17.4.06

Eu e minhas filhas fizemos sessão dupla na sexta: vimos "A era do gelo 2" e "Selvagem". Este é um dos meus programas favoritos: ir ao cinema ver desenhos com elas. Rimos às pampas. "A era do gelo 2" é o melhor dos dois, sem sombra de dúvida. Aquele esquilo atrás da avelã é o melhor personagem de desenho animado criado nos últimos anos. É muito divertido. O final, então, é apoteótico. Imperdível.

"Selvagem" tem a seu favor o coala, os crocodilos do esgoto (hilários, pena que só aparecem numa cena) e os gnus fanatizados fazendo coreografias. O coala é uma figuraça, parece que está sempre de porre.

13.4.06

E quem diria, a macaca Chita sobreviveu a Tarzan e Jane e chegou as 74, ainda que diabética. E mais, precisava tomar umas cervejas e fumar uns cigarros para agüentar aquele berro mala do Johny Weissmüller.

Aposto que o Edgar Rice Burroughs não previa este enredo, hein? Krigh-ah-Bandolo.
Só hoje melhorei da virose que me abateu na terça-feira e me deixou tão indisposto que dormi o dia inteiro, sem forças para nada. A doença já foi maldosamente apelidada de "Jack Johnson", pois dá um sono danado ;-)

7.4.06

Oh! Eu quero viver, beber perfumes
Na flor silvestre, que embalsama os ares;
Ver minh'alma adejar pelo infinito,
Qual branca vela n'amplidão dos mares.
No seio da mulher há tanto aroma...
Nos seus beijos de fogo há tanta vida...
Árabe errante, vou dormir à tarde
À sombra fresca da palmeira erguida.


(Castro Alves, "Mocidade e morte")

6.4.06

Do Sindicato dos Jornalistas do Rio:

"Atenção jornalista do Rio de Janeiro! Se você acha que, pela seriedade do seu trabalho, merece um reajuste de 5,7% este ano (IPCA); pelo crescimento de 14% do faturamento com publicidade em 2005, você merece aumento real de 2%; pela importância da imprensa carioca, um piso inferior a R$ 1,5 mil é vergonhoso; os jornalistas precisam de reciclagem profissional; os jornalistas são expostos a um excessivo risco de vida na cobertura da guerra carioca; as empresas devem cumprir as leis e pagar impostos, como os trabalhadores; e o jornalismo se deteriora quando a imprensa desrespeita a ética e o profissionalismo, junte-se ao movimento em defesa do jornalismo de qualidade. Nesta sexta-feira, 7/4, Dia do Jornalista, use ROUPA BRANCA para dizer que o jornalismo do futuro pode ser melhor."

Eu usarei pelo menos uma camisa branca, mas acho que o reajuste tinha que ser de uns 10% para começar a ficar decente.

4.4.06

A coluna de Martha Medeiros no último domingo é um tiro certeiro. As vezes em que mais sofri em minha vida foi quando decidi abrir meus sentimentos, sem firulas, para quem eu gostava. E descobri, como ela bem aponta, que as pessoas não gostam de ouvir o que sentimos. Abrir o coração é considerado coisa de fracos. Muitas vezes fui gozado por amigos por causa disso; muitas vezes mulheres que amei me legaram seu silêncio (e não há nada mais terrível do que o silêncio da pessoa amada, especialmente quando ele é acompanhado de táticas para evitar você).

Há pessoas muito esclarecidas que dizem não gostar de "jogar" no amor, mas que diante de um sentimento aberto jogam como se nunca tivessem feito outra coisa na vida. Não há nada mais entristecedor.

O problema é que quando dizemos "eu te amo" queremos ser amados em resposta automaticamente, ficamos aflitos e perdemos o controle; é como se as palavaras fossem uma conjuração, um feitiço, uma fórmula mágica. É preciso ser capaz de amar sem cobrar, e deixar que o outro busque sua felicidade (ou seu prazer, diria Wilde) da melhor maneira. Quando você abre seu coração e não recebe resposta, se sente automaticamente desprezado -- mas também pode ser que o outro não tenha segurado a onda do sentimento e prefira, simplesmente, a fuga. Em todo caso, se dissemos tudo, é porque achávamos que a pessoa amada seguraria essa onda -- e corresponderia. Quando o retorno não vem, só resta agüentar a mais terrível sensação de solidão que há.

Apesar de todos os murros em ponta de faca, eu não me tornei um ser ressentido. Pelo menos acho que não. Não sei viver sem deixar minha alma se expressar livremente.

E sempre tenho a poesia, que é minha verdadeira amiga e amante. Ela não fica em silêncio, ela conversa comigo -- e é um bálsamo mesmo quando suas palavras se mostram cruéis.

29.3.06




Moçada:

Ganhei o prêmio SecMaster de Melhor Contribuição Jornalística na área de segurança da informação, na categoria Júri Popular. A premiação foi ontem à noite em São Paulo. É a primeira vez que o evento Security Week inclui a imprensa em sua premiação, e é claro que fiquei muito feliz de estar entre os vencedores.

A todos os que me deram a honra de seu voto, meu muito obrigado.

26.3.06

Eu ainda não tinha visto "Antes do pôr-do-sol", a continuação de "Antes do amanhecer", com Ethan Hawke e Julie Delpy. O primeiro filme foi muito legal, e para mim tinha o atrativo extra de se passar em Viena, cidade onde estive. Mas este segundo me falou mais à alma, pois os personagens não são mais exatamente jovens e seus questionamentos calaram fundo em mim. E Paris é sempre Paris, não poderia haver melhor cenário (na minha lista de coisas a fazer ainda está visitar Paris e Londres).

Os diálogos são maravilhosos. Mesmo quando eles estão falando de coisas mais impessoais. Por exemplo, é ótima a passagem em que a personagem de Delpy comenta que passou uns dias numa cidade da Europa oriental, sem televisão, sem os apelos consumistas massacrantes a que estamos acostumados todos os dias... Ela diz que, livre do canto de sereia capitalista, caminhou mais, refletiu mais, escreveu mais em seu diário. Admite que nos primeiros dias ficou entediada, mas depois seu cérebro relaxou e foi quase como uma droga poder respirar um ambiente mais natural, menos forçado.

Aconteceu isto comigo em Bruges, na Bélgica. No Velho Continente, é como se você sentisse a companhia refrescante de uma sabedoria milenar caminhando ao seu lado nas vielas silenciosas.

O filme tem cortes, mas parece não tê-los, tão fluida é a conversa. Julie Delpy ainda é linda, embora não tanto quanto na época em que fez a versão da Disney dos "Três Mosqueteiros". E como é bom ver personagens trocando idéias, ironizando mesmo as neuroses mais cabeludas, num roteiro em que não precisa "acontecer" nada -- é como se o diretor os flagrasse passeando e conversando, gostasse e decidisse acompanhá-los assim como quem não quer nada.

