você quase não sabia quem era
e repetia que nada tinha a ver com isso
não lembrou o nome de sua porquinha-da-índia
e desfiou o pranto do não-quero-ir
minha alma estava no chão contigo
e meus braços mal se moviam, como os seus
o passo lento era o descompasso na minha aorta
e as paredes brancas geladas, a apoteose da razão puta.
a fragilidade enlouquece.
falta açúcar
falta açúcar
falta açúcar
falta açúcar
falta preparo para as Fronteiras.
7.6.09
16.5.09
Outro dia reencontrei na internet "A song for you", dos Carpenters, que há muito não ouvia. Tenho voltado a ela, e toda vez sinto arrepios com a voz de Karen. Que tristeza ela ter ido embora aos 32 anos; com toda a certeza o Espírito foi egoísta e quis que sua voz soasse a Seu lado por toda a eternidade.
Aqui embaixo, pelo menos, temos as gravações para lembrar.
Aqui embaixo, pelo menos, temos as gravações para lembrar.
20.4.09
Já viajei muito mundo afora para eventos de tecnologia. Quando sobra algum tempo livre, procuro dar uma olhada na cidade onde estou, aspirar um pouco de sua vida e cultura, sentir que estou inserido no mundo, perceber que existem à nossa volta outros pontos de vista, outras formas de lidar com a existência. Elas podem estar nas pessoas e também nas obras que elas construíram, nos prédios em volta, nas praças, nas ruas, nos meios de transporte... E até no próprio clima, tão diverso e caprichoso em lugares por vezes tão próximos.
Sou do tempo em que o Fernando Sabino tinha uma coluna no GLOBO e, como viajava muito, volta e meia relatava suas peripécias e impressões dos lugares onde se encontrava. As crônicas do escritor mineiro me faziam viajar com ele, assim como qualquer bom livro. E, quando comecei a viajar mais amiúde, mercê de minha profissão, as câmeras fotográficas digitais ainda não estavam difundidas. As pessoas tinham tempo de parar, olhar e refletir sobre o que estavam observando.
Tenho um perfil um pouco diferente de meus colegas que escrevem sobre tecnologia. Alguns deles, quando têm uma folga das entrevistas e sessões comuns em nossa lida cotidiana, aproveitam para sair em direção aos bairros que abrigam lojas de informática, para obter o último modelo deste ou daquele gadget. Já eu prefiro os lugares históricos, gosto de mergulhar na cultura de um país, por mais exíguo que seja o intervalo. Ainda hoje me lembro de minha visita à catedral de Santo Estêvão, em Viena, Áustria, uma das construções em estilo gótico mais importantes da Europa. A igreja é sombria e sua nave é altíssima; tumbas de fundadores de dinastias de imperadores austríacos ladeiam o altar; e há um púlpito maravilhosamente esculpido, com animais como sapos, cobras e outros no corrimão das escadas, representando os maus pensamentos que o padre poderia ter antes de subir e fazer seu sermão. No alto, dois cães evitam que esses maus pensamentos tomem o púlpito, garantindo ao pároco seu devido estado de contemplação espiritual. A igreja começou a ser construída em 1137 e tem uma torre de 136 metros.
Cito tudo isso de memória; não tirei uma fotografia sequer do lugar. E olhem que minha viagem foi em 1995. Por que relembro tudo isso? Porque hoje, se por um lado as pessoas ainda têm tempo de parar e observar as coisas a sua volta, elas preferem desperdiçar esse tempo fotografando freneticamente tudo o que as cerca. A possibilidade de fazer dezenas, quiçá centenas de fotos num curto período -- e fotos de alta qualidade, dado o salto constante nos megapixels das câmeras digitais -- parece ter enlouquecido as pessoas, que andam com uma sanha de registrar lembranças de tudo com suas máquinas de última geração.
Mas será que registram mesmo? As câmeras, com certeza, registram; já os cérebros...bem, tenho minhas dúvidas. Você já conheceu alguém que acaba de ler um livro e, questionado sobre seu enredo, não sabe responder bem como é a história? Pois bem, me parece que a ânsia fotográfica dos viajantes lhes está roubando o prazer de deixar o ambiente adentrar seus pensamentos, de refletir sobre ele, de fazer comparações. (Por exemplo, no caso da catedral vienense, eu fiquei pensando em como o astral era diferente do nosso conhecido barroco brasileiro, tão bem representado em Minas e na Bahia, e no quanto isso tinha a ver com as mentalidades dos países.) É desse impacto estritamente pessoal e intransferível que uma lembrança, uma legítima memória, é feita. Não do clique-clique-clique incessante que enquadra uma realidade passível de ser muito mais ampla. Na verdade, a fotografia cria uma outra realidade no momento em que tocamos o disparador. Não é a mesma coisa estar num lugar e estar numa foto do lugar; são duas situações bem distintas. Além do mais, o enquadramento recorta da imagem ângulos que nossos pensamentos e emoções, se deixados soltos, poderiam examinar melhor.
Walter Benjamin, filósofo alemão que refletiu, nos anos 30, sobre a indústria cultural, dizia que a fotografia jamais teria a aura de uma pintura, que eterniza um único momento e é única, daí a idéia de autenticidade que permeia toda obra de arte. Da mesma forma, a reprodução fotográfica de um momento único numa viagem não é a mesma coisa que este momento único.
Será esta a razão por que nossa memória parece falhar mais hoje em dia do que antigamente? Tanta informação disponível parece livrar-nos da necessidade de guardar ou decorar alguma coisa, ainda que gostemos muito dela. Da mesma forma, tantas imagens parecem livrar-nos da necessidade de experimentar uma recordação genuína, vivenciada diretamente por nossos olhos, por nosso corpo, e não com o visor da câmera como intermediário. Ele jamais pode tomar o lugar de nossas retinas.
Vejam bem, não estou criticando os amantes da fotografia, até porque trabalho com alguns muito dedicados. Mas quem realmente ama a fotografia também ama o real que o cerca -- contempla-o e percebe-o muito bem antes de tentar enquadrá-lo. Não é o caso do viajante incidental, que quer fotografar o máximo e contemplar o mínimo. Acredito que é preciso rever esse tipo de relação dependente da tecnologia -- e talvez isso possa valer para outros exemplos, como o do telefone celular, que, embora necessário, é muito usado em ligações banais e sem qualquer propósito. (Qualquer um que já ouviu um ser mal-educado atendendo um celular no cinema ou no teatro há de concordar comigo.)
A beleza da tecnologia é ser uma extensão de nós, uma senhora ferramenta. Não se pode perder isso de vista. Sem dúvida a vida digital pode ser maravilhosa. Eu posso testemunhar. Tenho amigas que só conheço por e-mail, e trocamos cartas em que muito de nossas vidas é desfiado. Mas sou igualmente sortudo a ponto de ter "puxado" outras para a vida real -- e, embora nos falemos por e-mail também, nada substitui um almoço ao vivo e a possibilidade de tocar suas mãos para expressar a grande alegria de conviver com alguém muito estimado.
(Publicado originalmente no Fórum PCs)
Sou do tempo em que o Fernando Sabino tinha uma coluna no GLOBO e, como viajava muito, volta e meia relatava suas peripécias e impressões dos lugares onde se encontrava. As crônicas do escritor mineiro me faziam viajar com ele, assim como qualquer bom livro. E, quando comecei a viajar mais amiúde, mercê de minha profissão, as câmeras fotográficas digitais ainda não estavam difundidas. As pessoas tinham tempo de parar, olhar e refletir sobre o que estavam observando.
Tenho um perfil um pouco diferente de meus colegas que escrevem sobre tecnologia. Alguns deles, quando têm uma folga das entrevistas e sessões comuns em nossa lida cotidiana, aproveitam para sair em direção aos bairros que abrigam lojas de informática, para obter o último modelo deste ou daquele gadget. Já eu prefiro os lugares históricos, gosto de mergulhar na cultura de um país, por mais exíguo que seja o intervalo. Ainda hoje me lembro de minha visita à catedral de Santo Estêvão, em Viena, Áustria, uma das construções em estilo gótico mais importantes da Europa. A igreja é sombria e sua nave é altíssima; tumbas de fundadores de dinastias de imperadores austríacos ladeiam o altar; e há um púlpito maravilhosamente esculpido, com animais como sapos, cobras e outros no corrimão das escadas, representando os maus pensamentos que o padre poderia ter antes de subir e fazer seu sermão. No alto, dois cães evitam que esses maus pensamentos tomem o púlpito, garantindo ao pároco seu devido estado de contemplação espiritual. A igreja começou a ser construída em 1137 e tem uma torre de 136 metros.
Cito tudo isso de memória; não tirei uma fotografia sequer do lugar. E olhem que minha viagem foi em 1995. Por que relembro tudo isso? Porque hoje, se por um lado as pessoas ainda têm tempo de parar e observar as coisas a sua volta, elas preferem desperdiçar esse tempo fotografando freneticamente tudo o que as cerca. A possibilidade de fazer dezenas, quiçá centenas de fotos num curto período -- e fotos de alta qualidade, dado o salto constante nos megapixels das câmeras digitais -- parece ter enlouquecido as pessoas, que andam com uma sanha de registrar lembranças de tudo com suas máquinas de última geração.
