mais papéis cheios de histórias e poesias. Juntava letras com um teclado e considerava muito mais fácil do que abrir sua boca e cuspir palavras. Elaborava-as, buscando explicações para tudo o que não conseguiria nunca desenrolar em sua mudez doentia. talvez por isso seus textos vinham sempre com as mais belas e ousadas palavras. Contos tingidos de verde, aromatizados ou com sabor chocolate. Mas agora estava com um nó na garganta e só dispunha de cinco minutos para digitar qualquer coisa rápida, qualquer coisa que a desengasgasse por algum tempo. E iria fazê-lo. E estava certa de que conseguiria. E foi por isso que sua mãe a ouviu, pela primeira vez, dizendo que a amava."

Oh boy.
Este post foi feito sem fio, com a ajuda do Partner da Gradiente da tia Cora, definitivamente uma maravilha..

27.8.03

Mais uma ida e volta a Sampa, ontem, a trabalho. Estava um frio danado por lá. Felizmente o evento que fui cobrir aconteceu num hotel.
O curioso foi quando recebi o código para minha passagem para a ponte aérea: ele terminava com as letras "fique". Se eu fosse supersticioso, não voava de jeito nenhum. Mas, como acredito que a hora de se ir deste mundo já está registrada num alfarrábio qualquer em outra dimensão, não hesitei e segui em frente.
Valeu a pena: o trabalho foi tranqüilo e a companhia, agradável. Revi, além dos coleguinhas de SP, a moçada de Brasília, Recife e Belo Horizonte.

25.8.03

Entretanto, quando as hostes inimigas se aproximam, o sangue sobe junto com a determinação de resistir.
É hipnótica, vez por outra, a tentação de dizer adeus.

21.8.03

Pergunta para vocês:

Por que se diz que o amor não pode nascer de uma grande amizade, se todo amor verdadeiro se transforma, como o tempo, justamente numa amizade inabalável?

20.8.03

Lonely

O ciúme agitou-se em meus rins
na alvorada de tua decisão;
eu a queria inteira
queria a chave criptográfica de tua alma.

Mas quem há de ouvir os protestos de um poeta?
Quem leva a sério o encantador de palavras?
Teu amor me impregnou; foi meu erro.

E agora tu beijas teu futuro
e eu fito o horizonte
e choro sobre os palácios de brisa que ergui.

18.8.03

Mais uma semana "animada" no trabalho. Vou a SP e volto e tenho mil outras coisas para ver. Pelo menos o Mr. Balbio está de volta. May the Lord be praised! ;-)

14.8.03

Em agitada correria profissional nos últimos dias. A semana está recheada de matérias ;-).

11.8.03

Eu não costumo postar aqui qualquer tipo de corrente no estilo "fofinha". Mas a Alesinha, uma figura maravilhosa, me mandou um email que realmente me fez rir. Vou dividi-lo com vocês:

"Trate seu amor como você trata seu melhor amigo".

Sei que isso parece falta de romantismo, mas é o conselho mais certeiro.
Não era você que estava a fim de uma relação serena e plenamente satisfatória? Taí o caminho.
Vamos tentar elucidar como isso se dá na prática.
(...)
Você foi convidado para o casamento de uma prima distante que mora onde Judas perdeu as botas, você tem que ir porque ela chamou você pra padrinho.
Como é que os casais costumam combinar isso?
"Não tem como escapar, você vai comigo e pronto".
Ou seja, um põe o outro no programa de índio e nem quer saber de conversa.
É assim que você convidaria seu melhor amigo? Não. Você diria:
"Putz, tenho uma roubada pela frente que você não imagina. Me dá uma força, vem
comigo, ao menos a gente dá umas risadas...".
Ficou bem mais simpático, não ficou?

Como esta, tem milhões de situações chatas que você pode aliviar, apenas moderando o tom das palavras.