25.3.06















Nossa, essa foto tirada por Cora Rónai resumiu todo o meu fim de semana ;-)
Então, só para entrar no clima, vamos ao mantra do AC/DC:

And you ask me why I like to dance, one more dance
And you ask me why I like to sing
And you ask me why I like to play
Got to get my kicks some way
You wanna know me what I'm all about
Let me hear you shout high
I said high
High voltage rock 'n' roll
High voltage rock 'n' roll
High voltage, high voltage, yeah you
High voltage rock 'n' roll
De plantão na redação. Este fim de semana, ao contrário do anterior, só me reserva a contemplação. Seria ótimo se estivesse fazendo frio. Chega de calor, chega de verão.

* * *

Estou lendo (no original) "O Grande Gatsby", de F. Scott Fitzgerald. O narrador da história, Nick Carraway, é discreto, mas afiadíssimo na análise que faz de seus personagens. E por vezes deixa entrever uma profunda melancolia. Tudo a ver.

* * *

Que saudade de tocar um rock and roll para espantar o baixo astral. Com uma guitarra na mão e umas cervejas ou uísques nos intervalos, tudo fica cor de rosa e você acha que pode ser feliz. Não pode, mas acha. E 1, 2, 3, 4... yeah!
Afrodite, escutai

Ó deusa dos poetas, recebei-me.
Este pobre servo pecou novamente
por deixar florescer o coração.
Aquela que o encantou, vós sabeis,
fechou-se em copas
e eu já ouço o som da fenda na aurícula
-- a primeira fenda de muitas --
e já sinto o primeiro rio quente
descer por minha face desolada.

Logo meu peito será uma terra devastada
logo os cacos do órgão serão varridos pelo vento
e desta vez eu não quero mais juntá-los
desta vez eu vou morrer de tristeza
como morreram muitos reis de Escócia.

Ó deusa dos poetas, desta vez
eu entrevi mesmo a liberdade.
Escarneci do jogo habitual
e me prostrei reverente.
Eu disse tudo -- eu esvaziei a alma
e a ofereci numa miniatura do Taj Mahal.
Ora, mas eu sou apenas um homem
e não são os homens feitos para sofrer?
Vós deveis estar bebendo com Ares
e rindo de mim nos jardins suspensos do Olimpo.

Mas não tem importância;
logo meu peito será uma terra devastada
logo os cacos do órgão serão varridos pelo vento
e desta vez eu não quero mais juntá-los
desta vez eu vou morrer de tristeza
como morreram muitos reis de Escócia.

24.3.06















A beleza morena em pessoa, Fátima Iocken, na hora do seu parabéns na última sexta-feira, no Canto da Alice, que bombou com a animação dos convidados. Na foto, o dr. Sergio Maggi, o homem dos websites, e Elis Monteiro saúdam Fati.

Levando um papo com o Maggi, na mesma festa.
Eu gostaria de ser como certas pessoas em quem a alegria é inata; mas quem escreve versos já começa meio mal nesse terreno. Não que eu seja mal-humorado, embora tenha meus momentos... e que momentos. Mas acho que a extrema sensibilidade é a causa de minhas cismas. Ela turva nossa capacidade de se alienar, de pensar só no lado bom das coisas. Claro, nada mais insuportável que a eterna bonomia, o polianismo ad nauseam; mas conquistar a alegria de viver, a genuína disposição para o sol, é uma arte. E das mais delicadas.

23.3.06

É muita cara de pau! Mas muita mesmo!

Do Boletim do Sindicado dos Jornalistas do Rio:

"Patrões de jornais e revistas oferecem 4,5% de reajuste -- Acredite, jornalista. Eles oferecem um reajuste inferior à inflação do período. Isso em um ano em que o faturamento com publicidade cresceu mais de 14%, num desempenho surpreendente para a economia brasileira. Na última reunião de negociação, no nosso Sindicato, tivemos alguns avanços em poucas cláusulas sociais — como o aumento do auxílio funeral de R$ 500 para R$ 1 mil (comemore! nossa reivindicação era de R$ 2 mil) — e muitas propostas indecentes. Uma delas foi de criar, no segundo maior estado da Federação e um dos centros de mídia do país, ex-capital da República, um piso salarial de R$ 560 reais. Sim, é isso mesmo. Você não está com problemas de leitura. Problemas você vai ter se não se mobilizar e lutar pelo seu salário. Para saber do andamento das negociações e defender sua qualidade de vida, fique atento à convocação da próxima assembléia. Estamos aguardando uma nova proposta, menos indecente, dos patrões, para então marcar o encontro da categoria. Quem fica parado é poste!"

22.3.06

Do diário de Robert Wilde, II:

Como podia ele viver num esquema social que reprimia violentamente sua natureza apaixonada? Por que não podia querer se entregar ao sentir a doçura infinita da voz tímida e baixa de sua amiga ao lado, e querer se entregar de novo ao ouvir as inteligentes reflexões da fascinante mulher sentada a sua frente? Por que a paixão não podia flutuar como a seta de Eros, em todas as direções, ao sabor do vento e das forças místicas do acaso?

Em dias como aquele, sonhava não ter coração e resfriar sua natureza impetuosa em números e equações. Mas aquela mulher fascinante diante dele continuava a falar e, para ele, ela era o ser mais bonito em todo o planeta naqueles minutos. E sua inteligência desnudava em palavras bem ponderadas o que ia em seu ser atormentado. Enquanto isso, uma simples pergunta e o toque fugaz em seu antebraço faziam-no pender para a morena a seu lado -- e sua doçura, mais pressentida que provada, era ainda assim mais pungente que a calda escura e tépida na salva de prata próxima.

E havia ainda a escultura platinada à esquerda, que nada dizia mas era perfeita, carne esculpida por Fídias que faria Páris abandonar a escolha de Afrodite no concurso fatídico.

17.3.06

Do diário de Robert Wilde:

Não existe amor verdadeiro sem aflição. O amor é como uma convulsão, especialmente se não for expresso.

15.3.06

Eu e Elisinha fomos ontem ao lançamento do livro de Cora Rónai "Caiu na rede", sobre aqueles textos falsos atribuídos a escritores famosos que certamente você já recebeu em sua caixa postal. O lançamento foi no 00, na Gávea, e apesar do calor, foi leve e divertido.

Esta semana, aliás, tem muitas festas. Sexta, o niver da Fátima Iocken, e sábado, dois outros aniversários, um em Nikiti City, outro no Rio. É sempre assim, há uns fins de semana repletos de coisas, e você ainda quer fazer outras... E existem aqueles em que nada aparece. Nem na televisão.

Talvez as festas me animem um pouco esta semana. Ontem já ajudou um pouquinho. É que estou completamente inquieto e taciturno estes dias. É quando bate aquela solidão lá no fundo, a solidão que anuncia mudanças... Escrever poesia pode ser basicamente resumido a isto: a tentativa (em vão) de exorcizar essa solidão.

Passei o último sábado ouvindo Janis Joplin e The Doors, talvez porque sejam artistas que comuniquem bem o desespero desse tipo de solidão. Em Janis, "Ball and Chain" é a música número 1 em termos de arrebentar com a alma do ouvinte. Você escuta a voz de Janis e quer entrar no aparelho de som, ir lá pro show e pegar a cantora no colo, dizendo "babe, não fique assim".