Mas será que registram mesmo? As câmeras, com certeza, registram; já os cérebros...bem, tenho minhas dúvidas. Você já conheceu alguém que acaba de ler um livro e, questionado sobre seu enredo, não sabe responder bem como é a história? Pois bem, me parece que a ânsia fotográfica dos viajantes lhes está roubando o prazer de deixar o ambiente adentrar seus pensamentos, de refletir sobre ele, de fazer comparações. (Por exemplo, no caso da catedral vienense, eu fiquei pensando em como o astral era diferente do nosso conhecido barroco brasileiro, tão bem representado em Minas e na Bahia, e no quanto isso tinha a ver com as mentalidades dos países.) É desse impacto estritamente pessoal e intransferível que uma lembrança, uma legítima memória, é feita. Não do clique-clique-clique incessante que enquadra uma realidade passível de ser muito mais ampla. Na verdade, a fotografia cria uma outra realidade no momento em que tocamos o disparador. Não é a mesma coisa estar num lugar e estar numa foto do lugar; são duas situações bem distintas. Além do mais, o enquadramento recorta da imagem ângulos que nossos pensamentos e emoções, se deixados soltos, poderiam examinar melhor.
Walter Benjamin, filósofo alemão que refletiu, nos anos 30, sobre a indústria cultural, dizia que a fotografia jamais teria a aura de uma pintura, que eterniza um único momento e é única, daí a idéia de autenticidade que permeia toda obra de arte. Da mesma forma, a reprodução fotográfica de um momento único numa viagem não é a mesma coisa que este momento único.
Será esta a razão por que nossa memória parece falhar mais hoje em dia do que antigamente? Tanta informação disponível parece livrar-nos da necessidade de guardar ou decorar alguma coisa, ainda que gostemos muito dela. Da mesma forma, tantas imagens parecem livrar-nos da necessidade de experimentar uma recordação genuína, vivenciada diretamente por nossos olhos, por nosso corpo, e não com o visor da câmera como intermediário. Ele jamais pode tomar o lugar de nossas retinas.
Vejam bem, não estou criticando os amantes da fotografia, até porque trabalho com alguns muito dedicados. Mas quem realmente ama a fotografia também ama o real que o cerca -- contempla-o e percebe-o muito bem antes de tentar enquadrá-lo. Não é o caso do viajante incidental, que quer fotografar o máximo e contemplar o mínimo. Acredito que é preciso rever esse tipo de relação dependente da tecnologia -- e talvez isso possa valer para outros exemplos, como o do telefone celular, que, embora necessário, é muito usado em ligações banais e sem qualquer propósito. (Qualquer um que já ouviu um ser mal-educado atendendo um celular no cinema ou no teatro há de concordar comigo.)
A beleza da tecnologia é ser uma extensão de nós, uma senhora ferramenta. Não se pode perder isso de vista. Sem dúvida a vida digital pode ser maravilhosa. Eu posso testemunhar. Tenho amigas que só conheço por e-mail, e trocamos cartas em que muito de nossas vidas é desfiado. Mas sou igualmente sortudo a ponto de ter "puxado" outras para a vida real -- e, embora nos falemos por e-mail também, nada substitui um almoço ao vivo e a possibilidade de tocar suas mãos para expressar a grande alegria de conviver com alguém muito estimado.
(Publicado originalmente no Fórum PCs)
18.3.09
3.2.09
Casamento não é para amadores. De repente, no meio da madrugada, você pode descobrir o quão miserável tornou a vida de quem acreditava amar. E se senta na cama, murmurando para si mesmo, horrorizado.
* * *
A propósito, o melhor filme sobre a falência de um casamento é "Foi apenas um sonho" ("Revolutionary Road"), com Leonardo DiCaprio e Kate Winslet. É de sair do cinema completamente arrasado.
Se, em "Beleza americana", o diretor Sam Mendes jogava com o humor em meio à tragédia, neste aqui quase não há espaço para o riso. Tudo é pesado, angustiante, tenso. E o personagem de Michael Shannon, um sujeito com problemas psiquiátricos, é quem descobre e fala a verdade, sempre. Como na frase "Vazio sem esperança. Agora você disse tudo. Muita gente sente o vazio, mas é preciso ter colhões para para ver a falta de esperança."
* * *
O inferno da vida a dois está nos detalhes. Mas o filme mostra como esses detalhes refletem a montanha de frustrações individuais que envenenam um relacionamento. É terrível e, pior, é real.
A questão é, quando você vive só, pode passar sua vida inteira sem perceber toda essa complexidade embutida nos seus mínimos gestos; viver com alguém é dar a cara a tapa, porque essa pessoa (a não ser que seja uma completa egocêntrica) vai desnudar todos os podres de sua alma, sem piedade. Com sorte, a gente se casa com alguém que fala e bota para fora os sapos com alguma regularidade; pode ser salutar. O ruim é se casar com quem fica engolindo sapos por anos e depois regurgita tudo em cima de você. Aí o tombo é sério e paralisante.
* * *
A propósito, o melhor filme sobre a falência de um casamento é "Foi apenas um sonho" ("Revolutionary Road"), com Leonardo DiCaprio e Kate Winslet. É de sair do cinema completamente arrasado.
Se, em "Beleza americana", o diretor Sam Mendes jogava com o humor em meio à tragédia, neste aqui quase não há espaço para o riso. Tudo é pesado, angustiante, tenso. E o personagem de Michael Shannon, um sujeito com problemas psiquiátricos, é quem descobre e fala a verdade, sempre. Como na frase "Vazio sem esperança. Agora você disse tudo. Muita gente sente o vazio, mas é preciso ter colhões para para ver a falta de esperança."
* * *
O inferno da vida a dois está nos detalhes. Mas o filme mostra como esses detalhes refletem a montanha de frustrações individuais que envenenam um relacionamento. É terrível e, pior, é real.
A questão é, quando você vive só, pode passar sua vida inteira sem perceber toda essa complexidade embutida nos seus mínimos gestos; viver com alguém é dar a cara a tapa, porque essa pessoa (a não ser que seja uma completa egocêntrica) vai desnudar todos os podres de sua alma, sem piedade. Com sorte, a gente se casa com alguém que fala e bota para fora os sapos com alguma regularidade; pode ser salutar. O ruim é se casar com quem fica engolindo sapos por anos e depois regurgita tudo em cima de você. Aí o tombo é sério e paralisante.
2.1.09
10.12.08
17.11.08
31.10.08
Estou de volta das férias que tirei este mês. Tive uma grande alegria esta semana ao dar uma canja no show de meu velho parceiro Hélcio Luiz, que lançou um DVD no qual reviveu muitas das músicas que compus para nossa antiga banda, o Estrada Fróes. Cantei com ele uma canção que escrevi em 1980, "Loucura geral", e foi um momento bem animado. Eu não cantava a música há uns vinte anos, mas ainda me lembro da letra.
Minha filha Jessica filmou o evento, mas o som ficou muito impreciso na câmera dela. Vou tentar obter umas fotos do vídeo e postar aqui, depois.
Minha filha Jessica filmou o evento, mas o som ficou muito impreciso na câmera dela. Vou tentar obter umas fotos do vídeo e postar aqui, depois.
3.10.08
21.9.08
18.9.08
16.9.08
Não se reconheceu no espelho
na oitava manhã:
estava ali, em seu lugar,
um velho casmurro
e ressentido.
Lembrou-se das palavras da mulher:
"você voltará muitas vezes ainda",
que sempre lhe tinham soado como maldição.
Em algum ponto da estrada assombrada
perdera o mapa e, orgulhoso,
não quis pedir informação.
Deu no que deu:
aquela cara no vidro polido
espreitando
meio que rindo
da própria desventura.
na oitava manhã:
estava ali, em seu lugar,
um velho casmurro
e ressentido.
Lembrou-se das palavras da mulher:
"você voltará muitas vezes ainda",
que sempre lhe tinham soado como maldição.
Em algum ponto da estrada assombrada
perdera o mapa e, orgulhoso,
não quis pedir informação.
Deu no que deu:
aquela cara no vidro polido
espreitando
meio que rindo
da própria desventura.
5.9.08
24.8.08
13.8.08
6.8.08
Estou tão quieto hoje
que ouço o fantasma atrás do guarda-roupa;
ele ri
enquanto joga cartas com a rainha Ana.
Penso de novo em sua magia terrível
e se um dia serei livre;
acho que não.
Mulher, você aprendeu pela metade
suas artes;
Soube agrilhoar-me
mas perdeu o contra-feitiço.
Oh, eu sei o que você dirá:
"é tudo da sua cabeça"
mas não.
eu a amo com um desespero
que jamais me visitou antes;
estou perdido
como Ricardo III
descendo Bosworth Field
em sua última investida.
mas nem esse último ato feroz
sou capaz de cometer:
calo, o rosto fervendo,
e ouço o riso
do fantasma atrás do guarda-roupa.
que ouço o fantasma atrás do guarda-roupa;
ele ri
enquanto joga cartas com a rainha Ana.
Penso de novo em sua magia terrível
e se um dia serei livre;
acho que não.
Mulher, você aprendeu pela metade
suas artes;
Soube agrilhoar-me
mas perdeu o contra-feitiço.
Oh, eu sei o que você dirá:
"é tudo da sua cabeça"
mas não.
eu a amo com um desespero
que jamais me visitou antes;
estou perdido
como Ricardo III
descendo Bosworth Field
em sua última investida.
mas nem esse último ato feroz
sou capaz de cometer:
calo, o rosto fervendo,
e ouço o riso
do fantasma atrás do guarda-roupa.
É bem verdade que na fase roqueira em que me encontro (sem falar no trabalho jornalístico) deixei meus Cadafalsos solitários em frias madrugadas; vou me esforçar para vir aqui mais vezes. É que meus poemas e contos são resultado de um estado de reflexão que é quase o inverso do processo musical.