Pro seu marido:
"Você nunca repara em mim, não deu pra notar que cortei o cabelo? Será que sou invisível?"
Mas pra sua melhor amiga: "Ai, pelo visto meu cabelo ficou medonho e você está me poupando, né? Pode dizer a verdade, eu agüento".

Pra sua mulher:
"Você já se deu conta da podridão que está este sofá? Não dá pra ver que está na hora de trocar o tecido?"
Mas pra sua melhor amiga:
"Deixa a pizza por minha conta, eu pago, assim você economiza pra lavar o sofá. A não ser que este seja um novo estilo de decoração..." Risos, risos, risos.

8.8.03

Perguntinha: vocês não acham que os nossos irmãos argentinos estão se dando melhor por lá com o Kirchner no leme?
Também dei um alô para minha querida Alessandra Archer, que não vejo desde junho. É uma vergonha o tempo que a gente passa longe dos amigos neste mundo corrido e cercado de tarefas e dívidas por todos os lados...
Acabei de falar por telefone com o Gustones, que está acamado, praticamente imobilizado, por uma hérnia de disco terrível. Espero que você fique bom logo, meu caro, porque está fazendo falta para caramba.

7.8.03

Para quem curte ciência: entrevistei uma figura muito interessante para o "Informática etc" de segunda-feira. Acredito que vale a pena dar uma olhada no que ele diz.

E mais não conto, para não estragar a surpresa. ;-)
Vai com Deus, dr. Roberto. Faço minhas as palavras do Chico Anysio: que o Espírito ilumine seus herdeiros e lhes dê a mesma sabedoria, a mesma capacidade administrativa que o senhor teve.

* * *

A tristeza no Globo hoje me lembra a tristeza da Manchete quando perdeu Adolpho Bloch em 19 de novembro de 1995. Nunca mais vou esquecer essa data, porque no dia seguinte, meu sogro, que eu adorava, teve um enfarte fulminante. Foi um dos piores momentos da minha vida.

6.8.03

Transcrito do Globo de hoje. Pode ter passado desapercebido com Elio Gaspari e Zuenir Ventura na mesma página:

"Contas que não fecham

Antonio Conrado

Se você é um trabalhador da iniciativa privada e começou sua vida profissional antes de junho de 1989, contribuindo para receber 20 salários-mínimos quando se aposentasse, fique perplexo com o “espetáculo de injustiça” a que estamos assistindo.

Recorrendo a analogias na busca de maior clareza, pergunto se é justo você comprar, por exemplo, um apartamento de cinco quartos, pagar por diversos anos a respectiva prestação e, ao longo do tempo, o incorporador unilateralmente reduzir o tamanho do apartamento e a respectiva prestação para dois quartos.

Pergunto, respeitosamente, aos representantes dos três poderes da República que leram até aqui este despretensioso artigo: o que V. Ex. decidiria se um reclamante demandasse ou a manutenção do inicialmente acordado (cinco quartos) ou a devolução das prestações pagas em excesso (cinco versus dois quartos), ou algum critério mais justo tipo pró-rata?

Pois bem, acompanho com interesse as atuais pertinentes e necessárias discussões da reforma da Previdência e o direito de diferentes grupos defenderem os seus pleitos. É a democracia em pleno funcionamento.

Em nenhum momento, porém, li ou escutei algum membro de um partido político, de uma central sindical, do Judiciário, do Executivo, que se indignasse com a usurpação do direito e/ou expectativa de direito, nem com a apropriação indébita das contribuições feitas pelos trabalhadores que iniciaram, como disse anteriormente, sua vida profissional como empregado de uma empresa privada e pagando, insisto, contribuindo, para ter 20 salários de aposentadoria. Hoje, o teto dessas aposentadorias corresponde a 7,8 salários-mínimos.

Há jurisprudência firmada no sentido de que as condições de aposentadoria são definidas pela legislação em vigor na data de início da dita cuja. Portanto, hipoteticamente, por absurdo e no limite, se você quiser trabalhar 35 anos, e após 34 anos e 11 meses (a um mês de sua aposentadoria) mudasse a legislação com redução de sua pensão, seu benefício seria o novo valor e você receberia um sonoro adeus para aquelas contribuições pagas a maior.