Já Jim Morrison é o poeta que mostra a falta de sentido da vida quando canta "The End" e "Riders on the storm". E os teclados de Ray Manzarek nos carregam docemente para o limbo.

14.3.06

É preciso estar, sempre, bêbado. Tudo está lá, eis a única questão. Para não sentir o fardo do tempo que parte vossos ombros e verga-vos para a terra, é preciso embebedar-vos sem tréguas.

Mas de quê? De vinho, de poesia ou de virtude, a escolha é vossa. Mas embebedai-vos.

E, se às vezes, sobre os degraus de um palácio, sobre a grama verde de uma vala, na solidão morna de vosso quarto, vós acordardes, a embriaguez já diminuída ou desaparecida, perguntai ao vento, à onda, à estrela, ao pássaro, ao relógio, a tudo o que passa, a tudo o que geme, a tudo o que rola, a tudo o que canta, a tudo o que fala, perguntai que horas são; e o vento, a onda, a estrela, o pássaro, o relógio, vos responderão: "É hora de embebedar-vos! Para não serdes escravos martirizados do Tempo, embebedai-vos, embebedai-vos sem parar! De vinho, de poesia ou de virtude: a escolha é vossa."

Charles Baudelaire

13.3.06

Love's got a hold on me, baby,
Feels like a ball and chain.
Oh, love's holdin' on to me,
Feels to me, oh like a ball and a chain
Honey somethin' will grab around the knees,
Grab me in my heart,
Feels to me like a ball and a chain!

(Janis Joplin)

10.3.06

Moçada, sou finalista ao prêmio SecMaster de melhor contribuição jornalística na área de segurança da informação, que venho cobrindo há um bom tempo. Há uma comissão julgadora, mas também uma votação popular. Por isso, se quiserem me dar uma forcinha, o site para votação é

http://www.securityweek.com.br/secmaster/Quero_Votar.aspx

É preciso se cadastrar para votar. Uma vez cadastrado, deve-se entrar com login e senha e ir até a categoria Finalistas para Contribuição Jornalística. Eu estou lá esperando seu voto.
A quem puder dar uma força, agradeço.

(Obs: é preciso votar nas outras categorias também).

7.3.06




Nas duas fotos do alto, visões do campo após uma nevasca na estrada para Bruxelas. Na foto acima, a Basílica do Sangue Sagrado, em Bruges, para onde um cavaleiro cruzado, reza a tradição, levou no século XII uma relíquia com o sangue de Cristo. Ela é levada em procissão num relicário belíssimo, de ouro e pedras preciosas, concluído entre 1614 e 1617 por um artista local.


De volta de uma viagem a trabalho na Bélgica. O frio europeu estava intenso. Por volta do meio-dia, fazia entre 3 e 4 graus. À noite, eles caíam para 1, zero ou -1 grau. Brrr. Na primeira foto, estou no pátio interno do campanário de Bruges (que começou a ser construído na primeira metade do século XII). Na segunda foto, numa praça nevada perto de Leuven.

24.2.06


Recomendo "Match Point - Ponto final", do Woody Allen. O filme é soberbo. Até eu, que não ligo muito para óperas, curti a trilha cheia de árias que o diretor bolou.

E Scarlett Johansson... ah, Scarlett Johansson é o pecado original. E a gente só quer saber de mergulhar nele. Veja a foto.

Também vi "Orgulho e preconceito". Muito bom como um painel da sociedade britânica no século XIX. Achei a história parecida com a de "Razão e sensibilidade".
Fui ao show dos Rolling Stones e me acabei. Os velhinhos ainda dão conta do recado. It's only rock and roll, but we like it!

31.1.06

Those who dream by day are cognizant of many things which escape those who dream only by night.

Edgar Allan Poe

22.1.06

Beijo-xamã,
o teu -- opera maravilhas curativas
no fantasma ferido
que suspira sob minha carne.

Beijo-luneta
que conjura constelações
frementes
quando fecho minhas pálpebras
e me entrego.

Beijo-seqüestro
pois me arranca do velho eu
e desenha um novo cativeiro
suavemente.

Beijo-abandono
com saliva de adeus, bem sei;
pois tenho beijado
minhas próprias lágrimas
ao antever, homem infeliz que sou,
tua mão graciosa afagando
o bilhete do check-in.

Serás minha ao menos uma vez
antes de montar no pássaro de aço?
Ah, se os arcanjos queimam nas nuvens
por algo mais que devoção ao Uno
eles ouvirão minha prece sussurrada por ti
entre taças de absinto
às três da manhã.

19.1.06

De volta de uma merecida folga após trabalhar nos dois dias do réveillon. A folga caiu na semana em que o sol ficou e permitiu o trinômio praia + piscina + cerveja, na casa de um velho amigo em Itaipuaçu. Passei alguns dias aproveitando para jogar wargames e filosofar um pouco sobre tudo, de arte a política.

Bendito seja o ócio.

30.12.05

Adaptado de minha correspondência:

"A vida dita estável tem muitos frutos doces, mas também os frutos amargos. O principal deles está impresso numa frase sua, que mostra como o dia-a-dia descaracteriza nossa essência. Isso provoca aquela angústia nos momentos mais improváveis, que eu e você conhecemos bem. Talvez seja por isso que dizem que a felicidade é feita de momentos. Porque no intervalo desses momentos, há outros, muito duros, contra os quais a gente precisa lutar. Para afugentar a sensação de solidão."

Que em 2006 seja possível vencer todas as lutas, afugentar todos os fantasmas, e subir às colinas verdejantes da Harmonia, levantar a espada e gritar "sim" para o cosmo.

29.12.05

Ridin' down the highway
Goin' to a show
Stop in all the by-ways
Playin' rock 'n' roll
Gettin' robbed
Gettin' stoned
Gettin' beat up
Broken boned
Gettin' had
Gettin' took
I tell you folks
It's harder than it looks
It's a long way to the top
If you wanna rock 'n' roll

AC/DC
Ah! que delícia estar com você
e falar de tudo e de nada
e perceber a vida circulando pela mesa
como os elétrons riscam o céu do átomo.

E beber devagar o líquido de ouro
que se tempera mais com seu riso;
e sentir o sangue inflando o coração
como se quisesse sair em chafariz
e gritar liquidamente a paixão absoluta
que faz de meu corpo refém
todas as vezes que a abraço.

26.12.05

Passei este Natal na casa nova -- só eu, Wal e as meninas. Foi um Natal tranqüilo, apesar do calor do sábado. Quando finalmente choveu e esfriou, gostei muito. O domingo foi perfeito para a reflexão e a leitura.

12.12.05

Nas últimas três semanas, fui quatro vezes a São Paulo, a trabalho, para eventos diversos. Como sempre, o fim de ano está mais corrido do que nunca. Aproveitei ao menos um fim de semana para comemorar meu niver em Nikity City com um churrasco e relaxar um pouco. Já estou na versão 4.3...