Mas não posso perder a oportunidade musical, compreendam: neste momento, para mim, a música é como a amante que eu julgava perdida e retornou depois de mais de duas décadas de paradeiro ignorado. Eu estou fazendo tudo para agradar a essa Musa esquiva. Morro de medo de que ela vá embora de novo.
Mas não posso perder a oportunidade musical, compreendam: neste momento, para mim, a música é como a amante que eu julgava perdida e retornou depois de mais de duas décadas de paradeiro ignorado. Eu estou fazendo tudo para agradar a essa Musa esquiva. Morro de medo de que ela vá embora de novo.
26.7.08
Estava devendo este post há algum tempo: meu segundo CD já está em franco avanço. Já gravei cinco músicas, com uma produção muito interessante de meu parceiro Antônio Corrêa. Todas são composições novas, e estou entusiasmado com os resultados. Minha filha Jessica, depois de tanto tempo cantando em corais, está encarregada dos backing vocals, o que me permite exercitar meu lado pai coruja, é claro.
25.7.08
19.7.08
The Commitments - Midnight Hour
Para relembrar o maravilhoso filme de Alan Parker, que me fez chorar em várias cenas (lembrei-me de minha dura vida de músico amador nos anos 80). A cantora morena é a atriz Maria Doyle Kennedy, que está linda no filme e também arrasou como Catarina de Aragão na série "The Tudors".
Filmes sobre músicos e bandas sempre me emocionam, não tem jeito.
7.7.08
Para onde foste, Romance,
tu que deixaste meu mundo em perpétuo desfolhar?
Onde é teu esconderijo?
Descansas por acaso no leito da Aventura, ela mesma enfastiada?
Eu só encontro olhares inseguros e temerosos
por entre a neve suja do mundo sem ti;
ninguém capaz de rasgar o tecido do conforto
e dizer 'agora!' ao convite para mergulhar.
O sexo está em todas as esquinas
mas as almas permanecem enclausuradas
e ai daquele que se entrega:
é o pária da vez neste baile de máscaras apolíneas.
tu que deixaste meu mundo em perpétuo desfolhar?
Onde é teu esconderijo?
Descansas por acaso no leito da Aventura, ela mesma enfastiada?
Eu só encontro olhares inseguros e temerosos
por entre a neve suja do mundo sem ti;
ninguém capaz de rasgar o tecido do conforto
e dizer 'agora!' ao convite para mergulhar.
O sexo está em todas as esquinas
mas as almas permanecem enclausuradas
e ai daquele que se entrega:
é o pária da vez neste baile de máscaras apolíneas.
14.6.08
30.5.08
6.5.08
Você me entristece
ao pôr de lado meu amor
como um prato indesejado;
ao recusar a alegria
e preferir o desterro.
Você classifica o meu amor
como se ele fosse um animal exótico;
mas afetos não têm taxonomia
nem organograma.
Meu amor é como o mar,
ora furioso,
ora contemplativo;
ora encapelado,
ora um espelho;
capaz de beijar ilhas
e continentes.
É um pecado não espalhar esse amor
e represá-lo me torna presa de angústia;
de que me adianta a bela alvorada
se não posso mirar o sol no fundo de seus olhos?
Você me entristece
e faz abissal o meu tombo;
pois esta velha alma de cruzado
enxergou em você o graal da profecia.
ao pôr de lado meu amor
como um prato indesejado;
ao recusar a alegria
e preferir o desterro.
Você classifica o meu amor
como se ele fosse um animal exótico;
mas afetos não têm taxonomia
nem organograma.
Meu amor é como o mar,
ora furioso,
ora contemplativo;
ora encapelado,
ora um espelho;
capaz de beijar ilhas
e continentes.
É um pecado não espalhar esse amor
e represá-lo me torna presa de angústia;
de que me adianta a bela alvorada
se não posso mirar o sol no fundo de seus olhos?
Você me entristece
e faz abissal o meu tombo;
pois esta velha alma de cruzado
enxergou em você o graal da profecia.
30.4.08
De Woody Allen, hoje, na "Folha":
"Sempre senti que a vida é uma confusão muito grande. Tenho uma visão sombria e pessimista da vida e da fé do homem, da condição humana. Mas acho que há alguns oásis extremamente divertidos no meio dessa miragem. Há momentos de prazer e momentos que são divertidos, mas, basicamente, a vida é trágica."
"Sempre senti que a vida é uma confusão muito grande. Tenho uma visão sombria e pessimista da vida e da fé do homem, da condição humana. Mas acho que há alguns oásis extremamente divertidos no meio dessa miragem. Há momentos de prazer e momentos que são divertidos, mas, basicamente, a vida é trágica."
24.4.08
Num post mais abaixo, eu comentei que começara a gravação de meu segundo CD. Infelizmente, ela está emperrada, por uma série de motivos. Minha frustração é enorme, mas estou buscando alternativas. A música é como o ar para mim, agora que ela retornou depois de um longo silêncio interior.
Tenho estado tão frustrado que ontem sonhei que estava tocando num show com Eric Clapton. O sonho deveria ter me deixado alegre, mas foi tenso, na verdade. Bom, pelo menos sonhei alto. ;-)
Tenho estado tão frustrado que ontem sonhei que estava tocando num show com Eric Clapton. O sonho deveria ter me deixado alegre, mas foi tenso, na verdade. Bom, pelo menos sonhei alto. ;-)
23.4.08
É solitário aqui
sem os seus sonhos por perto
sem seus planos
sem sua voz intensa, seus olhos brilhantes;
é para você que escrevo, mulher singular.
O mundo passa a marcha e joga sua lama de costume
mas na mesa gasta a ele não mais pertencemos;
somos um com as estrelas tristes
com o beijo tiritante das utopias
com o Agora.
Ali não sou eu no espelho
-- você tudo muda ao erguer
a pálpebra
o vento
minha alma dormente.
Por isso é solitário aqui
sem minha pitonisa particular.
sem os seus sonhos por perto
sem seus planos
sem sua voz intensa, seus olhos brilhantes;
é para você que escrevo, mulher singular.
O mundo passa a marcha e joga sua lama de costume
mas na mesa gasta a ele não mais pertencemos;
somos um com as estrelas tristes
com o beijo tiritante das utopias
com o Agora.
Ali não sou eu no espelho
-- você tudo muda ao erguer
a pálpebra
o vento
minha alma dormente.
Por isso é solitário aqui
sem minha pitonisa particular.
Subo as escadas
trêmulo;
Ver-te-ei?
minha alma é
como uma guitarra
palhetada com violência
por keith richards
-- só que a melodia
é tocada na fumaça do teu cigarro.
Tenho saudades abissais
todos os dias
mas não te encontro em minha
lista de mensagens
repleta de missivas ao vento
de estranhos.
Por que sou assim?
Por que espero com ânsia
um abraço inteiro que nunca vem?
Amaldiçoados sejam
os delegados de convenções
que borram o poder amar
e nos enchem de estultices.
Quando deveria ser sempre
o que aquele guitarrista hebreu do Queens
cantou, vestido para matar:
I´m in love
And I feel so good
´Cause I need her
And I tell her so.
trêmulo;
Ver-te-ei?
minha alma é
como uma guitarra
palhetada com violência
por keith richards
-- só que a melodia
é tocada na fumaça do teu cigarro.
Tenho saudades abissais
todos os dias
mas não te encontro em minha
lista de mensagens
repleta de missivas ao vento
de estranhos.
Por que sou assim?
Por que espero com ânsia
um abraço inteiro que nunca vem?
Amaldiçoados sejam
os delegados de convenções
que borram o poder amar
e nos enchem de estultices.
Quando deveria ser sempre
o que aquele guitarrista hebreu do Queens
cantou, vestido para matar:
I´m in love
And I feel so good
´Cause I need her
And I tell her so.
22.4.08
Ontem foi o aniversário do meu prezado Carlos Brito. Nada como um dia de cerveja, conversas e reencontro de amigos que não se vêem há tempos. Foi uma das melhores festas a que já fui. E é uma pena que essa turma se encontre tão raramente; nesse mundo de trabalho em excesso e prazer de menos, estar com os amigos é fundamental e não pode ser negligenciado.
Não é todo dia que conhecemos pessoas de quem podemos esperar a verdade, sempre, ainda que doída. Este privilégio me foi concedido recentemente, e mexeu um bocado com a minha cabeça. O resultado é uma grande inspiração que revoluteia pela minha cabeça como partículas quânticas em incrível velocidade. Nem tudo o que penso se transforma em alguma coisa -- música ou poema --; mas meu cérebro está sempre cheio de coisas que quero (preciso) dizer a essa pessoa. Oxalá esse estado não me abandone, embora seja febril e tenda a me exaurir.
30.3.08
Às vezes eu penso que seria melhor ser um pessimista. O pessimista não espera nada da vida, nem dos outros. Quebra bem menos a cara. Eu, volta e meia, fico decepcionado com as pessoas, porque costumo gostar delas e vê-las sob uma ótica esperançosa.
Hoje estou realmente entristecido, porque fui tratado com frieza e absoluta falta de consideração por pessoas que até agora admirava e respeitava. Naturalmente, vou sobreviver; a gente sempre sobrevive. Mas sobrevive com mais alguns graus na escala do cinismo.
Hoje estou realmente entristecido, porque fui tratado com frieza e absoluta falta de consideração por pessoas que até agora admirava e respeitava. Naturalmente, vou sobreviver; a gente sempre sobrevive. Mas sobrevive com mais alguns graus na escala do cinismo.