Está aí uma bandeira que considero justa e que, respeitosamente, gostaria que fosse defendida pelos três poderes e pelas centrais sindicais: ou a devolução das contribuições corrigidas pagas a maior, ou a correção do benefício segundo um critério pró-rata em relação a todas as contribuições feitas. Teria uma sensação de proteção maior vendo um “radical” subindo em um caminhão de som e uma ameaça de greve de uma central sindical nessa defesa.

E para aqueles mais ligados à vida político-partidária, sugiro que alguém crie o PTIPRI, Partido dos Trabalhadores da Iniciativa Privada. Para os mais ligados ao mundo sindical, a fundação da CUTIPRI, Central Única dos Trabalhadores da Iniciativa Privada. Talvez as adesões fossem significativas."

5.8.03

La solitude est une belle chose; mais il faut quelqu'un pour vous dire que la solitude est une belle chose.

Balzac

3.8.03

Não seja esposa, nem mãe hoje. Seja apenas aquela namorada serelepe que me tirou do sério milhões de vezes. Seja inconseqüente, exuberante, engraçada, impetuosa. Faz de conta que a gente não sabe como a história termina e ainda acredita que pode muito bem não haver outro encontro amanhã, pela razão mais frívola. Não fale de sua família, nem da minha. Deixe o exame de vista da caçula para lá. Esconda os mangás da adolescente, só pra provocá-la. Não faça as contas -- matemática é antitesão.

Apenas venha cá, me abrace e cante comigo: let it roll, babe, roll... all night long.

1.8.03

Estava vendo um show do Queen na TV madrugada dessas, com a banda no auge da forma, cheia de eletricidade em seu rock and roll, quando eles tocaram "Tie your mother down". Fiquei rindo sozinho, lembrando de um show a que assisti nos anos 90 no Circo Voador, com uma banda tocando uma versão brasileira bem-humorada desta música, chamada "Traia o maridão"...

Eu estive na coletiva da banda no Rock in Rio I, em janeiro de 1985. Dos quatro, o mais simpático foi de longe o guitarrista Brian May, contando o porre que tomara no avião. May sempre me pareceu um elfo tocando guitarra, com aquela altura toda. O dele é um dos timbres mais singulares do rock.

31.7.03

Níver de Cora Rónai hoje. O Guardião dos Cadafalsos, que a adora, lhe envia muitos beijos, com desejos de felicidades todos os dias de sua vida.

29.7.03

Dia de ficar triste

Dia de ficar triste, hoje;
dia de desassossego e muxoxos
dia de tentar encher com a areia da nonchalance
a cratera que você acaba de abrir em minha testa
com meia-dúzia de palavras.

Ah, mas a vida do poeta é assim:
o eterno remoinho do amor perdido
dos afãs jogados às hienas
fecundando o pericárdio
e fazendo brotar novos versos
cheios de frescor e crueldade.

Aquele cujo amor é difuso como o jato do prisma
tem sob as melenas o sinal do sofrimento
e deve se quedar só,
à beira dos mares de ácido.

28.7.03

Estou melhor, após um fim de semana recolhido em casa.
Quando estava escolhendo os filmes a que ia assistir, me deparei com um DVD de um show da Donna Summer para o VH1. Não resisti. E o show é sensacional, com aquele balanço inesquecível dos anos 70, uma década em que até o bate-estaca se fazia com classe, harmonia e melodia. No repertório, "McArthur Park", "I Feel Love", "Bad Girls", "Dim All The Lights", "She Works Hard For The Money" e "Last Dance".

25.7.03

Ontem tive de voltar para casa mais cedo: fui vítima de terrível virose. Febre -- daquelas que dão ondas de arrepios na gente -- dores no corpo, garganta ardente, moleza geral. Fiquei na cama até anoitecer, acordei, jantei, dormi de novo. Acordei empapado de suor, felizmente sem febre. No fim de semana vou ver se me recupero mais.