Espero ainda poder rever antes do apagar das luzes do ano alguns amigos que não encontro há vários meses. Haverá alguns chopes pela frente, pois.

Fiz também uma resenha sobre uma antologia de João do Rio lançada há pouco. Saiu no Prosa e Verso deste sábado, ainda está no site de O Globo.

25.11.05

Erotika

De manhã
seus seios brancos
chamaram
as aréolas girando
duas pêras quentes
flambadas
em minha
saliva atômica

Minha mão
qual aranha malformada
escorregou até
sua teia negra
e encheu de água
a caverna ao sul

então o vale entre
as colinas arrebitadas
recebeu o aríete
e viu-se inundado
de lava-seiva.

De manhã.
Boa notícia! Eu e Elis Monteiro somos finalistas do Prêmio Imprensa Embratel pela reportagem "Muito mais que dez anos", publicada no Info Etc. A entrega do prêmio é daqui a duas semanas, com festa no Canecão. Agora é cruzar os dedos e torcer.

21.11.05

When I read a book I seem to read it with my eyes only, but now and then I come across a passage, perhaps only a phrase, which has a meaning for me, and it becomes part of me.

Somerset Maugham

12.11.05

De volta de Brasilia, onde estive num evento de TI. Aproveitei para tomar uma cerveja com a querida Cristina De Luca, excelente papo e uma das mentes mais lúcidas deste país. No Rio, com ela superocupada em O Dia e eu envolvido com as reportagens do Info Etc, raramente conseguimos nos encontrar, mas um evento techie sempre oferece uma ótima oportunidade para rever os amigos.

7.11.05

Bárbara Veloso (Babs) e este escriba no dia do aniversário dela, 31/10. A festa foi na Taberna do Juca, na Lapa, e diversão não faltou. A galera do Globo Online compareceu em peso e no fim acabou todo mundo na calçada da taberna, jogando muita conversa fora e consumindo incontáveis chopes.
Na volta, peguei carona com Clarissa e Gilberto, grandes amigos da Elis Monteiro, e pudemos contar com a inédita versão de "Strangers in the night" entoada pela Fátima Iocken, a mulher mais animada que já existiu na face do planeta.
Foi uma daquelas noites em que a gente se sente mais jovem (e eu estava meio down, porque acabara de voltar das férias e, sabe como é, os primeiros dias do batente deprimem...). Nada como uma festa para espantar o baixo astral.

4.11.05

Depois de ler "A alma encantadora das ruas", de João do Rio, e de passar uma temporada mergulhado na "Trilogia suja de havana", do Pedro Juan Gutiérrez (que adorei), estou absorto na série "A torre negra", de Stephen King. Já li os dois primeiros dois volumes (o segundo em poucos dias) e estou começando o terceiro. A história combina influências de Tolkien, poemas épicos e faroestes do Sergio Leone. O personagem principal foi claramente inspirado no ator Clint Eastwood, ou pelo menos nos tipos que ele imortalizou na telona. E tem um nome adequado: Roland.

31.10.05

Perdoem a longa ausência: eu estava de férias e fiquei desconectado o mês inteiro. Foram férias bem quietas, com muito descanso e duas pequenas viagens.

Mas agora acabou a moleza: estou de volta para tirar as teias de aranha daqui e postar novos versos, em breve.

27.9.05

Fotos do lançamento do livro:















Eu, Aroaldo Veneu e Fernando de Oliveira















Com Elis Monteiro

20.9.05

Bem gostoso o lançamento do livro ontem. Recebi as visitas de Mestre Carlos Alberto Teixeira, Elis Monteiro, Leonardo Pimentel, Cristina Azevedo, minha querida Cida Calu, Fátima Iocken, Bárbara Veloso (a musa do livro) e muitos outros amigos. Ri muito com meus partners Fernando de Oliveira e Aroaldo Veneu e depois fui esticar em Nikiti City.

Isso é que é começar bem a semana.

13.9.05


Olha o convite para o lançamento do livro aí. É só clicar para ver os detalhes.

2.9.05

Amanhã, às 10h, eu e mestre Fernando de Oliveira daremos uma entrevista no programa da Promo Info na Rede Record sobre o novo livro, escrito com mestre Aroaldo Veneu, "Linux: comece aqui".

O lançamento do livro já está marcado: vai ser dia 19 de setembro, na Letras e Expressões, em Ipanema, a partir das 20h. Em breve vou botar um JPG do convite aqui.

31.8.05

Open-house na casa nova da Elis Monteiro no sábado. Foi uma festa hilária, com direito a coreografias da Fátima e a vôos involuntários de taças de vinho da anfitriã. Aproveitei para levar o violão (algo que não faço há milênios numa festa) e tocar um pouco para a galera. Foi bom desenferrujar os dedos e me deixar levar pela música uma vez mais. Sérgio Maggi estava na parada também.

21.8.05

Safadeza depois do plantão

Dance comigo, morena
Encoste sua cabeça na minha
e diga as mais terríveis sacanagens
com um sopro tênue no meu ouvido.

Eu não quero saber de nada do que acontece
Só quero saber de você.
Do seu lead e sublead
De suas retrancas
De seus boxes
Dos seus "olhos"
Da "suíte"
Dos seus suplementos
Das mentiras do seu horóscopo

Deixa o mundo passar
que as grandes novas
logo ganham bengalinhas
e saem para passear com um namorado
ou uma corvina.

Morena, hoje somos só nós dois
e aquele CD ali.

17.8.05


Brincando de dirigir o "Brasil 1", do Torben Grael, num breve tour pela Baía de Guanabara. Aproveitei para levar um papo com ele sobre a tecnologia do barco.

Reunido com a galera de três semestres da Escola de Comunicação da UFRJ (ECO), na festa que comemorou os 25 anos de entrada na universidade da turma de agosto/80. Foi um dia hilário, num sítio da Barra, com direito a muita cerveja. Eu até joguei futebol (ou melhor, tentei, meu joelho inchado é testemunha). Foi realmente o maior barato. Revi alguns coleguinhas que não encontrava há quase três décadas.

2.8.05


Eu não falei? Acaba de sair do prelo meu novo livro, escrito junto com Fernando de Oliveira e Aroaldo Veneu. "Linux: Comece Aqui" é o título, e ele é o diário de um usuário que se encontra pela primeira vez com o sistema operacional de código-fonte aberto simbolizado pelo pingüim, e conta sua experiência. O livro é voltado para quem não conhece o Linux e foi baseado na distribuição Fedora Core 2. Em breve, aviso aqui quando e onde será a noite de autógrafos. O prefácio do livro é de Mr. Marcelo Balbio e a quarta capa, de Elis Monteiro.

31.7.05

Em breve sai do prelo mais um livro techie de minha lavra, junto com os parceiros Fernando de Oliveira e Aroaldo Veneu. Aguardem.
Fui visitar outro dia minha querida amiga Alessandra Archer, para finalmente conhecer seu filho Pedro. Foi muito bom revê-la, e botamos nosso papo em dia. Pedro é gente boa demais, muito simpático.