27.3.08
Whitesnake - Burn
Esta versão de Whitesnake de "Burn" (do Deep Purple) em 2004, em Londres (com um pedacinho de "Stormbringer" no meio) é muito boa.
18.3.08
2.3.08
29.2.08
Tem aqueles dias
em que você olha em torno
e enxerga o futuro de tudo:
os cacos do amor
brilhando perigosos nos terrenos baldios
as certezas esmagadas
como pequenos animais imprudentes na estrada
seus desejos dos anos vinte
reduzidos a ervas daninhas
e nenhum amigo sobrevivente
capaz de ouvir o lamento de sua alma.
em que você olha em torno
e enxerga o futuro de tudo:
os cacos do amor
brilhando perigosos nos terrenos baldios
as certezas esmagadas
como pequenos animais imprudentes na estrada
seus desejos dos anos vinte
reduzidos a ervas daninhas
e nenhum amigo sobrevivente
capaz de ouvir o lamento de sua alma.
20.2.08
19.2.08
18.2.08
A culpa é do poeta
contraditório
como o mar parado
que devora
o observador distraído;
a culpa é do homem
solitário
e ainda assim com pavor de solidão;
a culpa é minha
e todas as noites, agora,
serão a última noite
antes do cadafalso.
a noite em que não se dorme
a noite em que se examina cada detalhe do catre
a noite em que nem as sombras nos querem ouvir.
Oh, sim, haverá aquela manhã
em que sairei para o sol
e não haverá nada na sala
a não ser os velhos jornais
o copo vazio cheirando a cerveja
e os óculos sem rosto nenhum por trás.
Não haverá nenhum patíbulo
a não ser o erigido dentro do meu peito
por minha alma distorcida
e desfigurada.
contraditório
como o mar parado
que devora
o observador distraído;
a culpa é do homem
solitário
e ainda assim com pavor de solidão;
a culpa é minha
e todas as noites, agora,
serão a última noite
antes do cadafalso.
a noite em que não se dorme
a noite em que se examina cada detalhe do catre
a noite em que nem as sombras nos querem ouvir.
Oh, sim, haverá aquela manhã
em que sairei para o sol
e não haverá nada na sala
a não ser os velhos jornais
o copo vazio cheirando a cerveja
e os óculos sem rosto nenhum por trás.
Não haverá nenhum patíbulo
a não ser o erigido dentro do meu peito
por minha alma distorcida
e desfigurada.
15.1.08
21.12.07




Finalmente, as imagens do show que fiz com meu parceiro Antonio Corrêa no Galeto, bar perto aqui do Globo, no dia 7-12. Foi uma bela bagunça roqueira, com direito a várias músicas do meu CD.
No Cadafalso II tem mais fotos.
11.12.07
23.10.07
Recentemente, vi em DVD o filme "Vênus", em que o genial Peter O´Toole representa um velho ator à beira da morte que se encanta com a beleza de uma adolescente. É antológico o trecho em que ele a leva ao museu para ver um quadro e resume o significado da paixão, dizendo como a deusa em questão levava os homens à insensatez e ao desespero e concluindo com a resignada frase "the usual shit"...E depois:
"For most men, the woman's body is the most beautiful thing they will ever see."
23.8.07
13.8.07
De vez em quando, passo pelo canal A&E e vejo alguns episódios da série "Huff", com Hank Azaria e Oliver Platt. Cara, que pena que ela foi cancelada. Também, pudera. Era uma série realmente hard core, com personagens e tramas bem complexas, e conflitos em altíssimo nível. Não podia mesmo durar. Talvez algum dia eu compre o DVD.
19.7.07
Pouco mais de um mês atrás, eu voei de Porto Alegre para Congonhas, após cobrir um evento de informática. Era mais uma viagem entre tantas que fazem parte de minha rotina. E, chegando a Congonhas, olhei mais uma vez para aquele oceano de prédios que vão crescendo à medida que o avião desce. Sempre fiquei com um calafrio interior nessa descida para o aeroporto da zona sul da capital paulista. Mas a gente se acostuma, depois de tanto chegar e partir dali. Até que acontece uma tragédia como a do vôo 3054 e percebemos o quão entorpecidos estávamos.
Este blog se solidariza com a dor das famílias das vítimas do acidente. E reza para que outros não aconteçam.
Este blog se solidariza com a dor das famílias das vítimas do acidente. E reza para que outros não aconteçam.
2.7.07
13.6.07
Terminei de ler "O motim do Bounty" (veja comentário abaixo). O livro é um rico painel da vida na marinha britânica no século XVIII. E é fácil nos colocarmos na pele dos amotinados, que à vida dura e cruel no navio preferiram voltar ao Taiti, então considerado "o paraíso do mundo". Ecoa especialmente a voz de um deles, Peter Heywood, que chegou a viver no Taiti e depois voltou à Inglaterra para ser julgado numa corte marcial. Ele escreveu numa carta que todos os esforços que fazemos em nossa vida de labuta são direcionados para que, no fim de nosso tempo terreno, possamos gozar confortavelmente do ócio e do prazer -- os mesmos ócio e prazer que os taitianos têm "desde que vêm ao mundo". Em suma, vale mesmo a pena ralar a vida inteira? Lembremos Wilde: "o ócio é a condição da perfeição". Os donos da grana adoram dizer que o trabalho enobrece, mas enobrece... a eles, né?
1.6.07
Estou lendo "O motim no Bounty", com a célebre história da viagem ao Taiti que acabou em tragédia, com o duelo entre o capitão (na verdade, tenente) William Bligh e Fletcher Christian, em 1789. Já foi levada ao cinema algumas vezes.
É uma história que faz tremer qualquer anarquista, porque mostra como, em situações-limite, a liderança e a disciplina fazem toda a diferença. Mesmo expulso de seu navio, Bligh conseguiu sobreviver no mar e manter seus homens vivos com um mínimo de comida por quase 50 dias e mais de 3 mil milhas até chegar a um porto seguro em colônias holandesas.
O livro é muito, mas muito bom.
É uma história que faz tremer qualquer anarquista, porque mostra como, em situações-limite, a liderança e a disciplina fazem toda a diferença. Mesmo expulso de seu navio, Bligh conseguiu sobreviver no mar e manter seus homens vivos com um mínimo de comida por quase 50 dias e mais de 3 mil milhas até chegar a um porto seguro em colônias holandesas.
O livro é muito, mas muito bom.
24.5.07
5.5.07
10.4.07
o verdadeiro outono
mora dentro de mim;
o vento sopra nos ventrículos
as folhas dos amores mortos.
o verdadeiro outono
mora dentro do espelho
naquela figura passada a ferro pelo Tempo
nas pontas caídas dos lábios
nas órbitas de desencanto.
o verdadeiro outono
mora na caverna
que se começa a cavar adolescente
quando se percebe
a permanência da dor.
mora dentro de mim;
o vento sopra nos ventrículos
as folhas dos amores mortos.
o verdadeiro outono
mora dentro do espelho
naquela figura passada a ferro pelo Tempo
nas pontas caídas dos lábios
nas órbitas de desencanto.
o verdadeiro outono
mora na caverna
que se começa a cavar adolescente
quando se percebe
a permanência da dor.
2.4.07
31.3.07
Já são seis as músicas do meu CD. Depois de quatro rocks, gravei duas acústicas esta semana, incluindo uma versão de "Pigs on the wing", do Pink Floyd, que escrevi nos anos 90. Também gravei a balada do disco, "Calíope", a faixa mais emocional.
Agora falta gravar mais três rocks e um blues. E depois começar a pensar em montar a banda para o show de lançamento.
Agora falta gravar mais três rocks e um blues. E depois começar a pensar em montar a banda para o show de lançamento.
23.3.07
20.3.07
ó ártemis dos arcos de aço olímpico
por que não me amaste?
sou teu gêmeo
sei da dor da caçada
da angústia da presa
da impiedade do caçador.
eu estou tão perdido
sem teus pensamentos-irmãos
que mesmo na planície mais esquálida
eu poderia ficar escondido e morrer de velho
ainda que todos os batedores índios me procurassem.
ó ártemis dos arcos retesados com dura tristeza
eu não sou belo
mas ao menos minha crueldade amainou.
quando eu me for
lembrar-te-ás das mesas e das pândegas
e pensarás em ti mesma com desprezo
porque cuspiste em minha alma
e a deixaste sangrando
sem abatê-la
nem levá-la junto a teus seios.
ó ártemis dos arcos de mármore e bronze
não serás mais deusa
nos novos milênios
serás apenas uma alma pela metade
serás apenas um fantasma sem correntes
serás apenas um vão aceno de reconhecimento
para um estranho numa noite vulgar.
por que não me amaste?
sou teu gêmeo
sei da dor da caçada
da angústia da presa
da impiedade do caçador.
eu estou tão perdido
sem teus pensamentos-irmãos
que mesmo na planície mais esquálida
eu poderia ficar escondido e morrer de velho
ainda que todos os batedores índios me procurassem.
ó ártemis dos arcos retesados com dura tristeza
eu não sou belo
mas ao menos minha crueldade amainou.
quando eu me for
lembrar-te-ás das mesas e das pândegas
e pensarás em ti mesma com desprezo
porque cuspiste em minha alma
e a deixaste sangrando
sem abatê-la
nem levá-la junto a teus seios.
ó ártemis dos arcos de mármore e bronze
não serás mais deusa
nos novos milênios
serás apenas uma alma pela metade
serás apenas um fantasma sem correntes
serás apenas um vão aceno de reconhecimento
para um estranho numa noite vulgar.