23.7.03

Comprei ontem -- sabem aquelas compras compulsivas, sem titubear, em que a gente tira tudo que tem da carteira e dá na hora, porque é impossível resistir? -- o novo CD do superguitarrista de rua Sérgio Bap, um dos melhores guitarristas de blues que já ouvi na vida. Da primeira vez que o ouvi, estava na rua São José e fui arrastado até ele pelas invencíveis terças num solo genial. Ontem, passava pela Praça XV e eis que o homem estava lá. Não deu para resistir: comprei o volume 3 de sua coleção "Sentimental Blues". Já tenho o 1, agora só falta o 2. Mas isso não tardará ;-))

Deus, que país é esse onde um instrumentista como Bap fica tocando assim, na rua?

22.7.03

Mais Gide:

"Cada ação perfeita se acompanha de volúpia. É por onde reconheces que a devias ter feito. Não gosto nada dos que encaram como um mérito ter penosamente obrado, pois se era penoso teriam andado melhor fazendo outra coisa. A alegria que se encontra em ter agido é sinal da propriedade do trabalho."

(...)

"Não quero que me digas: vem, preparei-te tal ou qual alegria; não gosto mais senão das alegrias casuais, e as que minha voz faz que jorrem do rochedo. Escorrerão assim para nós, novas e fortes, como os vinhos fortes abundam no lagar."

21.7.03

O homem cordato

Os escribas narram atos de sangue
um tanto chocados
como se de fato existisse
o homem cordato
quando tal ser
é primo dos unicórnios.

Esquecem
ou fingem que esquecem
que no cerne somos todos bárbaros
e mesmo o mais são da espécie
pode abraçar a loucura das turbas.

Mesmo o sexo é um embate
onde se alternam o domínio e a entrega;
e há batalhas renhidas
de divisões inteiras de poros arrebitados
nos campos acidentados dos lençóis.

Passar-se-ão milhares de anos
até que tais almas forjadas por sabres e cimitarras
sejam realmente esculpidas pelo Espírito.
Mas talvez, então,
já não sejamos mais os arrogantes sapiens.

18.7.03

Longe

Hora de ficar longe
e raciocinar -- o melhor antídoto
para seus olhos.
Porque se ficar perto
eu vou querer chupá-los
até a última gota de córnea.

Você expressa no papel roto
o sentimento inevitável
-- mas não tangível --
e eu derramo bits de tristeza.

Por isso é hora do eu distante;
hora de sentar à escrivaninha
e fazer cálculos estéreis
e pensar no que comer
e olhar desenhos animados.

15.7.03

E Gustones, o superguitarman, está de volta ao bloguniverse. Long live rock and roll!
Niver da Maryzinha Fabriani hoje. Parabéns, querida. É sempre um deleite visitar sua página. Beijos do Guardião.

14.7.03

Fala, moçada. Voltei. Dei uma relaxada básica nas férias, resolvi alguns contratempos (infelizmente, férias também servem para isso) e mandei fazer uns óculos novos para blogar melhor aqui.

E vamos logo poetar, que é hora:

Saiba

O amor por você subiu no meu sangue
como um licor doce-amargo
e eu expulsei a vergonha
de meus lábios apertados:
pedi, implorei, gritei pelo seu beijo
-- não qualquer beijo,
mas Aquele que dissesse tudo
que nutrisse a tempestade
que eletrificasse o tato
que inundasse sua boca de poesia
como você veste minha alma friorenta
com suas palavras recheadas
da mais bela loucura
do mais puro desvario.

Ah! e você teve medo.
Perdoe.
Mea culpa, mea culpa.
Não posso esperar que me acompanhem
everest acima
ou vesúvio abaixo
sem uma grossa corda de cânhamo.

Mas saiba disto:
você me perturba
e invade meus sonhos
e me faz tremer de desejo.