Nada como estar com os amigos: é o que tempera a vida.
Niver de Cora Rónai hoje. Um grande beijo deste Guardião, dear.
De volta de NY a trabalho, semana passada. A capital do planeta estava envolta num calor insuportável, mas seu charme é imune a qualquer clima. No meio de lançamentos de bits e bytes, uma parada no Blue Note para curtir um show do pianista de jazz Ahmad Jamal, inacreditável em termos de quantidade de convenções musicais numa mesma peça. O baterista Chris Mohammed fez um solo memorável, extremamente melódico, atento à afinação de cada tambor. Orgasmático.

Nos momentos de folga, me demorei no Central Park, livrarias, Trump Tower, Disney store, fui até Times Square (de novo -- em 2000 estive lá, vi "Chicago" na Broadway antes de o filme ser feito e subi o Empire State) e depois descansei num Starbucks.

O bar do hotel onde estava -- o W New York, na avenida Lexington com a rua 49 -- era excelente e ficava animado todas as noites. Projetava vídeos com efeitos relaxantes nas paredes, como o de uma cortina de água. Os jornalistas se reuniam ali no fim de noite para uns drinques antes de apagar de cansaço na cama. Meu eleito foi o mojito: bacardi limón, gelo, limão e menta.

18.7.05

Wal e eu tivemos um fim de semana de folga após as confusões da mudança (me mudei para mais perto da escola de minhas filhas, no fim de maio): Jessica passou uns dias em São Paulo, num mega-evento de animes, e Rebeca foi curtir as férias com as primas. Aproveitamos o tempo perfeito de sábado e domingo para passear sem destino por Icaraí e depois tomar um vinho. Lembrei-me dos tempos de namoro, em que, juntos, só curtíamos os prazeres, antes de partir para o desafio real da convivência, que é o casamento.

Namorar é uma delícia. Só o uso dessa palavra me faz um velho nesse mundo de multibeijos na boca na mesma noite e "ficantes". Bom, eu também já fiquei algumas vezes, e reconheço que é bom, mas namorar é muito melhor.

4.7.05

Gripadão, no sábado, aproveitei que tinha que ficar em casa mesmo para assistir aos shows do Live 8 transmitidos ao vivo pela MTV. Foi muito legal ver a formação original do Pink Floyd reunida, e a paixão do velho (e bote velho nisso) Roger Waters ao cantar as músicas mesmo fora do microfone. Outros shows muito bons foram os de Paul McCartney, Elton John, Annie Lennox, Green Day (em Berlim) e Madonna. Não vi o The Who, só um flashzinho, mas pareceu legal também.

26.6.05

Mas que boa notícia: Gustavo de Almeida de volta ao Blogus. É para celebrar, e muito!!!

Meu primeiro teste com o serviço de imagens do Blogger, aproveitando um ensaio de 1983 com milha velha banda, o Estrada Fróes, no Teatro do Instituto Gay-Lussac, em Niterói.

O ensaio foi em junho daquele ano e nos preparava para um show no teatro da UFF, que ocorreu no dia 7 de julho seguinte e foi um marco na história da banda. Esta durou mais ou menos até 1992, com várias formações.

Hoje mal tenho tempo de pegar meu violão e sinto muita falta de empunhar uma guitarra e mandar ver.

Para mim, não há nada como um bom show de rock, estando você no palco ou na platéia. Mas no palco a sensação é indescritível.

É como diz o The Who: long live rock, be it dead or alive ;-)

Oh yeah.

22.6.05

Quando a alma está inquieta
não há paisagem que a apazigue:
adeus, montanhas cobertas de verde
adeus, pinheirais de cheiro impoluto
vocês não podem curar
uma criatura torturada
pelas próprias sinapses.

Talvez o mar:
sim, pois o mar encerra em si a beleza e a morte
e é como o fantasma mutável
que vive no sótão de nossos órgãos.

14.6.05



Filosofando no chope, já com saudade da bela morena que acabara de sair da mesa... Só mesmo Nelson Vasconcelos para conseguir fazer a foto do meu real estado de espírito.

9.6.05

Boa notícia: ganhei, junto com Elis Monteiro, o prêmio interno do Globo de melhor matéria do mês nos suplementos do jornal com a reportagem "Muito mais que dez anos", publicada em maio, sobre os primórdios da internet brasileira.

Yesssss!

7.6.05

O beijo que não houve

Foram poucos minutos
mas nós jogamos o jogo
-- você não parou de sorrir;
eu olhava para baixo
e dizia qualquer coisa
E Eros brincava, invisível,
entre nós.

Teria sido perfeito
o beijo que, no fundo,
queríamos roubar ali mesmo
na calçada
no meio da tarde
num tesão súbito de outono.
Mas o Momento se impacientou
e apertou o passo.

Você foi para o litoral
e eu, para o deserto.
O beijo, no entanto,
permanece suspenso no ar
se queixando do desperdício.

29.5.05

Sou poeta
e onde tu vês chuva e vento
eu vejo a fúria das esferas e cristais derretidos
Torneio palavras
e onde tu lês o fato
eu percebo a conjuração de almas impenitentes
Escolho a pena
e onde tocas a textura da tinta
eu sinto o cheiro de sangue.

Eu não tenho profissão
Eu não tenho planos
Eu não tenho a porra da sinergia
com o universo mesquinho
dos escravos engravatados
da mais-valia globalizada.

Eu sou só poeta
e o poeta, se for um navio, será sempre o Titanic
se for uma ilha, será sempre Krakatoa ou Santorini
se for um dirigível, será sempre o Hindenburg
se for uma civilização será sempre inca, maia, asteca ou sioux.

Eu sou poeta
e morro um pouco a cada verso.
Mas é isso o que ilumina o instante.

18.5.05

Um de meus filmes favoritos é o musical "My fair lady", baseado em "Pigmalião", de Bernard Shaw. E o pai fanfarrão da personagem de Audrey Hepburn, Alfred Doolittle, canta algumas das mais divertidas músicas. Como "With a little bit of luck". Aqui, alguns trechos...

The Lord above gave man an arm of iron
So he could do his job and never shirk.
The Lord gave man an arm of iron, but
With a little bit o' luck,
With a little bit o' luck,
Someone else'll do the blinkin' work!

The Lord above made liquor for temptation,
To see if man could turn away from sin.
The Lord above made liquor for temptation, but
With a little bit o' luck,
With a little bit o' luck,
When temptation comes you'll give right in!

17.5.05



Elis Monteiro, eu e, no fundo, a doce Mariana Ceratti num recente evento de telecom. Dia de trabalho, mas também do prazer de reencontrar os coleguinhas.

24.4.05

Meus olhos são desconexos
e não servem à lente;
meu olhar é taciturno
e cheio de não-me-toques;
ele gosta de lembranças furta-cor
e não do instante eternizado
e objetivo.
é na palavra que me deleito
é com ela que me lambuzo
e invento
emaranhados quânticos
de significados.