9.3.07
Terminei de ler a biografia do Ricardo III em que estava mergulhado. O homem é um verdadeiro injustiçado. Sua vida dá um tratado, porque tudo o que ele fez de bom e toda a lealdade que devotou ao irmão (o rei Eduardo IV) e à Inglaterra foram empanados pela morte de seus sobrinhos, que a História lhe imputou -- em parte porque sua reputação foi toda manipulada por seus inimigos, os Tudor, que lhe tomaram o reino após uma batalha que durou não mais que meia hora, a de Bosworth Field, em 1485. Ricardo morreu numa investida em que tentava colher em sua espada Henrique Tudor (que viria a ser Henrique VII). Foi impedido por um de seus próprios lordes, que o traiu e o atacou para defender o rival.
Uma história triste e fascinante, que o biógrafo, Paul Murray Kendall, recria brilhantemente.
Uma história triste e fascinante, que o biógrafo, Paul Murray Kendall, recria brilhantemente.
26.2.07
Eu até acertei o filme ganhador do Oscar no bolão de que participei ("Os infiltrados"). Mas, depois que vi "A rainha", torci pelo filme. Não é só a Helen Mirren que está impecável no papel de Elizabeth II. A direção de Stephen Frears captou toda a tensão da semana que se seguiu à morte da princesa Diana na Grã-Bretanha. O melhor de todos os filmes indicados, de longe.
Também gostei muito de "Pequena Miss Sunshine" e achei que o Alan Arkin mereceu o prêmio de ator coadjuvante. Ele está impagável, e o mais curioso é que quase perdeu o papel. O filme é muito legal, mas eu achava que não ganharia mesmo a estatueta. O Steve Carell é outro que está muito bem na fita.
A maior injustiça: nenhuma das três canções de "Dreamgirls" ter levado o prêmio. Em termos musicais, o filme faz você querer levantar da cadeira e dançar, embora a trama seja previsível. Mas eu adorei assim mesmo. Sou suspeito para falar de musicais.
Também gostei muito de "Pequena Miss Sunshine" e achei que o Alan Arkin mereceu o prêmio de ator coadjuvante. Ele está impagável, e o mais curioso é que quase perdeu o papel. O filme é muito legal, mas eu achava que não ganharia mesmo a estatueta. O Steve Carell é outro que está muito bem na fita.
A maior injustiça: nenhuma das três canções de "Dreamgirls" ter levado o prêmio. Em termos musicais, o filme faz você querer levantar da cadeira e dançar, embora a trama seja previsível. Mas eu adorei assim mesmo. Sou suspeito para falar de musicais.
22.2.07
Ainda não comentei aqui. Fui o show dos Mutantes no Vivo Rio, no começo do mês. Gostei muito, em especial dos solos de guitarra do Sérgio Dias. Uma guitarra inspirada como não se ouve há muito tempo... Que beleza. Foi histórico, um clássico. Encontrei lá a querida Crib Tanaka com o André Mansur. Depois fui para o Lamas, onde fiquei de papo com uma turma animada até as quatro da manhã.
Vi também a montagem de "Um marido ideal", de Oscar Wilde, no Teatro Leblon. Muito boa a encenação, bem fiel ao texto, e com um Edwini Luisi excelente como Lorg Goring, o dândi da peça. O texto -- que trata de corrupção na política -- não podia ser mais adequado aos tempos que vivemos, embora encerre um toque vitoriano, a época em que Wilde escreveu.
Vi também a montagem de "Um marido ideal", de Oscar Wilde, no Teatro Leblon. Muito boa a encenação, bem fiel ao texto, e com um Edwini Luisi excelente como Lorg Goring, o dândi da peça. O texto -- que trata de corrupção na política -- não podia ser mais adequado aos tempos que vivemos, embora encerre um toque vitoriano, a época em que Wilde escreveu.
8.2.07
Ufa! Até que enfim um tempinho para voltar aqui. É que foi inaugurado meu blog de segurança da informação no Globo Online, um projeto que estava em gestação desde novembro.
Apareçam por lá. Fica em http://www.oglobo.com.br/blogs/andremachado
Apareçam por lá. Fica em http://www.oglobo.com.br/blogs/andremachado
31.1.07
28.1.07
Tradução aproximada da carta enviada pelo poeta e ensaísta Raymond de St. Gilles ao marquês Henri de Gremmont em 26 de janeiro de 1899:
"Hôtel Marsollier, Arles
Mon cher Henri,
Feliz do homem que tem sua musa e ocupa sua mente com novas formas de lhe dedicar amor. Uma musa estimula a criatividade todos os dias. Eu não seria um poeta sem minhas musas. Tenho de confessar que tive muitas. Mas nem todas significaram felicidade: houve aquelas que geraram poemas de melancolia e desilusão -- e não foram menos importantes por isso.
Minha atual musa é generosa e, num sentido, diferente de todas as que eu já tive. De modo geral, as pessoas não amam a si mesmas e, por isso, se sentem desconfortáveis quando recebem homenagens (que muitas vezes são só o que um pobre poeta lhes pode dar...). Algumas não compreendem a intensidade do coração de um artista (que ocupa, é verdade, bem mais espaço em seu organismo que os outros órgãos) e lhe devotam desprezo.
Isso não acontece com minha nova musa, recém-descoberta neste fim de século XIX. Ela recebeu bem textos que até eu mesmo temi enviar, porque -- como disse Basil Hallward a Lord Henry Wotton no "Dorian Gray", do pobre monsieur Wilde, que hoje vive vagando por Paris como uma sombra -- percebi que tinha revelado demais sobre mim e o que ia na minha alma. Mas, enfim, o que mais se pode dizer a uma musa? Por definição, ela é tudo com que você sonhou, a Beleza personificada e -- como não acreditar em Deus? -- colocada pelo Espírito bem ali na sua frente, durante o pequeno espaço que você tem para viver nesta Terra. Se, além de bela, for inteligente e sagaz, nada mais resta a um homem senão adorá-la e tratá-la como uma mulher deve ser tratada.
E minha musa não é só linda e de mente ágil; ela é gentil. Quando lhe escrevo algo, ou envio algum poema, sempre me responde com graça e leveza. É uma amiga querida e atenta, embora não nos vejamos exatamente com freqüência, pois é jovem e livre e tem sua vida a viver. Essa juventude, aliás, lhe confere outra qualidade: uma certa inocência, que eu já perdi e gostaria de recuperar. Certamente ela não é perfeita, mas qual será o poeta que enxerga defeitos naquela que elegeu para inspirá-lo?
Mas por que estou escrevendo tudo isso?
Porque minha musa (e ela ainda não sabe) em breve receberá um presente que realmente me orgulhei de encontrar para ela. C'est une surprise, e é a mais bela homenagem que já lhe fiz. No momento oportuno, lha mostrarei.
Espero encontrá-lo em Rouen, meu caro, na próxima semana. Haverá uma festa na casa de Madame de Sauvigny.
Recomendo-me a vós com a mais alta estima,
Raymond de St. Gilles"
"Hôtel Marsollier, Arles
Mon cher Henri,
Feliz do homem que tem sua musa e ocupa sua mente com novas formas de lhe dedicar amor. Uma musa estimula a criatividade todos os dias. Eu não seria um poeta sem minhas musas. Tenho de confessar que tive muitas. Mas nem todas significaram felicidade: houve aquelas que geraram poemas de melancolia e desilusão -- e não foram menos importantes por isso.
Minha atual musa é generosa e, num sentido, diferente de todas as que eu já tive. De modo geral, as pessoas não amam a si mesmas e, por isso, se sentem desconfortáveis quando recebem homenagens (que muitas vezes são só o que um pobre poeta lhes pode dar...). Algumas não compreendem a intensidade do coração de um artista (que ocupa, é verdade, bem mais espaço em seu organismo que os outros órgãos) e lhe devotam desprezo.
Isso não acontece com minha nova musa, recém-descoberta neste fim de século XIX. Ela recebeu bem textos que até eu mesmo temi enviar, porque -- como disse Basil Hallward a Lord Henry Wotton no "Dorian Gray", do pobre monsieur Wilde, que hoje vive vagando por Paris como uma sombra -- percebi que tinha revelado demais sobre mim e o que ia na minha alma. Mas, enfim, o que mais se pode dizer a uma musa? Por definição, ela é tudo com que você sonhou, a Beleza personificada e -- como não acreditar em Deus? -- colocada pelo Espírito bem ali na sua frente, durante o pequeno espaço que você tem para viver nesta Terra. Se, além de bela, for inteligente e sagaz, nada mais resta a um homem senão adorá-la e tratá-la como uma mulher deve ser tratada.
E minha musa não é só linda e de mente ágil; ela é gentil. Quando lhe escrevo algo, ou envio algum poema, sempre me responde com graça e leveza. É uma amiga querida e atenta, embora não nos vejamos exatamente com freqüência, pois é jovem e livre e tem sua vida a viver. Essa juventude, aliás, lhe confere outra qualidade: uma certa inocência, que eu já perdi e gostaria de recuperar. Certamente ela não é perfeita, mas qual será o poeta que enxerga defeitos naquela que elegeu para inspirá-lo?
Mas por que estou escrevendo tudo isso?
Porque minha musa (e ela ainda não sabe) em breve receberá um presente que realmente me orgulhei de encontrar para ela. C'est une surprise, e é a mais bela homenagem que já lhe fiz. No momento oportuno, lha mostrarei.
Espero encontrá-lo em Rouen, meu caro, na próxima semana. Haverá uma festa na casa de Madame de Sauvigny.
Recomendo-me a vós com a mais alta estima,
Raymond de St. Gilles"
Elis e eu no trabalho. Sei que a Elis Regina já se foi há 25 anos, era um ícone etc e tal, mas esta é a Elis que eu prefiro. E ponto.
26.1.07
Não existe "patch" ou "fix" capaz de corrigir o amor.
O amor é sempre incorrigível.
O amor é uma droga congênita, não sintética. Não há casa de reabilitação para ele.
O amor pode decrescer, se esconder ou ser esquecido, por um minuto ou por um século. Mas jamais curado, apagado, deletado ou limpo.
O amor não é anti-séptico.
O amor não pede para entrar: invade. É o pé do vendedor na porta, calçado com um sapato de aço.
O amor não tem plano nem controlador de vôo.
O amor não é um jardim aparável de uma casa inglesa. Isso é a simpatia. O amor é um jardim tropical cheio de flores desiguais, todas esplendorosas, misturadas a plantas venenosas. Tem borboletas multicoloridas, mas também escorpiões à sombra.
O amor é radical, está sempre na extrema direita ou na extrema esquerda. No centro, não fica quem você ama. Ficam só aquelas pessoas de quem você diz: "interessantes".
O amor não precisa de motivo. Não tem lógica. Não é uma premissa perfeita. O outro pode nos odiar ou desprezar, mas isso tampouco se nos dá se o amamos com fervor.
O amor não requer que o outro saiba que você exista. O amor raramente é recíproco ao mesmo tempo.
O amor é obsessivo e dói. Um dia você acorda e percebe: meu Deus, eu a amo. E chora. E se sente sem ar. E não consegue ler o jornal.
O amor tem horror das pessoas que têm medo dos sentimentos intensos. O amor só quer cair de joelhos e dizer: "Entre na minha vida para nunca mais sair, porque não posso mais viver com os olhos cheios dágua pelas ruas da Lapa só porque pensei em você".
O amor é uma faca que nunca precisa de amolador.
O amor é uma porta que nunca precisa de chaveiro. Mas também pode ser um cubo mágico como aqueles de "Hellraiser", que, sob certas configurações, liberavam os servos do inferno.
O amor também é não ter coragem de dizer tudo à pessoa amada, porque você sabe que, se disser tudo, a magia acabará. O mistério terá fim. E, às vezes, dizer tudo mata o amor. Mesmo que tudo que se tenha a dizer seja "eu te amo".
O amor é em parte sonho e assim deve permanecer para continuar amor.
O amor é sempre incorrigível.
O amor é uma droga congênita, não sintética. Não há casa de reabilitação para ele.
O amor pode decrescer, se esconder ou ser esquecido, por um minuto ou por um século. Mas jamais curado, apagado, deletado ou limpo.
O amor não é anti-séptico.
O amor não pede para entrar: invade. É o pé do vendedor na porta, calçado com um sapato de aço.
O amor não tem plano nem controlador de vôo.
O amor não é um jardim aparável de uma casa inglesa. Isso é a simpatia. O amor é um jardim tropical cheio de flores desiguais, todas esplendorosas, misturadas a plantas venenosas. Tem borboletas multicoloridas, mas também escorpiões à sombra.
O amor é radical, está sempre na extrema direita ou na extrema esquerda. No centro, não fica quem você ama. Ficam só aquelas pessoas de quem você diz: "interessantes".
O amor não precisa de motivo. Não tem lógica. Não é uma premissa perfeita. O outro pode nos odiar ou desprezar, mas isso tampouco se nos dá se o amamos com fervor.
O amor não requer que o outro saiba que você exista. O amor raramente é recíproco ao mesmo tempo.
O amor é obsessivo e dói. Um dia você acorda e percebe: meu Deus, eu a amo. E chora. E se sente sem ar. E não consegue ler o jornal.
O amor tem horror das pessoas que têm medo dos sentimentos intensos. O amor só quer cair de joelhos e dizer: "Entre na minha vida para nunca mais sair, porque não posso mais viver com os olhos cheios dágua pelas ruas da Lapa só porque pensei em você".
O amor é uma faca que nunca precisa de amolador.
O amor é uma porta que nunca precisa de chaveiro. Mas também pode ser um cubo mágico como aqueles de "Hellraiser", que, sob certas configurações, liberavam os servos do inferno.
O amor também é não ter coragem de dizer tudo à pessoa amada, porque você sabe que, se disser tudo, a magia acabará. O mistério terá fim. E, às vezes, dizer tudo mata o amor. Mesmo que tudo que se tenha a dizer seja "eu te amo".
O amor é em parte sonho e assim deve permanecer para continuar amor.
24.1.07
22.1.07
Está no site do Globo Online uma música minha, que gravei para uma matéria no Info Etc mostrando como o computador facilita a vida das gravações em estúdio. A música se chama "É você", e nela toquei os violões e as guitarras, inclusive a solo (trata-se de um hard rock estilo anos 70), além de cantar. O baixo ficou a cargo do veterano Carlos Castanheira, e a batera foi toda arranjada dentro do próprio computador. Se ficarem curiosos e quiserem conferir, estará em http://oglobo.globo.com/tecnologia/audio/2007/991/default.asp, na lista de áudios.A matéria é a capa do caderno desta segunda.
17.1.07
Vai com Deus, Meg querida. Sua elegância, sua generosidade e sua sutileza farão muita falta na blogosfera. Um beijo deste Guardião.
12.1.07
I was born under a bad sign,
Left out in the cold
Im a lonely man who knows
Just what it means to lose control
But I took all the heartache
And turned it to shame,
Now Im moving, moving on,
And I aint taking the blame
Dont come running to me,
I know Ive done all I can
A hard loving woman like you
Just makes a hard loving man
So I can say it to you, babe
Ill be a fool for your loving no more,
A fool for your loving no more
Im so tired of trying,
I always end up crying,
Fool for your loving no more
Ill be a fool for your loving no more
("Fool for your loving", Whitesnake)
Left out in the cold
Im a lonely man who knows
Just what it means to lose control
But I took all the heartache
And turned it to shame,
Now Im moving, moving on,
And I aint taking the blame
Dont come running to me,
I know Ive done all I can
A hard loving woman like you
Just makes a hard loving man
So I can say it to you, babe
Ill be a fool for your loving no more,
A fool for your loving no more
Im so tired of trying,
I always end up crying,
Fool for your loving no more
Ill be a fool for your loving no more
("Fool for your loving", Whitesnake)
Letra de hoje:
I've heard it all before
I've heard it all before
I've heard it all before
I've heard it all before
I don't wanna hear, I don't wanna know
Please don't say you're sorry
I've heard it all before
And I can take care of myself
I don't wanna hear, I don't wanna know
Please don't say 'forgive me'
I've seen it all before
And I can't take it anymore
(...) Don't explain yourself 'cause talk is cheap
There's more important things than hearing you speak
You stayed because I made it so convenient (so convenient)
Don't explain yourself, you'll never see...
I don't wanna hear, I don't wanna know
Please don't say you're sorry
I've heard it all before
And I can take care of myself
I don't wanna hear, I don't wanna know
Please don't say 'forgive me'
I've seen it all before
And I can't take it anymore
("Sorry", Madonna)
I've heard it all before
I've heard it all before
I've heard it all before
I've heard it all before
I don't wanna hear, I don't wanna know
Please don't say you're sorry
I've heard it all before
And I can take care of myself
I don't wanna hear, I don't wanna know
Please don't say 'forgive me'
I've seen it all before
And I can't take it anymore
(...) Don't explain yourself 'cause talk is cheap
There's more important things than hearing you speak
You stayed because I made it so convenient (so convenient)
Don't explain yourself, you'll never see...
I don't wanna hear, I don't wanna know
Please don't say you're sorry
I've heard it all before
And I can take care of myself
I don't wanna hear, I don't wanna know
Please don't say 'forgive me'
I've seen it all before
And I can't take it anymore
("Sorry", Madonna)
Semana difícil. Sem dinheiro, contando os tostões, e decepcionado com algumas pessoas que cometem sempre os mesmos erros. Como vive me dizendo Wal, de que adianta pedir desculpas se você vai agir mal (ou fazer a mesma besteira) novamente na primeira oportunidade?
Mas eu preciso controlar a minha raiva. Ficar com raiva me faz mal demais. Se existir reencarnação, diz minha querida Wal, eu vou voltar muitas vezes para compensar minha falta de temperança, meus ressentimentos...
Mas eu preciso controlar a minha raiva. Ficar com raiva me faz mal demais. Se existir reencarnação, diz minha querida Wal, eu vou voltar muitas vezes para compensar minha falta de temperança, meus ressentimentos...
6.1.07
Niver da Elis ontem. Foi uma festa deliciosa num quiosque da Lagoa, com direito a excelentes companhias como o Maloca Mendes, o Fernando de Oliveira e meu co-autor Alexandre Freire (do "Como blindar seu PC"). Agora o ano começou.