19.4.05

Enfurnado hoje o dia inteiro num evento de telecom e olhando de olho comprido pra esse marzão de Copa sob o sol... ai ai. Mas pelo menos o evento foi legal e teve umas novidades interessantes (meu Deus, elas não param) para nossos companheiros celulares. É uma indústria sempre acelerada...

13.4.05



O tempo magnífico da baía de San Francisco (com um frio de 10 graus) durante o evento Color Sense, da Xerox. E uma turma de coleguinhas internacionais: Emil (Polônia), María (Argentina), eu e Dan (Romênia). Ao fundo, a outrora temível ilha-presídio de Alcatraz.



Parte da turma latino-americana no mesmo evento: María, eu, Carlos (Argentina) e Letizia (México). Tomamos um longo café no Starbucks e falamos sobre tudo: literatura, política, jornalismo e, é claro, tecnologia.



Outra viagem. Com coleguinhas muito legais: as duas Carolinas (Oliveira, do Jornal de Brasília, e Quintella, do JB Online) numa pausa num evento da EMC em Campos do Jordão.


A turma toda reunida para um "chops" no centro de Campos do Jordão. Esta turma foi uma das mais animadas com que já viajei.

5.4.05

De volta, pessoal, depois de uma semana no friozinho da costa oeste dos EUA, em San Francisco e Portland, a trabalho. Visitei um dos templos do saber techie, o Parc (Palo Alto Research Center), que muito contribuiu para nosso dia-a-dia de bits e bytes atual. Contarei tudo no Info Etc de segunda-feira. Aguardem.

23.3.05

É isso aí, moçada.

"AUMENTO ZERO NÃO
Jornalistas lotam o Sindicato e decidem lutar contra tese xiita


Um evento como há muito não se via no Rio de Janeiro. Auditório lotado, os jornalistas profissionais deram um show de solidariedade e mobilização na assembléia da noite de ontem. Por praticamente unanimidade, foram rejeitadas as propostas patronais de rádio e TV e jornais e revistas de aumento real zero em 2005. A tentativa dos patrões de dividir os jornalistas, propondo abonos diferenciados, foi reprovada. A assembléia autorizou o Sindicato a fechar um acordo somente se os patrões deixarem o radicalismo de lado e entenderem que temos direito a aumento real para compensar um sacrifício que dura quatro anos, com reajustes inferiores à inflação.
A assembléia autorizou o Sindicato carioca a iniciar um movimento com o Sindicato de São Paulo para alertar a opinião pública a respeito do desinvestimento nas redações e na qualidade do jornalismo. Em São Paulo, os jornalistas de jornais e revistas conseguiram um aumento real além dos abonos, mas o acordo com rádio e TV não foi fechado, apesar de a data-base ser em dezembro, porque lá também eles insistem no mesmo radicalismo: zero de aumento real. No caso do Rio o radicalismo é ainda mais incompreensível porque os veículos tiveram um desempenho em 2004 superior à média nacional. Em um ano o aumento do faturamento bruto com publicidade foi de 33,15% nas TVs, 20,61% nos jornais e 37,91% nas rádios.
Os patrões insistem no princípio xiita do aumento zero em vez de se abrirem ao diálogo (como sempre fizemos) e aproveitarem o momento favorável da economia para começar a pagar sua dívida conosco. Por aceitarmos reajustes inferiores à inflação nós acumulamos, em quatro anos, perdas que somam 11,99% na mídia impressa e 14,5% nas emissoras. Sem contar a inflação de 5,8% do último ano. A assembléia considerou a proposta de aumento real zero um radicalismo sem sentido e rejeitou um acordo só com esmolas, ou melhor, abonos. Por mais interessante que pareça em um primeiro momento, todos sabemos que abono vira pó rapidamente. Precisamos começar a repor as perdas que aceitamos em nome de uma recessão que não existe mais.
O momento é de mobilização e o sucesso do nosso movimento depende de você. A assembléia de ontem mostrou que os jornalistas querem lutar por qualidade de vida. Se você acha que chegou a hora de parar de perder salário, aceite o desafio de convencer seu colega, seu chefe, seu editor e a direção de sua empresa de que nossa reivindicação é simplesmente justa. Os representantes patronais têm argumentado que o momento brasileiro é bom, o desempenho do setor foi sensacional, mas não podem dar aumento porque não sabem como será o futuro. Mas não é assim mesmo que as coisas funcionam? Por acaso só teremos direito a aumento quando eles tiverem uma lâmpada de Aladim ou uma bola de cristal para adivinhar um futuro eternamente grandioso?
É importante você saber que não estamos falando de futuro, mas de um ano de grande desempenho positivo das empresas, de fevereiro de 2004 a janeiro de 2005. E de quatro anos de perdas passadas. Quando aceitamos as perdas, não usamos o argumento ridículo de que o futuro seria melhor. Se a economia brasileira piorar no futuro, saberemos, como sempre, agir com flexibilidade e dividir o prejuízo. Mas agora temos direito à divisão de um bolo que cresceu muito. A maioria das categorias profissionais no Brasil tem conseguido aumentos reais em função disso. Não há motivo para discriminação contra os jornalistas. Não somos categoria de segunda.
Mobilize sua redação, chame o colega para a discussão, fortaleça sua categoria e prestigie seu sindicato. Faça reuniões, debata, pressione. Use os adesivos que vamos distribuir contra o radicalismo do aumento real zero. Prepare-se para a próxima assembléia, que vamos convocar provavelmente na próxima semana. Vamos dizer que os jornalistas do Rio decidiram não trocar seus direitos e sua dignidade por abonos passageiros. E que não concordamos com um radicalismo absurdo que prega o aumento zero em tempo de vacas magras ou gordas. Não ao aumento zero!


Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro"

22.3.05

Fui ao show do Lenny Kravitz ontem. O cara é muito bom, mas sua banda é simplesmente inacreditável. A baterista, Cindy Blackmon, bate melhor que muito batera por aí. Que preparo físico. O guitarista solo, Craig Ross, dá a pimenta carnal do rock à levada soul/funk do baixista Jack Daley. Um Showzão, assim mesmo, com S maiúsculo.

Kravitz é fã do Kiss e as guitarras pesadas dos anos 70 (década em que ainda se sabia tocar guitarra de verdade) ecoam em sua música. Em dado momento, ele cantarolou um "Eh-he-he-hey-yeah" e pensei que fosse tocar "I love it loud", mas emendou um de seus petardos roqueiros.

19.3.05



Com Sérgio, Luizinha e Tielli na festa da Bia Rónai, sábado passado. Foi um agito só.
Minha doce Elisinha está de molho, com o pé dodói, lá em Bom Jesus. Querida, espero que você melhore logo e volte para a redação em breve; o dia-a-dia nunca é o mesmo sem você.

Miss you dearly.
A Crib Tanaka, com quem estou escrevendo uma nova história, bem devagarinho, finalmente abriu um blog próprio. Demorô.

Está aqui.
Já se passaram duas semanas, mas eu queria saudar aqui mesmo assim a chegada do Pedro, filho de minha querida Alessandra Archer, que está numa fase maravilhosa de sua vida.

Alessandra, parabéns e que vocês todos sejam muito felizes.

Um beijo de seu amigo eterno, que está com muita saudade.
Hoje o "carpe diem" é a ordem na sociedade do tecno-capital; agarre o momento porque amanhã ele pode não mais existir. As celebridades que não têm nada a dizer já são famosas por bem menos de quinze minutos e as tecnologias se sucedem avassaladoras, sem misericórdia, maravilhando e às vezes assustando um pouco em sua voragem.

Mas, como eu sempre digo aos amigos, não há nada como conseguir, de vez em quando, ver as coisas pela primeira vez.

Ora, dirá você, mas hoje todo mundo já viu tudo.

Pode ser, responderei. Mas para mim tem uma coisa que jamais se repete e é uma das delícias de estar vivo: fazer uma nova amizade. Assim como quem não quer nada, num encontro casual, no meio do dia.

Ontem isso aconteceu comigo: eu já conhecia a pessoa, mas ainda não sentara para conversar com ela com mais profundidade. E ontem isso foi possível. O papo fluiu como o mar, em todas as direções, despreocupado, senhor de si, imprevisível. Rimos; falamos de nossos passatempos e aspirações; do trabalho; das angústias que afligem nossos cérebros bombardeados por tanta informação; dos sonhos e da vontade de aprender sempre mais; e eu, que acordara mal-humorado por estar duro (e por não ter recebido ainda um dinheiro com que contava), senti uma réstia de luz iluminando minha alma.

Foi tão bom, mas tão bom, que não percebemos o passar da hora. A Realidade, parafraseando Wilde em "Dorian Gray", chegou disfarçada do funcionário do restaurante onde estávamos, que apagou as luzes. Ah, que pena: tínhamos que voltar à lida.

Foi só um pequeno encontro, mas eu fiquei feliz; ando trabalhando demais e até gosto do agito do trabalho em movimento constante, mas isso também faz com que me sinta sozinho e um pouco angustiado às vezes. Conhecer um novo alguém para mitigar essa sensação é igual ao anúncio do cartão de crédito: não tem preço.

Espero que nos vejamos mais. Um brinde a estar vivo!

4.3.05

Peço desculpas pelas longas ausências; estou envolvido com vários projetos e nem sempre sobra tempo para vir cá.

Para compensar, aí vai mais um.

Dançando no mato
seu perfume colado a minhas têmporas
eu sinto a febre ascender
pela medula
e desejo namorar você
como nos eighties
quando namorar
ainda não era anacrônico.
Você é um tantinho doida
e me diz baixinho que me prefere
(ah, eu não posso com isso... ah)
e o perigo ali ao lado
torna tudo mais agudo, mais afiado
eu quero te beijar ali mesmo
e arrancar as convenções do seu corpo lindo
e tomar o lugar dos carrapichos
que povoam suas coxas.
Estou tonto
e selvagem
e descontrolado
e sozinho
à beira de um precipício tormentoso.

Venha você e sopre de mim
o barro da timidez
pois eu preciso viajar
com seu vento convidativo
e mergulhar no Estige dos amantes
que me chama
lá embaixo.

18.2.05

Tinha tudo para dar errado: era uma festa de family day, longe para caramba, com turmas de diferentes sabores e idiossincrasias. Mas deu MUITO certo: foram consumidos oito engradados de cerveja, muito churrasco e até feijoada. Ninguém ligou para a chuvinha que caía intermitente: quando apertou, todos se sentaram na varanda da churrasqueira, falando mais bobagens à medida que a bebida subia e relaxava o cérebro. A toda hora um dos anfitriões passava do freezer garrafas de Antarctica com aquela capinha de gelo para um isopor ao nosso lado. E tome álcool e reflexões. Até que a música de que vinha do CD player de uma picape começou a chamar a galera, já à noitinha. Quase todas as mulheres estavam a fim de dançar, e dancei com elas, tonto e feliz, sentindo o perfume de cada uma e me concentrando no abraço e no ritmo (meditação é isso, com a vantagem de um corpo de mulher entrelaçado ao seu). Dancei samba, rock, disco e até american standards.

A van que ia nos buscar só chegou às duas da manhã. Mas eu teria dançado até as cinco.

4.2.05



Fiquei sabendo há pouco e quero dividir minha alegria com vocês: meu livro com mestre Aroaldo Veneu, "Como fazer CDs de alta qualidade", foi o número 1 em vendas da divisão de tecnologia da editora Campus em 2004.

Vou passar o carnaval em estado de graça ;-)

28.1.05

Fui ver "Closer". Embora um pouco longo demais, o filme tem um roteiro excelente e diálogos afiados. Ele mostra bem como, nos relacionamentos amorosos, afloram com mais facilidade nossas tendências (auto) destrutivas e como basta deixar as mazelas de nossas almas mal resolvidas se imiscuirem no dia-a-dia para ir sabotando nossaa visão do Outro. Natalie Portman é dona do filme (mereceu o Globo de Ouro). Ela e Clive Owen roubam a cena de Jude Law e Julia Roberts.

Ah, e a cena do chat de Law e Owen é uma das mais hilárias do cinema.

25.1.05

Fizeste de meu coração
o guisado do alquimista
e mexes nele devagar
querendo me transformar
no homem dourado do crepúsculo.

Eu te desejo
mas o sangue velho
de feridas
escapa
como os raios de Apolo
fogem do horizonte
que os aprisiona.

Liberta-me:
beija-me antes que eu fale
e me abraça com teus olhos curiosos
ó riscadora
de cidades elétricas
dentro do meu sistema.

16.1.05

Wal e eu estamos gripados, com febre e indispostos. E eu estou de plantão, neste fim de semana de calor (felizmente a redação é bem refrigerada, mas do ponto de vista da gripe isso não ajuda muito).

Hoje de manhã, eu me levantei desanimado, pensando no plantão que me esperava e nas tarefas para a semana que continua (no fim, acaba sendo uma "semana" de 12 dias direto no batente), inexorável. Ó Tempo indiferente às mazelas humanas...

Mas em dado momento levantei a cabeça do jornal que folheava e lá estava Rebeca, minha caçula: vendo-me jururu, trouxera uma bandejinha com um suco e um sanduíche para mim. Sorri, o dia já ganho, e agradeci ao Espírito silenciosamente pela minha sorte. Ter filhas amorosas: o que mais um homem pode querer?

10.1.05

Estou precisando exercitar a paciência. Do contrário, fico exausto de tanto me estressar.
Fui ver "Os incríveis" com as crianças no sábado e me diverti à beça. A cada desenho a Pixar se supera.

29.12.04

Fiquem com Oscar em 2005 e sejam felizes. Ou vivam para o prazer, porque, como Wilde disse, nada envelhece tanto quanto a felicidade. ;-)

I believe that if one man were to live out his life fully and completely, were to give form to every feeling, expression to every thought, reality to every dream--I believe that the world would gain such a fresh impulse of joy that we would forget all the maladies of mediaevalism, and return to the Hellenic ideal-- to something finer, richer than the Hellenic ideal, it may be.