Só falta eu ganhar na mega-sena para pagar as dívidas de janeiro. Normal ;-)
Só falta eu ganhar na mega-sena para pagar as dívidas de janeiro. Normal ;-)
28.12.06
26.12.06
Eu ainda não contei aqui, mas escrevi uma música para minhas amigas Bárbara, Fátima e Elis neste fim de ano. Há muito tempo não compunha, mas numa tarde de sábado peguei o violão e em menos de uma hora a música saiu. É um rock and roll direto e agitado, exatamente como as três são. Tenho um amigo baixista -- Carlos "Juninho" Castanheira -- dono de um estúdio de gravação perto de casa e, uma noite, marquei um horário para botar a música do jeito que eu queria. Toquei violão, fiz a guitarra-base e a guitarra-solo e meu amigo mixou tudo e pôs o baixo na trilha -- um baixão poderoso, mais roquenrou impossível. A bateria, programamos no computador, com as viradas e tudo o mais. Ficou porreta. No fim, gravei a voz, que saiu praticamente de primeira. A cantora Suelen Targine, que é noiva do Juninho, sugeriu que eu gravasse uns backing vocals e me passou o arranjo. Mas, como na voz dela essa parte estava muito mais legal, pedi que gravasse os vocais no refrão. O resultado ficou muito legal e, semana passada, fiz uma surpresa para minhas amigas na casa da Elis, mostrando a gravação. Foi um momento muito emocionante.
Agora estou com as mãos comichando para gravar mais coisas... Acho que vou pegar minhas velhas músicas e gravar um CD com a ajuda de Juninho e Suelen. Tinha me esquecido de como é bom criar música, e ficar arranjando. Ainda mais quando se pode dirigir todo o processo com a ajuda de um produtor com a sensibilidade do mencionado baixista, profissional descoladíssimo na área. Eu fiz as pazes com um pedaço de minha vida há muito abandonado.
Agora estou com as mãos comichando para gravar mais coisas... Acho que vou pegar minhas velhas músicas e gravar um CD com a ajuda de Juninho e Suelen. Tinha me esquecido de como é bom criar música, e ficar arranjando. Ainda mais quando se pode dirigir todo o processo com a ajuda de um produtor com a sensibilidade do mencionado baixista, profissional descoladíssimo na área. Eu fiz as pazes com um pedaço de minha vida há muito abandonado.
21.12.06
20.12.06
A diarista lá de casa é meio maluquinha, mas tem um coração gigantesco. Ela tem um dom especial: o de tornar as plantas mais bonitas e felizes. É sério. Toda vez que eu volto para casa num dia de faxina, nossas plantinhas estão mais viçosas e parecem sorrir. Minha mulher um dia perguntou qual era o segredo.
-- Ah, dona Wal, é que eu converso com as plantas. Elas adoram conversar, sabia? Se você dá atenção, elas ficam mais bonitas. E, quando estou ocupada e não posso conversar, boto-as na frente da televisão. As plantas ficam com a impressão de que tem alguém falando com elas.
-- Ah, dona Wal, é que eu converso com as plantas. Elas adoram conversar, sabia? Se você dá atenção, elas ficam mais bonitas. E, quando estou ocupada e não posso conversar, boto-as na frente da televisão. As plantas ficam com a impressão de que tem alguém falando com elas.
16.12.06
Do sempre pertinente Mário Quintana (1906-1994):
Canção do dia de sempre
Tão bom viver dia a dia…
A vida, assim, jamais cansa…
Viver tão só de momentos
Como estas nuvens no céu…
E só ganhar, toda a vida,
Inexperiência… esperança…
E a rosa louca dos ventos
Presa à copa do chapéu.
Nunca dês um nome a um rio:
Sempre é outro rio a passar.
Nada jamais continua,
Tudo vai recomeçar!
E sem nenhuma lembrança
Das outras vezes perdidas,
Atiro a rosa do sonho
Nas tuas mãos distraídas…
Canção do dia de sempre
Tão bom viver dia a dia…
A vida, assim, jamais cansa…
Viver tão só de momentos
Como estas nuvens no céu…
E só ganhar, toda a vida,
Inexperiência… esperança…
E a rosa louca dos ventos
Presa à copa do chapéu.
Nunca dês um nome a um rio:
Sempre é outro rio a passar.
Nada jamais continua,
Tudo vai recomeçar!
E sem nenhuma lembrança
Das outras vezes perdidas,
Atiro a rosa do sonho
Nas tuas mãos distraídas…
De plantão na redação neste sábado de sol.
Hora de dar uma blogada.
Vocês já viram aquele anúncio do Johnnie Walker em que uma árvore sai "andando"? Rebeca, minha caçula, outro dia me perguntou:
-- Pai, eu não entendo. Por que a árvore sai andando?
-- É um anúncio de uísque, minha filha. O roteirista estava bêbado e criou isso aí.
Hora de dar uma blogada.
Vocês já viram aquele anúncio do Johnnie Walker em que uma árvore sai "andando"? Rebeca, minha caçula, outro dia me perguntou:
-- Pai, eu não entendo. Por que a árvore sai andando?
-- É um anúncio de uísque, minha filha. O roteirista estava bêbado e criou isso aí.
13.12.06
Li as duas graphic novels sobre a Morte que o Neil Gaiman (criador do inesquecível Sandman, o senhor dos sonhos) reuniu para uma edição especial. Para quem não conhece, os personagens dos quadrinhos de Gaiman são os Perpétuos, que mais ou menos governam os destinos dos homens -- Sonho, Morte, Destino, Desejo, Delírio, Desespero e Destruição. São todos irmãos e retratados como pessoas. A Morte lembra, na concepção de Gaiman, a cantora Siouxsie, da banda Siouxsie and the Banshees. E a personagem é tudo, menos sombria. A cada século ela precisa assumir a forma humana por um dia para saber como é ser mortal. Este é o tema da primeira história do volume. Na segunda, alguém precisa fazer um trato com nossa heroína.
O texto de Gaiman é emocionante e ele é um dos narradores mais originais da história das graphic novels.
O texto de Gaiman é emocionante e ele é um dos narradores mais originais da história das graphic novels.
8.12.06
Fui ontem ver o BB King no Vivo Rio. O homem, aos 81 anos, continua demais. O show foi uma delícia e algumas músicas (como "Since I met you baby") me emocionaram sobremaneira. É claro que algumas doses de uísque contribuíram também ;-)
Acompanhou-me no show minha querida amiga Andréa Petti, a quem não via há anos. Botamos os papos em dia e ficamos no bar da casa um bom tempo filosofando antes de irmos embora. Foi um grande privilégio reencontrá-la.
Fui dormir uns cinco quilos mais leve, carregado pelos blues.
Acompanhou-me no show minha querida amiga Andréa Petti, a quem não via há anos. Botamos os papos em dia e ficamos no bar da casa um bom tempo filosofando antes de irmos embora. Foi um grande privilégio reencontrá-la.
Fui dormir uns cinco quilos mais leve, carregado pelos blues.
5.12.06
Completei ontem 44 primaveras. Se tudo correr bem, é mais ou menos a metade do caminho ;-)
A comemoração foi simples, no centenário Café Lamas, com minhas adoradas Bárbara, Elis e Fátima, mais os fiéis Octavius Brito, Maloca Mendes, Feroli, Sergio Maggi e Simone Gondim.
A doce Andrea Agusto enviou-me um cartão virtual delicioso; eu tinha acordado meio triste (é o primeiro aniversário sem meu pai), mas ela começou a iluminar o dia. Depois, a farra que Elis, Bárbara e Fátima fizeram para mim em pleno restaurante do jornal me arrancou dos pensamentos cinzentos de uma vez por todas.
Quando cheguei em casa, de madrugada, me esperava um presente artesanal feito na escola por minha caçula Rebeca. Eu tinha dito em casa que elas não precisavam me dar nada de aniversário, mas ela nunca deixa de inventar alguma coisa. Foi emocionante.
A comemoração foi simples, no centenário Café Lamas, com minhas adoradas Bárbara, Elis e Fátima, mais os fiéis Octavius Brito, Maloca Mendes, Feroli, Sergio Maggi e Simone Gondim.
A doce Andrea Agusto enviou-me um cartão virtual delicioso; eu tinha acordado meio triste (é o primeiro aniversário sem meu pai), mas ela começou a iluminar o dia. Depois, a farra que Elis, Bárbara e Fátima fizeram para mim em pleno restaurante do jornal me arrancou dos pensamentos cinzentos de uma vez por todas.
Quando cheguei em casa, de madrugada, me esperava um presente artesanal feito na escola por minha caçula Rebeca. Eu tinha dito em casa que elas não precisavam me dar nada de aniversário, mas ela nunca deixa de inventar alguma coisa. Foi emocionante.
27.11.06
Ontem eu acompanhei na guitarra meu velho partner Hélcio Luiz num show no clube que freqüento. Fiquei feliz ao perceber que ainda sabia tocar todas as músicas do nosso repertório e até fiz umas firulinhas no meio de algumas. Realmente, tocar um instrumento é como andar de bicicleta: impossível esquecer. Eu ia apenas dar uma canja, mas toquei durante quatro horas amarradão.
Depois que a Elis me disse que estou encaretando, só escrevendo e deixando a música de lado, estava mais que na hora de praticar um pouco.
Depois que a Elis me disse que estou encaretando, só escrevendo e deixando a música de lado, estava mais que na hora de praticar um pouco.
21.11.06
É só ler de leve nas entrelinhas do noticiário político para perceber que nenhum de nossos supostos representantes parece interessado no bem-estar do país. Pensam com seus egos inflados, suas vaidades, jogam o jogo usual e dançam a mesma dança de sempre para ficar por cima da carne seca.
É o espectáculo do desapontamento.
É o espectáculo do desapontamento.
14.11.06
13.11.06
Não gostar
Você brandiu a varinha
e tornou meu amor em velho pergaminho
levado inconsolável
aos solavancos
por uma tempestade de areia.
Cicuta perde
arsênico perde
letal é a rejeição
banal, a solidão
e eu odeio essa angústia clichê que estou sentindo.
são lúgubres
as cavernas da culpa cristã
cheias de morcegos
dentro dos ventrículos;
eu pranteio a morte dos velhos deuses
trocados pelo medo do prazer
trocados pelo horror à vida
e pela evisceração do desejo.
Para mim foi o bastante
perceber seu pavor;
será doravante meu lema
o não gostar.
Como meu amor-pergaminho amarelento
esquecido nas areias escorchantes
vou endurecer e quebrar
e aguardar a escuridão.
Você brandiu a varinha
e tornou meu amor em velho pergaminho
levado inconsolável
aos solavancos
por uma tempestade de areia.
Cicuta perde
arsênico perde
letal é a rejeição
banal, a solidão
e eu odeio essa angústia clichê que estou sentindo.
são lúgubres
as cavernas da culpa cristã
cheias de morcegos
dentro dos ventrículos;
eu pranteio a morte dos velhos deuses
trocados pelo medo do prazer
trocados pelo horror à vida
e pela evisceração do desejo.
Para mim foi o bastante
perceber seu pavor;
será doravante meu lema
o não gostar.
Como meu amor-pergaminho amarelento
esquecido nas areias escorchantes
vou endurecer e quebrar
e aguardar a escuridão.
6.11.06
Minha coluna mais recente no Info Etc:
16-10-2006
"ATENDIMENTO NOTA DEZ
André Machado
Toca o telefone na casa do dr. R. Sua mulher atende ao passar pela sala.
- Bom dia. Estou falando com a residência do dr. R.?
- Sim.
- A senhora é a esposa?
- Sim.
- Aqui é a administradora do cartão de crédito X, senhora. Está constando nos nossos computadores que o dr. R. tem uma dívida com o cartão no valor de R$***. Nós gostaríamos de estar lhe oferecendo um parcelamento que ele poderia estar pagando...
- O dr. R. não está interessado em parcelamentos de qualquer espécie.
- Como...?
- Ele não "vai estar quitando" esta dívida.
- Mas, senhora... a dívida a que estou me referindo é antiga... o nome dele já está constando no SPC e no Serasa...
- Ele não liga a mínima para Serasa ou SPC.
- Senhora, mas se ele não pagar a dívida não estará mais entrando em condições de estar fazendo compras a crédito.
- Ele não "vai estar pensando" tão cedo em "estar fazendo" compras a crédito, moça - responde a esposa, sibilando de raiva.
- Senhora... por gentileza... a senhora poderia estar passando o telefone para o dr. R.?
- Não poderia, não. Ele não está no momento.
- Então como eu poderia estar fazendo para estar contactando-o?
- Olha, minha filha, talvez você queira "estar procurando" um centro espírita. O dr. R. já "está se deitando" num túmulo há mais de dez anos.
&&&
Na loja da operadora de telefonia celular, a dra. S. entra explicando que precisa falar com uma atendente. Pacientemente, pega uma senha e espera na fila. Ao ser chamada - quase uma hora depois - para a mesa da atendente, vai direto ao assunto.
- Quero cancelar este telefone celular de meu pai - começa.
- Sinto muito, senhora, mas não vou poder estar procedendo ao cancelamento do celular - responde a atendente, muito solícita. - É preciso que o titular da compra esteja vindo aqui e providenciando o cancelamento ele mesmo.
- Mas, moça, neste caso isso será impossível. O titular não pode comparecer à loja. Você compreende, ele faleceu há dois dias.
- Senhora, me desculpe, mas não é possível estar cancelando... só mesmo com o titular.
- Você está vendo este papel aqui? - devolve a dra. S., tirando um documento da bolsa. - É o atestado de óbito original de meu pai. Ele está MORTO. Como pode comparecer a esta loja?
- Lamento, só estaremos podendo proceder ao cancelamento do celular com a presença do titular... A senhora não gostaria de estar passando o celular para o seu nome, ou outro membro da família?
- Ah, para isso podemos dispensar a presença do titular, né, minha filha? Muito bonito. Pra comprar, pode tudo, pra cancelar, só na filial do inferno.
- Mas minha senhora... certamente que alguém da família...
- Não quero um novo celular. Nem meu marido. E nossa filha só tem um ano de idade. E meu celular é de outra operadora, graças a Deus... Não, eu só quero cancelar o celular de uma pessoa que já morreu! Que parte de "já morreu" você não consegue entender?
- Lamento, mas...
A dra. S. não a deixa terminar. Pega o celular do pai, bota-o na mão da atendente e, levantando-se:
- Então, por favor, fique com o celular dele. Quem sabe um dia ele não te telefona e aí pede o cancelamento direto do além para você? Faço votos que ele te ligue, viu? Passar bem.
&&&
Os diálogos acima ganharam alguns retoques. Mas ambas as histórias são absolutamente verídicas.
&&&
Eu já tinha falado dele aqui, mas agora é oficial: foi lançado em português o Suse Linux Enterprise 10, cujo foco é voltado para as empresas. Uma das atrações da distribuição é a virtualização nativa no sistema, baseada na ferramenta de código aberto Xen 3.0."
16-10-2006
"ATENDIMENTO NOTA DEZ
André Machado
Toca o telefone na casa do dr. R. Sua mulher atende ao passar pela sala.
- Bom dia. Estou falando com a residência do dr. R.?
- Sim.
- A senhora é a esposa?
- Sim.
- Aqui é a administradora do cartão de crédito X, senhora. Está constando nos nossos computadores que o dr. R. tem uma dívida com o cartão no valor de R$***. Nós gostaríamos de estar lhe oferecendo um parcelamento que ele poderia estar pagando...
- O dr. R. não está interessado em parcelamentos de qualquer espécie.
- Como...?
- Ele não "vai estar quitando" esta dívida.
- Mas, senhora... a dívida a que estou me referindo é antiga... o nome dele já está constando no SPC e no Serasa...
- Ele não liga a mínima para Serasa ou SPC.
- Senhora, mas se ele não pagar a dívida não estará mais entrando em condições de estar fazendo compras a crédito.
- Ele não "vai estar pensando" tão cedo em "estar fazendo" compras a crédito, moça - responde a esposa, sibilando de raiva.
- Senhora... por gentileza... a senhora poderia estar passando o telefone para o dr. R.?
- Não poderia, não. Ele não está no momento.
- Então como eu poderia estar fazendo para estar contactando-o?
- Olha, minha filha, talvez você queira "estar procurando" um centro espírita. O dr. R. já "está se deitando" num túmulo há mais de dez anos.
&&&
Na loja da operadora de telefonia celular, a dra. S. entra explicando que precisa falar com uma atendente. Pacientemente, pega uma senha e espera na fila. Ao ser chamada - quase uma hora depois - para a mesa da atendente, vai direto ao assunto.
- Quero cancelar este telefone celular de meu pai - começa.
- Sinto muito, senhora, mas não vou poder estar procedendo ao cancelamento do celular - responde a atendente, muito solícita. - É preciso que o titular da compra esteja vindo aqui e providenciando o cancelamento ele mesmo.
- Mas, moça, neste caso isso será impossível. O titular não pode comparecer à loja. Você compreende, ele faleceu há dois dias.
- Senhora, me desculpe, mas não é possível estar cancelando... só mesmo com o titular.
- Você está vendo este papel aqui? - devolve a dra. S., tirando um documento da bolsa. - É o atestado de óbito original de meu pai. Ele está MORTO. Como pode comparecer a esta loja?
- Lamento, só estaremos podendo proceder ao cancelamento do celular com a presença do titular... A senhora não gostaria de estar passando o celular para o seu nome, ou outro membro da família?
- Ah, para isso podemos dispensar a presença do titular, né, minha filha? Muito bonito. Pra comprar, pode tudo, pra cancelar, só na filial do inferno.
- Mas minha senhora... certamente que alguém da família...
- Não quero um novo celular. Nem meu marido. E nossa filha só tem um ano de idade. E meu celular é de outra operadora, graças a Deus... Não, eu só quero cancelar o celular de uma pessoa que já morreu! Que parte de "já morreu" você não consegue entender?
- Lamento, mas...
A dra. S. não a deixa terminar. Pega o celular do pai, bota-o na mão da atendente e, levantando-se:
- Então, por favor, fique com o celular dele. Quem sabe um dia ele não te telefona e aí pede o cancelamento direto do além para você? Faço votos que ele te ligue, viu? Passar bem.
&&&
Os diálogos acima ganharam alguns retoques. Mas ambas as histórias são absolutamente verídicas.
&&&
Eu já tinha falado dele aqui, mas agora é oficial: foi lançado em português o Suse Linux Enterprise 10, cujo foco é voltado para as empresas. Uma das atrações da distribuição é a virtualização nativa no sistema, baseada na ferramenta de código aberto Xen 3.0."
1.11.06
Um dia de sol
na baía de Guanabara
basta
Flanar
com um livro no colo
sobre as águas milenares
basta
Olhar
para a fêmea de ombros
de alabastro
que olha para
a baía de Guanabara
basta
Receber
o afago do vento
e deixá-lo levar
os problemas em casa
basta
Ser um
com a paisagem
basta
para saber que existe um Coreógrafo cósmico.
na baía de Guanabara
basta
Flanar
com um livro no colo
sobre as águas milenares
basta
Olhar
para a fêmea de ombros
de alabastro
que olha para
a baía de Guanabara
basta
Receber
o afago do vento
e deixá-lo levar
os problemas em casa
basta
Ser um
com a paisagem
basta
para saber que existe um Coreógrafo cósmico.