(Lord Henry Wotton, em "O retrato de Dorian Gray")

28.12.04

Tenho um coração-prisma
que dispara auras psicodélicas
por todos os postigos;
é-me impossível amar com fronteiras.

não dá para pôr frames
no sentir, no desejar;
não se pode encerrar
o que pulsa
num único quarto
se a gente quer
todos os cômodos
e dizer para aquelas
com as faces que tonteiam:
"um beijo, suplico."

Não à posse;
sim à liberdade sem fio
sim aos ímãs femininos
que me fazem chorar de tanta beleza.

27.12.04

Passei o Natal no sítio da família, um lugar repleto de sons da natureza -- de pássaros pela manhã a grilos e rãs noite adentro -- e, não fossem as comemorações natalinas dos humanos, um recanto de quietude interna também. Meu lugar favorito por lá é um velho escorrega de piscina trasladado para baixo de uma mangueira copada e de sombra convidativa. Aproveitei para ler até o fim um clássico: "Enterrem meu coração na curva do rio", de Dee Brown, que conta a história do Velho Oeste do ponto de vista dos índios e mostra como o homem branco mentiu até a medula para ir tomando aos poucos o território das tribos de nativos do continente. Não pude deixar de pensar que Bush e companhia usaram exatamente as mesmas táticas para fomentar a guerra no Iraque. Nada parece ter mudado.

Bom, mas até que a festa foi tranqüila e as crianças curtiram, felizes -- o mais importante. Espero que todos tenham tido um Natal sossegado. E para 2005 e além, vamos torcer para que apareça uma liderança neste país realmente determinada a torná-lo mais seguro, com instituições que possamos legar para as futuras gerações, de modo que elas voltem a compreender o sentido da palavra esperança.

17.12.04

Por falar em eventos na noite, foi legal o lançamento do livro "Paralelos", fruto do site que anda revelando novos talentos na web. Mestre Augusto Sales, meu guitarman preferido Gustones, com Marcele, minha partner em contos Crib Tanaka (belíssima, chegou arrasando) e outros estavam todos lá, autografando exemplares de montão. Também encontrei a querida Ronize Aline na área, sempre simpática e gente finíssima.




Mais fotos da mesma night -- na primeira, Cora e Carlos Alberto Teixeira saboreando deliciosos acepipes e, na segunda, Cora durante sua conferência. As fotos estão pequeninas porque foram feitas em baixa, com meu celular.


Cora Rónai e sua coleção de celulares em palestra ontem na night carioca. Foto by Carlos Alberto Teixeira.

15.12.04

Go baby driver
Been drivin' on down the road
Oh, what a rider
Carryin' such a heavy load
Don't ever need to know direction
Don't need no tow, food, gas, no more...

(Kiss, "Rock and roll over")

13.12.04

Soneto para uma mulher tinhosa


És arguta e generosa
Quando queres agradar
Mas deveras rancorosa
Se te contraria o ar

Eloqüente quando falas,
Tornas púlpito o altar;
Mas revoltas o silêncio
Sem saber quando parar

Pois a última palavra
Queres monopolizar
As idéias de tua lavra

Para ti são o que há
Pois, te digo, já se javra
O tonel a te encerrar.

10.12.04

As fotos do meu niver:


Elisinha e eu em clima de amasso total no Galeto...


Elis, Fátima e Bárbara: um trio mais divertido que este não existe!


O sortudo aniversariante cercado por suas amigas.


Eu, Renatinha Maneschy e o boa-praça Sérgio.


Da esquerda: Babi, eu, Renata, Sérgio, Luiza, Marcelo Balbio, Fátima e Nelson Vasconcelos.


Babs e eu no meio da bagunça geral e irrestrita.


Recebendo uma rosa com a gozação total da turma.



4.12.04

Chego hoje aos 42 anos.
Ontem houve um chope animadíssimo aqui na esquina do jornal, onde rimos tanto que estou com o maxilar doendo até agora. Brindamos tanto que brinquei que cada brinde me fazia ficar um ano mais jovem. Terminei a noite com 15 anos, com direito a valsa e tudo no meio do churrasco do Felipe na esquina de rua de Santana com Irineu Marinho.
Estiveram presentes a Elisinha, Babi Veloso, Fátima Iocken, Mr. Marcelo Balbio, Nelson Vasconcelos, Cristina Azevedo, Berenice Seara, Fábio Rossi, Renata Maneschy, Cida Calu, Luizinha e Sérgio, Mr. Feroli (que chegou no finzinho) e mais uma galera. Elis me presenteou com um DVD do "Senhor dos Anéis", que adorei.
Na volta para casa conheci a potência do Fatimóvel, o carro da Fátima. Ela dirige com uma desenvoltura invejável; fomos cantando músicas até o outro lado da baía, acompanhando um CD. Fui dormir com um sorriso na cara e não sonhei com nada -- o melhor sono possível.
Hoje vou sair com Wal e as meninas e flanar por Nikiti City (depois do plantão, pois tive que chegar cedo aqui no jornal. Mas tudo bem, não gosto de adiar plantões. Melhor fazer logo).

A vida começa aos 42. Ou melhor, aos 15 ;-)) Oh yeah.

A todos, obrigado por uma noite maravihosa.

29.11.04











As fotos da turma fantasiada no final do Editor's Day da HP, que aconteceu em Ilhabela semana passada. De cima para baixo: eu de frei Tuck fazendo um "vade retro" para o "vampiro" Ramalho; uma parte da galera pronta para o agito; eu recebendo o prêmio de melhor fantasia (acreditem, o público me elegeu...); com o prêmio; e outra parte da tchurma.

25.11.04

O melhor exercício para o coração
é amar.
A única dieta possível,
os suspiros.
Não preciso de aparelhos modernos
para acelerar o pulso:
apenas sentar aqui
e olhar você
por cima de uma beberagem gelada.



24.11.04

Em breve, publicação de fotos sensacionais neste blog.

16.11.04

Andei relendo estes dias uns trechos de "Pergunte ao pó", de John Fante, na belíssima tradução do Paulo Leminski. Tenho ainda a edição da Brasiliense, que comprei em 1984 e devorei. Arturo Bandini, o escritor que amava a Los Angeles marginal e a voluntariosa garçonete Camila Lopez, é um personagem inesquecível, que está em algum canto de todos nós.

Não gosto de chamar Fante de escritor "classe B" porque, como dizia seu fã, Charles Bukowski, ele não tinha medo das emoções e era um mestre em descrever as angústias de seu alter ego Bandini. Além do mais, se pensarmos bem, dificilmente nossa vida interior, se exposta, é classe A.

6.11.04

Hoje este blog completa exatos três anos de vida. É muito bom estar aqui na rede com vocês, e escrever o que vai pela alma.


Eu e minhas queridas amigas Fátima e Bárbara no aniversário da última: uma deliciosa bagunça regada a muita cerveja e conversas espirituosas.